
Arquivo de abril, 2009
Desgraça
Estamos na final

Em tempo
A final do Paulistão será entre Santos e Corinthians. Quem acompanha o que eu escrevo sabe que eu queimei a lÃngua. E tem mais: esse negócio de quartas-de-final deixam o Campeonato Mineiro um saco.
Fora de Pauta: considerações sobre Adriano
O assunto que movimentou a semana foi o fato de o jogador Adriano ter abandonado a carreira, por “ter perdido a alegria de jogar”.
É um fato inusitado e que suscitou todo tipo de reação. E quando isso acontece, muita gente fala muita merda. Por isso, quero só registrar que a minha opinião vem de encontro à essas duas:
-Arnaldo Branco, cartunista brasileiro. Comentário muito lúcido e com uma veia irônica que eu invejo. Clique aqui para ler.
-Emir Sader, colunista da Agência Carta Maior. Texto que bota todo mundo pra pensar na vida do cara, e inclusive na própria vida. Clique aqui para ler.
Considerações sobre Guaratinguetá 2×2 Atlético

O Atlético empatou merecendo perder.
A comemoração-cobrança do Éder LuÃs
Tem gente achando que a comemoração do Éder LuÃs, ao marcar o segundo gol do Galo contra o Rio Branco, foi uma afronta à torcida. O atacante correu até o zagueiro Werley, que vinha sendo vaiado pela atuação na lateral, e cobrou, bravo, aplausos para o colega. E a atitude nervosa do cara deixou muita gente da arquibancada e do sofá incomodada.
Eu, daqui da minha humilde posição de espectador do espetáculo, vejo a cena com bons olhos. Eu diria que é muito bom pro time, que um jogador como Éder LuÃs arrisque arranhar o seu prestÃgio com a Massa para proteger um companheiro. Antes de ser uma afronta ao torcedor, foi uma mostra de união dos jogadores.
O Éder não é bobo. Ele sabe que tem um Alessandro, ali no banco, babando pra jogar assim que terminar o Campeonato Mineiro, ou seja, a torcida tem um nome pra gritar quando estiver insitisfeira com ele. Por isso, eu acho que nosso velocista sabia o que estava fazendo. Provavelmente confia no futebol desse Werley, que até agora nada apresentou de confiável. Mas acima de tudo, confia em si mesmo, ciente da sua capacidade de ir lá e meter um golaço naquele momento mais frio da partida. E melhor ainda: confia que os companheiros estarão ao seu lado como parceiros, o que, na minha opinião, é um dos elementos que ajudam a construir um time campeão.
Atlético 2 x 0 Rio Branco
Primeiro gol: Diego Tardelli

Por que o Tardelli é craque?
Ver esse cara jogar é interessante. Dentro da área, é jogador de poucos toques. É receber e bater pro gol. hoje, não precisou dominar a bola, já mandou o torpedo no barbante.
Fora da área, o que impressiona é a habilidade. Às vezes, parece jogador de futsal: rola a bola com a sola do pé, passa de um pé pro outro e encontra um companheiro na posição mais inusitada possÃvel.
Tem também as arrancadas, e os dribles. Tardelli é perigoso, porque dribla “pra frente”, em direção ao gol. Não é, definitivamente, um jogador na média do futebol brasileiro.
Hoje, é o candidato mais forte à artilharia do Campeonato Mineiro. E para ver o Card da Coleção com Diego Tardelli, CLIQUE AQUI.
Segundo gol: Éder LuÃs

Por que o Éder LuÃs é importante?
Se o Tardelli é o rei da área, o Éder é a alma do ataque. Veloz, se movimenta muito, tem qualidade no passe, dribla muito bem e tem boa sintonia com o companheiro da linha de frente. O Galo, inclusive, joga melhor sem o “pivô” (ou centro-avante ruim), quando o Leão cisma de colocar três atacantes. Éder fica mais tempo com a bola e não precisa triangular com quem não consegue acertar os passes.
No gol de hoje, vimos a raça e a velocidade do rapaz, que veio para o Atlético para jogar nas categorias de base. Recentemente, não comemorou um gol contra o Uberaba e gerou uma preocupação na torcida, de que estaria insatisfeito. Mas seus dois últimos gols (nos dois últimos jogos), comemorou sim, aliviando a todos.
Éder LuÃs briga pela vice-artilharia do campeonato, estando empatado com Kléber, do cruzeiro, até o desfecho da rodada, na terça-feira. O Card do Éder LuÃs, você encontra CLICANDO AQUI.
Noite de Professores e Estudiantes


