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01/03/2011 - 19:11

Comentários ao Oscar 2011 – parte 2

discursodorei_3O Oscar de Melhor Ator Coadjuvante foi para Christian Bale (“O vencedor”). Mais uma premiação previsível e justa. Geoffrey Rush (“O discurso do rei”) poderia ter levado a estatueta, pois teve qualidade para tanto, mas era preferível dá-la a um ator da nova geração (e de qualidade). Bale mereceu. Outros que concorreram foram Mark Ruffallo (“Minhas mães e meu pai”), John Hawkes (“Inverno da alma”) e Jeremy Renner (“Atração perigosa”).

O Oscar de Melhor Trilha Original foi para “A rede social”, vencendo “Como treinar seu dragão”, “A origem”, “O discurso do rei” (que foi melhor que o vencedor) e “127 horas” (idem).

A Melhor Mixagem de Som ficou com “A origem”, vencendo “O discurso do rei”, “Salt”, “A rede social” e “Bravura Indômita”. O mesmo filme ganhou como Melhor Edição de som, contra “A origem”, “Toy Story 3”, “Tron: O legado”, “Bravura indômita” e “Incontrolável”. “Tron” merecia mais.

A estatueta de Melhor Maquiagem foi para “O Lobisomem”. Era evidente. Assim como “Alice” era o melhor para receber de Melhor Figurino, ao invés de “I AM Love”, “O discurso do rei”, “Bravura indômita” e “The tempest”.

Muitos torciam para que “Lixo extraordinário” ganhasse o Oscar de Melhor Documentário, pois o filme, para essas pessoas, representaria o Brasil. É um exagero. Venceu “Trabalho interno”, frustrando muitos brasileiros. O cinema brasileiro ainda tem um caminho gigantesco a percorrer para ganhar um Oscar, que não uma indicação extraordinária de Melhor Ator/Atriz.

A “Origem” levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. “Alice” poderia ter ganhado a estatueta, todavia, seriam estatuetas demais para um filme que não merecia tanto. Não há que se reclamar. “Harry Potter”, “Além da vida” e “Homem de ferro 2” também concorreram.

“A rede social” ganhou o Oscar de Melhor Edição, vencendo “Cisne negro” (imensamente superior em todos os aspectos), “O vencedor”, “O discurso do rei” (o mesmo que dito sobre “Cisne negro”), “127 horas” (nesse quesito, também superior). Talvez tenha sido uma espécie de consolação, pois “A rede social” é um bom conjunto, sem destaques individuais.

A Melhor Canção Original foi para “We belong together”, de “Toy Story 3”.

Tom Hooper, por “O discurso do rei”, ganhou o Oscar de Melhor Diretor. Mais pela obra dirigida com competência ímpar que por um trabalho de destaque. Darren Aronofsky (“Cisne negro”) foi melhor individualmente, mas o conjunto que Hooper apresentou fez o profissional merecer o prêmio. Os irmãos Joel e Ethan Coen também foram competentes em “Bravura indômita”. Não mereceriam David Fincher (“A rede social”) e David Russell (“O vencedor”), que também concorreram.

ee1bc_discurso.rei.downfilmesNatalie Portman (“Cisne negro”) venceu Nicole Kidman (“Reencontrando a felicidade”), Michelle Williams (“Namorados para sempre”), Annette Benning (“Minhas mães e meu pai”) e Jennifer Lawrence (“Inverno da alma”), ganhando o Oscar de Melhor Atriz; enquanto Colin Firth (“O discurso do rei”) venceu James Franco (“127 horas”), Jesse Eisenberg (“A rede social”), Jeff Bridges (“Bravura indômita”) e Javier Bardem (“Biutiful”), ganhando o Oscar de Melhor Ator. Portman e Firth foram, sem a menor sombra de dúvidas, os melhores nas suas categorias.

Concorriam a Melhor Filme “127 horas”, “A origem”, “A rede social”, “Minhas mães e meu pai”, “Cisne negro”, “Inverno da alma”, “O discurso do rei”, “O vencedor”, “Toy Story 3” e “Bravura indômita”. Steven Spielberg anunciou que o Oscar de Melhor Filme seria recebido por “O discurso do rei”. Foi, indubitavelmente, um filme espetacular – quiçá um dos melhores dos últimos 10 anos. Ainda assim, tecnicamente, o Melhor Filme de fato foi “Cisne negro”, por ter um conjunto melhor. “A origem” também merece uma menção, pela originalidade. Isso não significa, contudo, que “O discurso do rei” não mereceu. Ao contrário, tem incontáveis méritos e era perfeitamente hábil a receber o prêmio.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/02/2011 - 22:48

Comentários ao Oscar 2011 – parte 1

Monotonia

Diferente do Oscar 2010, desta vez a Academia optou pela monotonia e pela previsibilidade. Digo isso porque “Avatar” era o grande favorito (e de fato o melhor em muitas categorias a que concorreu sem vencer), mas não recebeu o número de estatuetas a que era favorito. Este ano, ao contrário, quem palpitou sobre a premiação teve mais chance de lograr êxito.

oscar

A primeira estatueta vai para “Alice”, como Melhor Direção de Arte, vencendo “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, “A origem”, “O discurso do Rei” e “Bravura Indômita”. Diante dos concorrentes, era o favorito, sendo ótimo no quesito.

“A origem”, um dos maiores vencedores da noite (4 estatuetas), recebeu o prêmio de Melhor Fotografia, vencendo “Cisne negro”, “O discurso do Rei” e “Bravura indômita”. Outro que não surpreendeu, principalmente porque foi o mais original (mesmo na fotografia!). Outro que poderia ter ganhado era “Bravura indômita”, mas era inferior.

Já o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante surpreendeu. As melhores foram Helena Bonham Carter (“O discurso do Rei”) ou Hailee Steinfeld (“Bravura indômita”), concorrendo também Amy Adams (“O vencedor”) e Jacki Weaver (“O reino animal”). Contudo, a vencedora foi Melissa Leo (também de “O vencedor”). Não foi a melhor, mas não foi ruim.

O Oscar de Melhor Animação foi o mais justo e absolutamente previsível: “Toy Story 3”. “Como treinar seu dragão” era um bom concorrente (“O mágico” nem tanto), mas o melhor foi, inegavelmente, o vitorioso. Alguns chegaram a defender que merecia até mesmo o Oscar de Melhor Filme. Longe disso…

O Oscar de Melhor Roteiro Adaptado foi para “A rede social” (um dos favoritos a muitos prêmios na noite). Se é o melhor, é discutível, mas o trabalho foi feito com bastante competência.

