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26/12/2006 - 08:55

Por que os pais não têm maior participação nas escolas?

A educação só vai melhorar quando os pais participarem do cotidiano das escolas. Isso todo mundo sabe, mas o espírito corporativista dos profissionais da educação não aceita nenhum tipo de fiscalização.
Os governantes têm medo de enfrentar o corporativismo que reina nas escolas públicas. Os políticos de SP preferem compactuar com os sindicatos (cerca de 300 mil associados) e ignorar os 12 milhões de pais, que ainda estão “desorganizados”. Esta é a desgraça que mantem a educação paulista nos mais baixo nível.

Os pais não vão às escolas públicas porque o espírito corporativista não quer “estranhos” fiscalizando o “serviço educação”. A corporação só dá “boas vindas” aos pais que “pagam taxas” ou que vão à escola para pintar muros, ou varrer o pátio ou limpar banheiros. São escorraçados os pais que querem participar da proposta educacional e fiscalizar as escolas públicas.
Vejam que o governo de SP não participou da Prova Brasil, pois a corporação não aceita divulgar o desempenho individual das escolas paulistas. Há muito tempo que corporação já tem os dados sobre a péssima qualidade do ensino, pois os dados do Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), que é sonegado aos pais e à comunidade, é disponibilizado para as direções escolares.
A população e a mídia deveriam cobrar a divulgação de outro indicativo sobre a realidade das escolas públicas: os dados sobre violência nas escolas. A Ouvidoria da Educação, a Secretaria de Educação e o Governo sonegam estes dados da população, não permitindo que se estabeleçam a relação entre violência escolar com a falta de comprometimento dos profissionais com uma única escola. O Núcleo de Apoio a Pais e Alunos (NAPA) está movendo um Ação Civil Pública para obrigar a Secretaria Estadual de Educação a divulgar os dados sobre as “Violências das Escolas” (Processo nº 583.53.2006.108796-8, 7ª Vara da Fazenda Pública de SP).

O desempenho escolar só vai melhorar quando a política educacional priorizar a unidade escolar e dar totais condições para os pais fiscalizarem o desempenho individual de cada escola. Bons professores devem ser premiados. Maus professores devem ser reciclados ou demitidos. Escolas com baixo desempenho devem sofrer intervenção.

Em 24/12/2006, o jornal Agora São Paulo fez o seguinte editorial: “Receita de boa escola – Elas existem. Um estudo da ONU e do Ministério da Educação identificou 33 escolas públicas estaduais e municipais de ensino fundamental que são consideradas excelentes. Além de terem obtido notas acima da média em avaliações, elas apresentaram um impacto positivo sobre o aprendizado de crianças carentes. São escolas que fazem a diferença.
Técnicos procuraram levantar os elementos que elas tinham em comum. Os principais ingredientes para o sucesso são: professores capacitados; alunos e pais interessados; projetos pedagógicos ligados ao cotidiano das crianças.(…)”
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Em 24/12/2006, o jornal Folha de São Paulo fez o seguinte editorial: “O segredo do êxito – (…) As boas práticas encontradas reforçam o que especialistas vêm dizendo já há algum tempo. Os principais ingredientes para o sucesso incluem: professores capacitados e empenhados; alunos interessados e exigentes; projetos pedagógicos ligados ao cotidiano das crianças; conexões entre a escola e fontes produtoras de conhecimento como universidades; e o envolvimento dos pais e da comunidade no processo de aprendizado. (…)” (leia o editorial aqui)
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Hoje (26/12/2006), o jornal O Estado de São Paulo declara: “A receita das escolas-padrão – (…) Os projetos pedagógicos com melhores resultados, segundo o estudo, são os que se destacam por sua simplicidade e criatividade. Uma das constatações mais importantes do trabalho do Unicef e do Inep é que o sucesso alcançado por esses colégios não está necessariamente relacionado à qualidade de sua infra-estrutura nem à disponibilidade de recursos. (…) Embora os 33 colégios estejam situados em diferentes contextos socioeconômicos, eles têm em comum professores empenhados e capacitados, estabilidade do corpo de funcionários administrativos e forte apoio dos pais, principalmente na fiscalização da freqüência, no controle das lições de casa e até na confecção de lanches. (…) “A escola não é um depósito. A família é a base. Se a família não vai à escola, a criança não evolui”, diz Maria Teresa da Cruz, da Escola Casa Meio Norte, em Teresina (PI). (…)” (leia o editorial aqui)

Postado por: Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública

Autor: Cremilda - Categoria(s): Sem categoria Tags:


1 comentário para “”

  1. Agora São Paulo disse:

    24/12/2006
    EDITORIAL
    Receita de boa escola
    Elas existem. Um estudo da ONU e do Ministério da Educação identificou 33 escolas públicas estaduais e municipais de ensino fundamental que são consideradas excelentes. Além de terem obtido notas acima da média em avaliações, elas apresentaram um impacto positivo sobre o aprendizado de crianças carentes. São escolas que fazem a diferença.
    Técnicos procuraram levantar os elementos que elas tinham em comum. Os principais ingredientes para o sucesso são: professores capacitados; alunos e pais interessados; projetos pedagógicos ligados ao cotidiano das crianças.
    Elementos como salários e infra-estrutura importam, mas o trabalho mostra que, em determinados casos, carências nessa área podem ser compensadas com criatividade.
    Uma escola do Rio que não tinha quadra de esportes fez convênio com um quartel próximo, que emprestou a sua. Outra, de Minas, ainda depende dos velhos mimeógrafos, mas seus alunos da 8ª série tiveram ótimo desempenho na prova nacional.
    Como se vê, carências sociais não são obstáculo intransponível a uma educação de qualidade.

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