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Impressões de um campeonato a caminho do desfecho
O nosso campeonato regional experimenta neste momento a expectativa da definição dos semi-finalistas, e a esta altura já dá pra fazer uma boa análise de:
1) a importância do Campeonato Mineiro para o cenário esportivo nacional;
2) o prognóstico do Atlético para o grosso da temporada 2009.
Começando, como de praxe, costume ou mania, pelo item 1, vejo que existe uma pequena polêmica Brasil afora a respeito dos Estaduais. Dizem que são dispendiosos, pouco competitivos, sem graça e o escambau. Sou obrigado a discordar. Gosto do Campeonato Mineiro, acompanho, vejo as notÃcias, inclusive visito muito o “Times do Mineiro” (link aà na esquerda) pra me inteirar dos jogos menos noticiados.
Eu acho que os Estaduais têm sim uma grande importância pro calendário do futebol brasileiro. Acho que são um bom inÃcio de temporada para os times considerados “grandes”, e uma ótima oportunidade para equipes de apelo regional e local participarem de eventos importantes. Os Estaduais movimentam o interior do Brasil, por mais desiguais que sejam as realidades dos seus postulantes. Estes campeonatos são importantes sim, quando bem geridos e planejados. Mas penso que muitos Estados precisam ajustar suas fórmulas de competição, porque senão a coisa vira uma bagunça e, por conseqüência, uma chatice.
O Rio de Janeiro, por exemplo. Trata-se do segundo Estado com a maior arrecadação em patrocÃnios e cotas de TV, contando com quatro times de grande expressão nestes quesitos, e que ainda gozam do favorecimento pelo bairrismo dos meios de comunicação ditos “de rede nacional”. Porém, o Campeonato Carioca em si, é um saco. Não é só porque conta com 1.294 equipes. Tem time que é campeão se ganhar o primeiro turno. Outro também é campeão no mesmo ano, se ganhar o segundo turno. Aà os dois duelam pra decidir quem é mais campeão que o outro, e no final o Campeão Carioca já foi campeão de uma porção de coisas antes de levantar o troféu. Pessoal, por favor! Campeonato Estadual é legal, mas essa mania “superlativizar”, de dar uma importância maior do que ele realmente tem (coisa de carioca?) empobrece o negócio! Fica parecendo aqueles caras que compram um Fiat Tipo 94 e colocam aerofólio, rodas gigantes de liga-leve, oito pares de farol de milha, todas as saliências cromadas e um som de rachar a janela da vizinha… Além de ser brega até o caroço, aquilo não vale nem metade do que o dono acha que vale. Não é assim que se faz um carro bacana, e não é assim que se faz um Estadual interessante. A fórmula do Cariocão, pra mim, é um erro.
O Mineiro, ao contrário, eu considero um Estadual que dá certo. Seu maior trunfo é ser curto. São apenas doze equipes. Um turno único, e depois os mata-mata. Até 2008, só havia semifinais e a final, em dois jogos cada. Para 2009, por insistência dos times do interior, entraram no rolo as quartas-de-final, o que significou mais quatro times classificados. Eu não gostei, mas entendo. Os times do interior precisam que o torneio seja um pouco mais extenso, pois a maioria saÃa muito cedo e pouca chance tinham de fazer um caixa com bilheteria. Eu preferia do jeito anterior, mas convenhamos, assim ainda está bom.
E a competitividade? Muita gente critica que o Campeonato Mineiro só tem dois times com chances reais de tÃtulo. E eu digo: e daÃ? Campeonato Estadual é assim mesmo! Pegue o Paulistão, o Estadual mais rico do Brasil: quantos times com chance real de tÃtulo existem ali? A resposta mais recorrente deve ser “quatro”: Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos. Ninguém se atreveria a citar o Grêmio Barueri, que está na primeira divisão do Brasileiro, e nem seria maluco de colocar aà Guarani e Ponte Preta, dois clubes tão mal das pernas quanto da administração. Então, pode eliminar o Santos, que está em quinto lugar e não tem futebol pra postular o troféu. Sobraram três. O Corinthians hoje ocupa a vice-liderança, mas eu não apostaria na manutenção dessa posição… Mas pra não criar polêmica desnecessária, vamos manter a quantidade em três. E aÃ, muito maior que a do Campeonato Mineiro?
Pode chegar alguém e ainda dizer que, em São Paulo, os times do interior dão mais aperto pros grandes. Será? Olha que aqui tem um Ituiutaba que é osso duro, tem um Ipatinga (hoje na segundona), que foi Campeão, e de vez em quando um Rio Branco e um Uberaba dão aquele susto no Galo e na Raposa. Logo, não vejo problema em variarmos tão pouco os vencedores do torneio. Acho a participação dos menores muito digna e interessante. E por esse motivo, se alguém quiser meu voto pra acabar com os Estaduais, eu voto contra!
Pra não esquecer que lá em cima eu listei um item 2: o prognóstico do Atlético para o restante da temporada. Até agora, o que vimos foi um futebol que deu pro gasto, com algumas lufadas de genialidade do Diego Tardelli. Esbarramos em deficiências crônicas herdadas da temporada anterior: a falta de efetividade do Márcio Araújo, a lateral-direita descoberta, um meio-campo de pouca criação e jogadores que contribuirão muito pouco pra melhorar este quadro: Tchô, Sheslon, Welton Felipe, Edson… No frigir dos ovos, seria de bom grado contar com um novo lateral-direito (um Élder Granja viria muito a calhar, mas o Coelho também resolve), um zagueiro pra ser titular, um armador. Goleiro? Sim, também. Mas o Juninho tem jogado bem. Eu queria é um reserva pra ele, pois o Édson já teve suas chances, e na minha opinião, deveria procurar outro clube. De positivo, temos o Éder LuÃs, o Júnior, Renan e Júnior Carioca, além do nosso artilheiro. Talvez o Fabiano seja uma boa surpresa também. Tomara. E, claro, tem o Émerson Leão, pra mim um grande estrategista, um cara que sabe onde pisa e o que dá pra fazer com o recurso que lhe dispõem.
E pro ano, não espero tÃtulos além do Mineiro. Quem sabe uma Copa do Brasil, que se tornou uma competição esvaziada depois que os disputantes da Libertadores não mais puderam participar. Eu acho que esse elenco aà pode nos dar: a semifinal da Copa do Brasil, o avanço de uma fase na Sulamericana, e um honrado sétimo lugar no Brasileirão. E, espero eu, ganhar do Cruzeiro pra que as coisas voltem ao normal.
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