Não é possível dizer que foi um prêmio injusto – até porque era o favorito diante dos concorrentes medianos (“127 horas”, “Toy Story 3”, “Bravura indômita” e “Inverno da alma”). O favorito, não necessariamente o melhor.

Apesar de, pessoalmente, ter adorado o filme “O discurso do Rei”, o prêmio de Melhor Roteiro Original poderia ser de “A origem”, sem prejuízos. Isso porque, em termos de “originalidade”, “A origem” foi o melhor filme da safra. Contudo, há que se considerar que o prêmio leva em conta também a qualidade do roteiro (não apenas a originalidade) – nesse sentido, “O discurso do Rei” foi superior. Em outras palavras, foi justo e até mesmo previsível o Oscar de Melhor Roteiro Original para “O discurso do Rei”, pela sua qualidade ímpar e por ser um roteiro completamente novo. “A origem” não tem a mesma qualidade. Também concorreram neste prêmio “Um ano a mais”, “O vencedor” e “Minhas mães e meu pai”.

Aqui cabe uma observação: o prêmio de Melhor Roteiro Original é um dos que analisa um número gigantesco de questões.

A originalidade está sim presente (afinal, o maior desejo dos cinéfilos é a existência de novas obras, totalmente diferentes das que já existem), assim como a qualidade, a coerência etc.. Contudo, o nome do prêmio significa que o roteiro é criado, não adaptado para as telas – ou seja, é escrito a partir do zero (podendo, obviamente, ser baseado em uma história real), não a partir de, por exemplo, um livro.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/02/2011 - 22:18

CRÍTICA – 127 horas

Simples, mas eficaz

127horas_4“127 horas” conta a história real de Aron Ralston (James Franco), um montanhista que, em uma de suas aventuras, acaba ficando com seu braço preso em um curto espaço em um cânion, em Utah (que gera uma fotografia que agrada). Ralston, preso, nos 5 dias seguintes, tem de lidar com seus próprios demônios (em cenas de intensas divagações), recordar as boas (e as ruins) memórias, até finalmente, por mérito próprio, conseguir sair.

Por ser uma história totalmente verídica, o trabalho no roteiro (adaptado) foi simples, mas competente (concorrendo ao Oscar na categoria). Sem invencionices ou absurdos, é bem conduzido, do começo ao fim. A montagem, que também concorre ao Oscar, funciona na mesma simplicidade e competência, “recheada de pequenos flashbacks e projeções de desejos de Aron. Pensamentos que muitas vezes se misturam e são jogados numa tela dividida em três partes, numa profusão de imagens simultâneas” (Fred Burle).

Danny Boyle, o diretor (o mesmo de “Quem quer ser um milionário?”), apresenta um trabalho simples, mas adequado. Não era necessária uma direção repleta de artifícios e surpresas, a simplicidade era, mais uma vez, a chave. Foi coerente com o resto do filme. O filme também concorre ao Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original, as quais, assim como a direção, são coerentes com a obra como um todo, de qualidade inequívoca.

Até no quesito atuação o filme é simples, pois conta praticamente apenas com James Franco. Mas sua atuação é o grande diferencial (se fosse um desconhecido, a qualidade poderia ser prejudicada). O Aron de Franco foi simples, mas impecável. O ator conseguia apresentar a personagem na dose perfeita de insanidade nos momentos certos, os sentimentos, de um modo geral, foram muito bem representados (ainda mais considerando que o protagonista viveu momentos que propiciavam os mais diversos sentimentos). Foi o primeiro grande trabalho de Franco (ao menos um papel que merecia uma interpretação dedicada), o ator não decepcionou, coroado com uma indicação ao Oscar (que provavelmente não receberá, mas vale a indicação).

127horas_3O objetivo de “127 horas” é entreter e emocionar. Foi cumprido. Consegue entreter, sem “fascinar”. Consegue emocionar, sem comover. Não é ruim. Concorre ao Oscar de melhor filme. Não o é, mas uma simples indicação já dá indício de boa qualidade. É, por fim, um filme simples, porém eficaz, ao menos no seu objetivo.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/02/2011 - 16:47

CRÍTICA – Cisne Negro

Genial

cisnenegro_2Uma obra qualquer, para ser considerada verdadeiramente “artística”, possui alguns requisitos. Não que seja uma ciência exata, com um rol imutável de pressupostos mínimos, mas a arte tem uma característica básica: a variabilidade de interpretação. E isso “Cisne negro” tem.

A arte não é fática, não é unissonante, não é monótona ou simples. Ao contrário, é complexa, plural, versátil e multiforme. Dentre outras características, evidentemente. Em suma, a arte tem a ímpar habilidade de gerar interpretações diversas. Uma mesma música gera sentimentos diferentes em cada pessoa, um livro ou uma pintura geram análises diferentes para cada um etc. O mesmo, por óbvio, ocorre no cinema. O filme que é arte não permite que todas as pessoas saiam exatamente com os mesmos sentimentos, pensamentos, reflexões e (talvez principalmente) interpretações. A arte é subjetiva.

É esse o intento de “Cisne negro”: não consentir com a normalidade. Não dar lugar a uma única interpretação a quem o assiste. Tentativa perfeita e acabada, com sucesso. Cada indivíduo pode definir este filme de uma forma, com um adjetivo, que considere mais peculiar. Não há palavra incorreta para descrevê-lo, fato é que cada um enxerga de uma forma diferente.

O adjetivo que eu considerei mais adequado foi “genial”. Isso porque somente um gênio seria capaz de apresentar o trunfo que apresenta no roteiro, evidenciado no final. Apenas um gênio fala da arte daquela maneira. Isso tudo sem contar a atuação genial de Natalie Portman.blackswan_17

“Cisne negro” conta a história de Nina (Portman), uma bailarina de destaque que recebe a difícil tarefa de participar como protagonista no “Lago dos Cisnes” (a Rainha dos Cisnes). No papel, Nina deve interpretar Odete e Odile, Cisnes Branco e Negro, o bem e o mal, a perfeição e doçura e o desejo e impulso. Com sua qualidade, a bailarina tem facilidade para desempenhar o Cisne Branco, que exige muita técnica. Contudo, o Cisne Negro, mais sensual, avassalador e impulsivo, é seu grande desafio, pois Nina sempre teve uma vida dedicada ao ballet, sempre regrada. As características do Cisne Negro nunca estiveram presentes na sua vida – ao menos até então.

blackswan_1Como é notório, Natalie Portman exibe sua melhor atuação. Mostra que é uma atriz de admirável qualidade técnica e potencial imenso. É, sem a menor sombra de dúvidas, a grande favorita para o Oscar de melhor atriz, premiação mais do que justa, caso a receba.

