“Diretas Já” para diretor de escola.

A comunidade tem uma reivindicação antiga: eleição direta para diretor de escola.
Parece um pedido simplista, mas seria uma verdadeira revolução na educação.
Um diretor eleito pela comunidade escolar teria de assumir compromissos claros de objetivos e metas para a melhoria da educação.
Do jeito que está não pode continuar. O candidato a diretor presta um concurso público, mas é o governo de plantão que o nomeia em determinada escola. Além disso, raramente encontramos o diretor designado na escola. A regra é a função estar sendo preenchida por um auxiliar enquanto o “diretor” está em “outra escola” ou mesmo desviado para cargos “em comissão” ou até mesmo em um gabinete político qualquer.

A corporação de professores e diretores já está se manifestando contra Eleição Direta.
Teve um professor-doutor (ou seria diretor-doutor) que até publicou uma carta no Jornal da Tarde (07/12/2006), chamando o Projeto de Lei 811/2005 de “Trem da Alegria”, omitindo-se que o “mandato de diretor” será de 3 anos e que “Os candidatos deverão pertencer ao quadro de servidores da Secretaria e estar há três anos letivos consecutivos na unidade escolar em que se candidatar” (artigo 3º do PL 811/2005).

O sindicato dos diretores (UDEMO) também está contra as “DIRETAS JÁ”. Mandou carta aos deputados estaduais usando argumentos semelhantes aos que a ditadura militar usava para desqualificar a sabedoria do povo. Sobre a “gestão democrática”, o argumento mais hipócrita foi dizer que “dois momentos de participação existem” (sic): no “planejamento escolar” e no “Conselho de Escola”… Faltou informar que São Paulo nem mesmo promove eleições democráticas para o Conselho de Escola. A regra é a direção escolar formar o conselho de escola com listas já manipuladas pela própria direção. Qualquer um poderá constatar a manipulação a partir das listas de presença e das atas destas votações.

A UDEMO é o sindicato de diretores que está divulgando um “decálogo” com reivindicações corporativistas (”2 – Se não houver pessoa responsável pela Biblioteca, ela permanecerá fechada”).
Imaginem os pais propondo um decálogo que começasse assim:
1 – não mandem seus filhos para as escolas onde não houver diretor compromissado com a escola ou que não respeite os valores culturais da comunidade local.
2 – não pague os salários dos profissionais das escolas que não respeitam alunos, pais e comunidade local.

O Projeto de Lei 811/2005, de autoria do deputado estadual Ennio Tatto – PT, está na Comissão de Educação desde 01/11/2006. Esperamos que os deputados estaduais de SP aprovem o projeto, favorecendo a gestão democrática das escolas públicas paulistas

Postado por: Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública

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