“Mas não só Portman brilha em Cisne Negro. O elenco parece-me que foi escolhido a dedo. Vemos uma Mila Kunis, deixando para trás That ’70s Show, uma Winona Ryder, como uma famosa bailarina decadente, que sempre foi o espelho e exemplo de Nina, e Vincent Cassel, o coreógrafo, que seduz e induz suas bailarinas a ultrapassarem seus limites” (Mariana Valadares Zitto). Mila Kunis tem uma participação interessante, pois é sua personagem que ajuda Nina a mudar seu jeito de ser (além de viver cenas, no mínimo, picantes). Já Cassel vive Thomas, coreógrafo que, teoricamente, teria um papel periférico, mas, com seu incessante incentivo a Nina (para que ela consiga atuar como Cisne Negro), acaba tendo participação importante.

Darren Aronofsky, o diretor, fez um ótimo trabalho. Como bem explica Fred Burle, “ainda com um pé no cinema independente (felizmente), Aronofsky realiza inúmeros takes de câmera na mão, faz cenas circulares sem precisar de travelling e abusa de planos detalhes que potencializam a dor e a obstinação da bailarina. Usa de efeitos visuais de muito gosto, mas apenas quando é estritamente necessário para a poesia que pretendia construir… e conseguiu. É um deleite assistir a cada cena, cada recurso utilizado por este que é um dos maiores diretores do nosso tempo”. Aronofsky é o favorito ao Oscar.cisnenegro_1

A trilha sonora é um espetáculo à parte, que não concorre ao Oscar para dar lugar ao novo (afinal, é de Tchaikovsky). A fotografia de “Cisne negro” também concorre ao Oscar, embora os concorrentes (“A origem”, “O Discurso do Rei” e “Bravura Indômita, além de “A rede social”) sejam melhores nesse quesito. O favoritismo também está no Oscar de melhor montagem.

O roteiro de “Cisne negro” surpreendentemente não concorre a um Oscar (talvez por desejarem dar a estatueta a uma obra mais original, afinal, o filme é montado a partir do “Lago dos Cisnes”). Ainda assim, é genial. Primeiro, por retratar a arte e falar da arte sobre a arte (não leia se não assistiu ao filme: na minha interpretação, Nina levou seu papel tão a sério que sua vida passou a retratar a peça de ballet, a bailarina criou uma dualidade dentro de si, sempre conflitante, que culminou com o duelo dos dois Cisnes, ou seja, para ela o papel que devia desempenhar no palco foi tão real que a história passou a compor a sua própria vida). Além disso, o roteiro é genial por usar algo simples (uma famosa peça de ballet) para retratar (com maestria) emoções e situações das mais diversas, desde o empenho e a vontade de perfeição, passando pela ingenuidade e a inexperiência, até a malícia e atitudes sombrias.

Malícia que está altamente presente no filme. Portman tem bom desempenho até nas cenas sexuais (em destaque a cena em que ela se masturba, a cena em que ela faz sexo com sua colega). É possível dizer que há uma sequência no longo filme que se apresenta bastante sexual, chegando a surpreender.

A dualidade, todavia, é o tema central. O próprio ideal de perfeição ensinado pelo coreógrafo a Nina é dual: “perfeição não significa controle, mas também se soltar. Surpreender a si mesma, a platéia…”. Esse conflito entre os extremos é bem representado e faz refletir.

Um último aspecto a ser mencionado é o peculiar relacionamento de Nina com a sua mãe, uma bailarina frustrada que sonha que a filha tenha uma carreira de destaque. No início, as duas se dão muito bem, apesar do absurdo controle que a mãe quer exercer sobre a vida da filha. Contudo, com o decorrer do filme, graças à maior liberdade de que Nina necessita, o desgaste entre elas fica evidente.blackswan_8

“Cisne negro” não é um filme ruim. Ao contrário, surpreende ao ser tão bom. É um suspense realmente assustador e desorientador. Não é uma obra comum. Genial, mas pode não agradar a todos, justamente por ser tão artístico – talvez até excessivamente artístico. Quanto mais se adentra no filme, maior é o avassalador sentimento de angústia proporcionado. Pode abalar psicologicamente pessoas mais frágeis, pois assusta, prende a atenção e inevitavelmente faz pensar. Chega a deixar o expectador exausto. Oprime! Para quem o assiste atentamente, quem o interpreta e o analisa, é impossível formar uma primeira impressão e pacificamente afirmar sua boa qualidade. Não é um filme normal, para pessoas normais. Sim, assusta, mas também fascina, por ser tão genial.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/02/2011 - 13:34

CRÍTICA – O Discurso do Rei

Majestoso roteiro e atuações perfeitas

discursodorei_3A propaganda e o favoritismo a vários Oscar (12) não são à toa. “O Discurso do Rei” é tudo o que falam e muito mais.

O roteiro, simples sem deixar de ser brilhante, conta a real história do Rei George VI (pai da Rainha Elizabeth II), vivido por Colin Firth, que, por sua condição, é obrigado a discursar, contudo, é dotado de uma gagueira, que o impede de dar discursos – afinal, um gago não mostraria convicção para a sua nação. Depois de vários tratamentos, somente com o terapeuta Lionel Logue (Geoffrey Rush), de métodos muito heterodoxos, que Bertie (como o Rei é chamado por Logue e por sua família) começa a encontrar uma maneira de falar sem gaguejar.

Roteiro simples, sim, porém, também comovente e emocionante. Descrever a parte que comove e emociona, além de um trabalho árduo, seria prejudicial para quem não assistiu e (principalmente) reduziria seu brilhantismo. Característica também evidenciada pela constante referência à Segunda Guerra Mundial. Não é possível deixar de citar a indiscutível originalidade. O roteiro possui apenas um “defeito”: a mudança de vontade do irmão do protagonista, repentinamente perde o interesse de ser rei e abdica em prol deste. O roteirista faz esta transição de modo abrupto, chegando a chamar a atenção, sem prejudicar a obra ainda assim. É o favorito ao Oscar de melhor roteiro original.

Tom Hooper talvez não seja o favorito ao Oscar de melhor diretor, mas a indicação é inequívoca e a possível vitória não seria injusta. Já a direção de arte é favorita à estatueta, assim como o figurino e a edição. Fotografia, trilha sonora e edição de som também foram indicadas.

Quanto à atuação, competir com o perfeito trio Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonham Carter é tarefa espinhosa, pois “O Discurso do Rei” conta com o ápice do exercício de atuar.

Concordo com as palavras de Fred Burle, que afirma que Colin Firth “vai além do que meramente interpretar o rei, como incorpora com perfeição seus cacoetes, sua garra escondida pela deficiência oratória e sua arrogância impregnada pela importância. A gagueira perfeita tem rendido a ele inúmeros prêmios e pode valer ouro na corrida pelo Oscar”. Em verdade, a crítica é praticamente unânime ao afirmar que Firth está impecável no papel. Talvez tenha nascido para esta interpretação. Ouso afirmar que é um dos melhores trabalhos dos últimos tempos, em termos de atuação.

No que concerne aos artistas coadjuvantes, mais uma vez Burle foi feliz ao afirmar que, “para peitar uma atuação desta (de Colin Firth) de igual para igual, só mesmo uma figura forte como Geoffrey Rush (“Os Contos Proibidos do Marquê (sic) de Sade”), mostrando muita autoconfiança e competência. E na outra ponta forte, Helena Bonham Carter (“Alice no País das Maravilhas”) volta aos papéis “normais” e faz seu papel com sutileza, mostrando que não enferrujou como ser humano, depois de tantos personagens bizarros e sobre-humanos”. Rush talvez não seja o favorito (já que concorre com Christian Bale, por exemplo), mas está magnífico, sabendo ser sensível e agressivo nos momentos corretos. Carter mostra versatilidade e, embora modesta no filme, não deixa de aparecer ótima.discursodorei_2

Por fim, “O Discurso do Rei” concorre ao Oscar de melhor filme. Alguns críticos acham que não merece esta estatueta, pois não chega a ser tão espetacular. Não enxergo sob esta perspectiva. Ora, trata-se de um prêmio cujo critério acaba sendo comparativo, existindo, sem dúvida, poucos filmes melhores que este. Em outras palavras, como o Oscar é prêmio de critério comparativo, não seria absurdo este filme vencer, pois são poucos de qualidade superior. Um desses poucos é “Cisne negro”. De todo modo, “O Discurso do Rei” é sinônimo de excelência.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/02/2011 - 21:09

CRÍTICA – O Ritual

Decepção

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É terror, não é suspense. É dessa premissa que deve partir a análise de “O Ritual”. Um filme de terror precisa, necessariamente, assustar. Diferente de um suspense, não instiga, não incita a curiosidade. Ou melhor, pode até funcionar deste modo, mas filme de terror que absolutamente não assusta, inevitavelmente decepciona. “O Ritual” não assusta, portanto decepciona.

Decepciona ainda mais pelo trailer, muito bem montado, que faz promessa de boa obra. Quiçá comparável a “O exorcista”. No fim, não é comparável sequer ao fraco “1408”, do mesmo diretor sueco Mikael Håfström – sem grande destaque, mas que não compromete a obra.

Aliás, o que compromete a obra? A falta de um roteiro e de cenas convincentes. As cenas que seriam mais assustadoras (por óbvio, as de exorcismo) não possuem recursos suficientes para deixar uma pessoa com medo.

Feliz foi Leonardo Campos, ao afirmar que “‘O Ritual’ (…) não assusta nem criança. Embalado numa trama frouxa e repleta de clichês, esta produção equivocada de terror (…)”.

O filme conta a história do cético seminarista Michael Kovak (vivido por Colin O’Donoghue), que passa a frequentar um curso de exorcismo no Vaticano, a contragosto. Lá, é indicado para conhecer o Padre Lucas (Anthony Hopkins), que acaba mudando o pensamento de Kovak, por seus métodos heterodoxos.ritual_3

O’Donoghue foi uma escolha de péssimo gosto. Não passa absolutamente nenhuma convicção em nada. Kovak, quando cético, deveria ser ferrenhamente cético. O ator não atinge o objetivo. Mesmo diante de um exorcismo praticado pelo próprio Kovak o ator é superficial. Contribuiu para a fraqueza do filme. Hopkins não está no seu auge, mas, ainda assim, muito acima da maioria dos atores. Há ainda a participação de Alice Braga, discreta como de costume, competente como sempre.

O roteiro, além de fraco, é repleto de clichês – a começar pelo seu atributo principal, o realismo da prática do exorcismo e a existência de uma entidade maléfica. Em resumo, “O Ritual” é recomendável para quem gosta do estilo, desde que seja assistido sem grandes expectativas. Sabe entreter, longe de fascinar.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2011 - 14:44

CRÍTICA – Caça às bruxas

Um astro e o sobrenatural, sem mais

“Caça as bruxas” traz como grande mote o sobrenatural, com cenas sombrias e de luta. Além do grande astro Nicolas Cage, que, inevitavelmente, leva muitos fãs aos cinemas.

A história se passa no medievo, trazendo, mais uma vez, a conhecida história das jovens mulheres que eram consideradas (com ou sem motivos) pela Igreja bruxas, sendo punidas com a morte. Nicolas Cage vive Behmen, cavaleiro que, após várias batalhas em Cruzadas, acabou perdendo a fé, principalmente após uma luta em que os mortos são mulheres e crianças. Behmen passa então a viajar por vilarejos. Acaba descobrindo que a peste negra está devastando a população, com isso, decide se unir a um grupo encarregado de levar uma garota, acusada de bruxaria, para um monastério distante. Roteiro básico, mas não ruim.

A fotografia também é razoável, sem grande destaque, mas cumpre, mesmo que minimamente, a proposta inicial. Não foram bem explorados os efeitos sonoros. Por outro lado, os efeitos visuais são fracos, principalmente nas cenas finais – que apresentam um trunfo no roteiro.

Roteiro básico, cenas que tratam do sobrenatural e um astro como Cage, em costumeira péssima atuação. Tem cenas interessantes e envolventes, mas peca nos detalhes – que acabam sendo essenciais no mundo do cinema. Por exemplo, há uma cena introdutória que tenta evidenciar o clima do filme, com suspense em um ambiente sombrio. Contudo, esta cena em nada dialoga com o resto do filme, podendo pertencer a absolutamente qualquer outro.

Cage tem seus defensores, mas é um ator fraquíssimo. Sua expressão é única, sempre a mesma, com os mesmos jeitos e trejeitos, as mesmas “caras e bocas”. Neste filme ainda mais inspirado.

Por fim, trago dois trechos que bem resumem “Caça às bruxas”:

“Com direção de arte digna de filmes de época feitos para TV, além de efeitos especiais que mais parecem amadores, “Caça às Bruxas” é mais uma bomba protagonizada por Nicolas Cage que aqui está, mais do que nunca, no piloto automático, vomitando suas falas sem se preocupar em acrescentar qualquer expressão a elas. Um filme que não cumpre nem mesmo o que o seu próprio título propõe (quem ousar assistir saberá do que está se falando) não pode satisfazer nem ao menos exigentes dos espectadores.  Já passou da hora de Cage tirar umas longas férias!” (Dariano Dídimo)

“Entre minutos de êxito e horas inteiras de problemas, o saldo final de pontos positivos em “Caça às Bruxas” é ínfimo. As sequências finais de luta corporal entre Cage e algo que não pode ser citado – para não comprometer o desfecho da história – representam bem o que o projeto inicial almejava e o que foi conseguido pelo diretor. Com recursos inferiores e em tempos remotos, Bergman filmou uma bruxa muito mais assustadora.” (Jáder Santana).

O filme diverte, mas não deve ser levado a sério.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2011 - 14:02

Blog reativado

Caros leitores,

Como devem ter percebido, o blog ficou abandonado por quase 1 ano. Nesse período, muita coisa aconteceu e, em decorrência de novas prioridades, o blog foi deixado de lado. Agora, contudo, na época de Oscar, retomei a vontade de escrever críticas, reativando o blog.

Não posso garantir a assiduidade do blog, mas farei o possível para escrever com frequência. Assisti a alguns dos filmes indicados ao Oscar, em breve postarei críticas. Dúvidas, críticas e sugestões, estarei à disposição, é só comentar. Em breve a primeira crítica do blog reativado.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
10/03/2010 - 19:13

OSCAR 2010 – Comentários (parte 1)

Parte 1:

Conforme já prometido, vou comentar sobre a 82ª edição do Oscar. Surpresas à parte, eu diria que a ideologia da Academia permaneceu a mesma. Assim sendo, o ideal de privilegiar (com as estatuetas) os filmes que trazem novidades para o cinema mundial ganharam. Não necessariamente novidades, mas, no mínimo, um acréscimo. Na visão da Academia, “Avatar” não trouxe acréscimo (guardadas as estatuetas inquestionáveis, como de efeitos visuais): proteção à natureza é assunto já tratado por vários filmes, e “Avatar” não chegou – ao menos na visão da Academia – a convencer na defesa da natureza. Apresentou, indubitavelmente, um mundo fascinante (que custou 10 anos de reflexão), mas não convenceu. Não foi nada catastrófico – diferentemente da animação “Wall-E”, muito mais convincente na sua defesa (tanto que ganhou estatueta de melhor na sua categoria).

Desenvolvendo: “Wall-E”, com todo o seu carisma, apresenta uma situação catastrófica. Diz: “Se você não cuidar do seu planeta, olha a situação terrível que ele pode ficar!”. Assusta. Amedronta. Choca. De outro lado, “Avatar” mostra que a destruição da natureza é ruim, é errado, mas não nos permite grande reflexão. Não acrescenta.

Todavia, praticamente qualquer crítico defende o oposto da Academia. Eu me encontro na posição majoritária: “Avatar” é o melhor filme de sua safra. Explico: o critério deve ser comparativo, deste modo, a concorrência é com filmes de um período específico. Não necessariamente ganha o filme que é excelente, mas o melhor do período. O filme de Cameron, a meu ver, é aquém de um Oscar – sobre “Guerra ao Terror” falo em breve. Todavia, é o melhor de sua safra. É o melhor filme do período. Não ganhou o merecido Oscar de melhor filme porque, como já dito, a Academia não viu acréscimo na obra para o mundo do cinema.

Fato semelhante ocorre com “Distrito 9”: criticar o apartheid em 2009/2010 é fácil. Ninguém o defenderia. Difícil seria apresentar a obra à época da segregação. Situação diferente ocorreu com “Invictus”, que mostrou como o apartheid foi vencido por Mandela, o processo do presidente da época. Em resumo, filmes que somam ou acrescentam ganham, os outros são coadjuvantes – lembrando que uma indicação também é grande referência.

Lembro que existem diversas teorias para explicar o fato de “Avatar” se tornar coadjuvante na edição do Oscar. Esta é a minha. Outras possíveis são explicações “políticas” (sim, a politicagem está presente até mesmo na Academia), que Cameron tem inimigos; que era necessário privilegiar um filme que não virou “best-seen” (analogamente, há um receio intelectual aos livros tidos como “best-sellers”; no caso do filme de Cameron, é o filme mais visto de todos os tempos); dentre diversas outras. Expus a minha teoria. Caso você, caro leitor, tenha outra, sinta-se à vontade de expô-la aqui no blog.

Pois bem. “Avatar” não. Por que “Guerra ao terror” sim? Primeiramente, para privilegiar Kathryn Bigelow, diretora tida como da “nova geração” – destarte o fato de ter começado em 1978, com o curta “The set-up”. Ela traz uma obra bem conduzida (não necessariamente boa!), com muita humildade e sem sensacionalismo. Seu primeiro trabalho conhecido foi em 2002, com “K-19: The Windowmaker”. Ganhando um Oscar, a diretora provavelmente apresentará grandes trabalhos – na visão da Academia. “Guerra ao terror” é uma obra média. Nem de todo ruim, longe de ser boa. Contudo, o que se vê na obra, além do que já foi dito (humildade etc.), um trabalho razoável numa produção de potencial. Cameron não tem potencial, é realidade (vide, por exemplo, “Titanic”). Bigelow está no estágio de potencial, que pode vir a ser uma realidade, desde que bem incentivada. Quer incentivo melhor que um Oscar?

Lembro (prometo que pela última vez) esta é a minha explicação. Cada um pode ter a sua, mas, explicando, apresento os argumentos que eu consegui encontrar para explicar a Cerimônia.

Passo agora a explicar mais detalhadamente. No próximo post.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
08/03/2010 - 21:56

OSCAR 2010 – Indicados e ganhadores

Como vocês sabem, ontem tivemos a cerimônia do Oscar, certamente a mais importante do mundo do cinema. Pretendo escrever mais sobre a cerimônia, hoje deixo apenas os vencedores, a título de informação.

“Avatar” era o franco favorito. E era, da sua safra (afinal, o critério é comparativo em seu ano), o melhor. Não há crítico que discorde disso. Todavia, o grande vencedor foi “Guerra ao terror”, muito inferior. Os motivos? Explico depois.

Destaco os vencedores em negrito, e em sublinhado os que eu considerei melhores (os que, se dependesse de mim, levariam a estatueta).

Melhor filme
“Avatar”
“Um sonho possível”
“Distrito 9″
“Educação”
“Guerra ao terror” – VENCEDOR
“Bastardos inglórios”
“Preciosa”
“Um homem sério”
“Up – Altas aventuras”
“Amor sem escalas”

Melhor direção
James Cameron, “Avatar”
Kathryn Bigelow, “Guerra ao terror” – VENCEDOR
Quentin Tarantino, “Bastardos inglórios”
Lee Daniels, “Preciosa”
Jason Reitman, “Amor sem escalas”

Melhor atriz
Sandra Bullock, “Um sonho possível” – VENCEDOR
Helen Mirren, “The last station”
Carey Mulligan, “Educação”
Gabourey Sidibe, “Preciosa”
Meryl Streep, “Julie & Julia”

Melhor ator
Jeff Bridges, “Coração louco” – VENCEDOR
George Clooney, “Amor sem escalas”
Colin Firth, “A single man”
Morgan Freeman, “Invictus”
Jeremy Renner, “Guerra ao terror”

Melhor filme estrangeiro
“Ajami” (Israel)

“O segredo dos seus olhos” (Argentina) – VENCEDOR
“A teta assustada” (Peru)
“Um profeta” (França)
“A fita branca” (Alemanha/Áustria)

Melhor edição (montagem)
“Avatar”
“Distrito 9”
“Guerra ao terror” – VENCEDOR
“Bastardos inglórios”
“Preciosa”

Melhor documentário
“Burma VJ”
“The cove” – VENCEDOR
“Food, Inc.”
“The most dangerous man in America: Daniel Ellsberg and the Pentagon papers”
“Which way home”

Melhores efeitos visuais
“Avatar” – VENCEDOR
“Distrito 9”
“Star trek”

Melhor trilha sonora
“Avatar”
“O fantástico Sr. Raposo”
“Guerra ao terror”
“Sherlock Holmes”
“Up – Altas aventuras” – VENCEDOR

Melhor cinematografia (fotografia)
“Avatar” – VENCEDOR
“Harry Potter e o enigma do príncipe”
“Guerra ao terror”
“Bastardos inglórios”
“A fita branca”

Melhor mixagem de som
“Avatar”
“Guerra ao terror” – VENCEDOR
“Bastardos inglórios”
“Star trek”
“Transformers: A vingança dos derrotados”

Melhor edição de som
“Avatar”
“Guerra ao terror” – VENCEDOR
“Bastardos inglórios”
“Star trek”
“Up – Altas aventuras”

Melhor figurino
“Bright star”
“Coco antes de Chanel”
“O mundo imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“The young Victoria” - VENCEDOR

Melhor direção de arte
“Avatar” - VENCEDOR
“O mundo imaginário do Dr. Parnassus”
“Nine”
“Sherlock Holmes”
“The young Victoria”

Melhor atriz coadjuvante
Penélope Cruz, “Nine”
Vera Farmiga, “Amor sem escalas”
Maggie Gyllenhaal, “Coração louco”
Anna Kendrick, “Amor sem escalas”

Mo’Nique, “Preciosa” – VENCEDOR

Melhor roteiro adaptado
“Distrito 9”
“Educação”
“In the loop”
“Preciosa” – VENCEDOR
“Amor sem escalas”

Melhor maquiagem
“Il Divo”
“Star trek” – VENCEDOR
“The young Victoria”

Melhor curta-metragem
“The door”
“Instead of Abracadabra”
“Kavi”
“Miracle fish”
“The new tenants” – VENCEDOR

Melhor documentário em curta-metragem
“China’s unnatural disaster: The tears of Sichuan province”
“The last campaign of governor Booth Gardner”
“The last truck: Closing of a GM Plant”
“Music by Prudence” - VENCEDOR
“Rabbit à la Berlin”

Melhor curta-metragem de animação
“French roast”
“Granny O’Grimm’s Sleeping Beauty”
“The lady and reaper”
“Logorama” – VENCEDOR
“A matter of loaf and death”

Melhor roteiro original
“Guerra ao terror” – VENCEDOR
“Bastardos inglórios”
“The messenger”
“Um homem sério”
“Up – Altas aventuras”

Melhor canção
“Almost there”, de “A princesa e o sapo”
“Down in New Orleans”, de “A princesa e o sapo”
“Loin de Paname”, de “Paris 36”
“Take it all”, de “Nine”
“The weary kind”, de “Coração louco” – VENCEDOR

Melhor animação
“Coraline”
“O fantástico Sr. Raposo”
“A princesa e o sapo”
“O segredo de Kells”
“Up – Altas aventuras” – VENCEDOR

Melhor ator coadjuvante
Matt Damon, “Invictus”
Woody Harrelson, “O mensageiro”
Christopher Plummer, “The last station”
Stanley Tucci, “Um olhar do paraíso”

Christoph Waltz “Bastardos inglórios” – VENCEDOR

Em breve comento profundamente sobre a 82ª edição do Oscar. E os (meus) supostos motivos das escolhas da Academia, contrariando a tudo e a todos.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/03/2010 - 18:04

SPJ – Encerramento

Caríssimos,

Hoje é um dia especial para o mundo do cinema. Aqui, não será diferente.

Hoje, 07/03/10, será realizada a 82ª edição do Oscar. Espero que todos acompanhem. Para simbolizar essa cerimônia aqui no blog, encerro nossa SPJ, com três críticas.

E até o próximo post.

Com grandes pretensões, o longa se perde em meio a tanta vontade de querer agradar

Baseado no rico universo da mitologia grega, “Percy Jackson e os Olimpianos” é uma série de cinco livros de Rick Riordan, sendo este “…O Ladrão de Raios” o primeiro volume. A série juvenil já conquistou seu público, e adivinhem!? Nada melhor do que um livro de sucesso para jovens virar filme. Enquanto muitos afirmam que este será o sucessor de nosso querido (e às vezes odiado) bruxo Harry Potter, a realidade nos conduz para uma verdade bem diferente.

A história começa nos apresentando a Percy, garoto que se dá bem na apnéia estática, mas parece se confundir com matérias da escola, sofrendo de uma possível dislexia. Ele não sabe, mas logo será o centro das atenções quando seu tio Zeus desconfiar que ele roubou seu tão simbólico raio. É então que figuras mitológicas começam a despencar de todos os lados tentando abordar Percy, que nada tem a ver com o sumiço dos tais raios, na verdade ele nem sabia que era filho de um Deus. Para sair desta enrascada, ele terá a ajuda de seu fiel escudeiro Grover, um “Sátiro” (meio homem/meio bode) e também da bela filha de Atena, Annabeth. Percy precisa salvar sua mãe mortal das mãos de Hades e resolver o impasse entre seu pai (Poisedon) e seu tio (Zeus).

Assim como Harry Potter, as obras literárias de Percy Jackson deviam trazer diversos elementos interessantes e empolgantes, o que infelizmente este longa não traz. É tudo tão atropelado, tão assustadoramente rápido que realmente não conseguimos nem nos afeiçoar aos personagens. Motivações mal explanadas, personalidades rasamente exploradas, falta de bom senso para lidar com a maioria das cenas. Uma grande bagunça de um roteiro furado.

Alguns bons efeitos especiais podem tentar agradar. As cobras na cabeça de Uma Thurman são muito realistas. O grande Hades que sai das chamas da fogueira também chama a atenção, assim como a Hydra de três cabeças. Mas o filme não empolga nem nas cenas de ação, já que até o uso de cabos é grosseiro e mal desenvolvido. As lutas são duras, como se tivessem sido pensadas minutos antes de gravar.

Toda a repercussão em demasia foi com certeza a vilã que fez com que o filme corresse mais do que suas pernas aguentavam. Para elevar tudo até a quinta grandeza, a produção chamou um “super” elenco e um diretor familiarizado com a vertente. Chris Columbus, além de ter dirigido filmes como “Esqueceram de Mim 1 e 2”, “Uma Babá Quase perfeita” (Robin Willians transvestido), o ótimo “Homem Bicentenário”, o interessante “Rent” e o terrível “Eu Te Amo, Beth Cooper”, fez também, adivinhem só (novamente): “ Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”, os dois bem sucedidos primeiros filmes da franquia do bruxinho.

Chegamos então no elenco.  Começando com o papel principal temos Logan Lerman, jovem ator que mostrou qualidades no recente e insano “Gamer”. Interpretando Percy, ele não teve muitas opções além de correr e fazer cara de interrogação. Grover, o Sátiro, é interpretado pelo também jovem Brandon T. Jackson, ator com bom ritmo para comédia e que serve de alivio cômico em poucas cenas. Como o centauro professor Chiron temos Pierce Brosnan, mais canastrão do que nunca.

A ótima Catherine Keener faz Sally, a sofrida mãe de Percy. Sua personagem é tão pobre que suas motivações beiram o ridículo, como o fato de ela ficar casada com um homem ignorante e de cheiro forte para despistar os possíveis inimigos de Percy (???). Já Uma Thurman interpreta a famosa Medusa e é de longe a melhor personagem do filme. Temos ainda o muito engraçado Steve Coogan como o roqueiro e demoníaco Hades. Coogan se sai bem em sua pequena cena, assim como Rosario Dawson, que faz sua apimentada parceira Perséfone. Infelizmente, dois bons atores usados de forma completamente irrelevante.

No final, “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” de tanto querer agradar se deu mal. Uma overdose de informação e personagens condensados de forma grosseira. Muitos atores em cenas esparsas e mal colocadas. Humor rápido e rasteiro. Roteiro insano e interpretações, no geral, fracas. A obra tinha grandes chances de ser um sucesso, afinal o mundo da mitologia grega é realmente interessante. O escritor Riordan parece ter entendido isso e transportado para o papel esse mundo jovem dos semideuses de forma mais coerente, coisa que deve ser feita com muito cuidado, pois adaptar grandes eventos mitológicos para nossa realidade pode ser um desafio quando a idéia é não soar ridículo.

O grande problema foi que este filme não parece ter sido realizado de forma espontânea e natural (U$A). Nada melhor do que um fracasso de bilheteria para ensinar. O problema é que mesmo assim eles não apreendem e quem sofre são sempre os personagens e os fãs. Muitos deles carregarão este fardo como se ele fosse leve.

Por: Ronaldo D Arcadia

Fantasia à grega

O sucesso das séries “O senhor dos anéis” e “Harry Potter” fez com que uma verdadeira corrida aos livros de fantasia fosse iniciada. Tudo para manter aceso o filão, oferecendo ao espectador novas variações do mesmo gênero. “Percy Jackson e o ladrão de raios” é o mais novo exemplar do tipo. Uma aposta com pedigree, visto o sucesso dos livros do personagem. Para assegurar uma transição bem sucedida foi trazido o diretor Chris Columbus, veterano dos dois primeiros filmes de Harry Potter, e ainda um conhecido elenco coadjuvante, que dá suporte ao jovem trio protagonista. Ou seja, a mesma fórmula usada para os filmes de Harry Potter é aqui aplicada.

Entretanto, muito do sucesso de filmes de fantasia se deve à ambientação de seu universo nas telonas. É aqui que está o maior trunfo de “Percy Jackson e o ladrão de raios”. Ao invés de criar um universo próprio, como fizeram J.K. Rowling e J.R.R. Tolkien, o autor Rick Riordan se apropria do vasto acervo da mitologia grega. Seres como Zeus, Poseidon, Medusa e outros tantos são conhecidos do grande público, o que de antemão rompe a barreira da apresentação e identificação com os personagens. É também uma forma de trazer ao público atual, especialmente o adolescente, uma vasta e significativa cultura de séculos atrás. É claro que há modificações em alguns personagens, de forma a atualizá-los e inseri-los na trama. Mas é também uma reciclagem que faz com que a mitologia grega volte à tona, sendo popularizada junto ao público.

A história gira em torno de Percy Jackson, adolescente que leva uma vida normal até ser atacado por um ser mitológico. Repentinamente, sua vida vira do avesso. Ele descobre ser um semideus, que tem poderes, que sua vida até então fora uma tentativa de escondê-lo, que é acusado de ter roubado uma poderosa arma e que é preciso fugir, em busca de um lugar seguro. A primeira meia hora é bastante similar às histórias de fantasia convencionais. Há o tutor, o local onde o protagonista está entre seus iguais, o treinamento para se ambientar à nova realidade… Tudo muito previsível e burocrático, uma mera apresentação do que está por vir. É apenas quando Percy e seus amigos Grover e Annabeth saem em missão que o filme se torna interessante.

Neste ponto entra em cena a mitologia grega. A Medusa não é apenas mais uma vilã a ser combatida, tendo participação inusitada e bem humorada ao longo da trama – inclusive com cena extra nos créditos finais. A hidra proporciona a melhor cena de ação do filme. A visita ao cassino diverte, também pela citação ao uso de entorpecentes. E há Hades, o deus do Mundo Inferior, que surge em versão pop. Ou seja, estão no filme diversas referências mitológicas, todas travestidas para os dias atuais. Não é necessário conhecê-las para compreender o filme, mas identificá-las é também uma iguaria oferecida pela história.

”Percy Jackson e o ladrão de raios” é um filme divertido, com boas cenas de ação e um elenco competente. É nítida a evolução do trio protagonista ao longo da história, acompanhando a maior experiência de seus personagens. Além disto, Chris Columbus está mais à vontade na trama, sem as amarras que excessivamente o prendiam ao texto dos livros nos filmes de Harry Potter. Destaque para o sátiro interpretado por Brandon T. Jackson e suas tiradas espirituosas, a presença de artefatos mágicos como o All Star voador e as citações subentendidas envolvendo Hollywood e o Empire State, em relação sobre o que tais lugares representam dentro do universo dos deuses.

Por: Francisco Russo

Percy Jackson e o Ladrão de Raios tem a mão de um diretor acostumado a trabalhar com aventuras infanto-juvenis, praticamente assexuadas, que garantem diversão, suspense, auto-ironia e o necessário humor.

Chris Columbus equilibra esses ingredientes ao comandar um filme que traz a mitologia grega para os dias de hoje. O Olimpo, morada dos Doze Deuses, virou o Empire State Building, em Nova Iorque, enquanto a entrada para o Inferno, controlado por Hades, fica bem escondida em Hollywood. Parece até Mundo de Sofia (aquele livro-guia básico de filosofia), mas voltado para o cinema de aventura e focado na mitologia.

Para explicar a existência dos semi-deuses, filhos de humanos com Deuses, um dos personagens diz que as divindades…. “ficam” com pessoas normais e, logo depois, têm de partir por ordem de Zeus, soberano do Monte Olimpo. Dessa união, nasceu o herói do filme, Percy Jackson (Logan Lerman).

Ele é fruto do envolvimento do Deus dos Mares, Poseidon (Kevin McKidd), e a mortal Sally (Catherine Keener). No mesmo insight narrativo de “Harry Potter”, Percy descobre seus poderes e a impossibilidade de viver uma vida como a dos outros adolescentes. Afinal, está sendo acusado de roubar o raio de Zeus e precisa encontrá-lo antes que uma guerra se instaure. Pronto, está dada a largada para uma sequência de aventuras.

Bem filmadas, por sinal. Mesmo com um roteiro ultra-conservador, dividido em três atos (apresentação dos personagens, desenvolvimento e conclusão), além dos pontos de virada que dão nova vida à trama, Percy Jackson e o Ladrão de Raios tem ritmo, habilidade em envolver e efeitos especiais que despertam a fantasia.

Especialmente porque os desafios que o herói encontra pelo caminho têm sempre alguma novidade. Uma delas é a especialíssima participação de Uma Thurman como Medusa. Impossível não olhar para seu instinto de transformar as pessoas em pedras e relacioná-lo com a mulher-furacão de “Kill Bill”. Acertada a escolha de colocá-la na pele da malvada.

Outra acertada escolha de atores é Brandon T. Jackson como Grover, o protetor de Percy. Meio homem, meio bode, ele é o comic relief que está lado a lado na jornada do herói e pronto para se sacrificar pelo filho de Poseidon.

Com a clara missão de divertir incorporando elementos fundadores da sociedade ocidental, Percy Jackson e o Ladrão de Raios entrega o que promete: muita aventura, fantasia, imaginação e uma auto-ironia constante. Divertido.

Por: Heitor Augusto

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/03/2010 - 20:40

SPJ: CRÍTICA – Percy Jackson e o ladrão de raios (Marcelo Hessel)

Candidato a novo Harry Potter atualiza até as crises de pais e filhos da mitologia grega

A vida no Olimpo grego, apesar de todas aquelas armas e aqueles poderes legais como raios e tridentes, sempre foi meio aborrecida. Tanto que, insatisfeitos em manipular os mortais de lá de cima, os deuses não perdiam uma oportunidade de pular a cerca para o plano terrestre. O que tinha de mortal grávida de bebês semideuses por aí não está escrito.

O que nos traz a Percy Jackson e o Ladrão de Raios, adaptação ao cinema do livro inicial da série Percy Jackson e os Olimpianos. O protagonista aparece em cena pela primeira vez – visivelmente crescido se comparadado com o Percy de 12 anos do livro – submerso e imóvel numa piscina. A interessante cena, que se estende por alguns segundos enquanto correm os créditos iniciais, já deixa claro: estamos diante do filho de Poseidon, deus dos mares.

Como a proximidade dos nomes já sugere, Percy (vivido por Logan Lerman) terá à sua frente uma jornada similar àquela de Perseu na mitologia grega: enfrentar meia dúzia de criaturas antropomórficas para completar uma missão. No caso de Percy, a tarefa é devolver a Zeus, deus maior do Olimpo, um raio misteriosamente furtado. Na prática, o objetivo é impressionar o pai – essa missão típica, de fundo freudiano, que se abate sobre os heroicos primogênitos na hora de provar seu valor.

Conscientemente, Percy Jackson e o Ladrão de Raios adapta para os dias de hoje a ordem antiga, então temos uma série de atualizações espertinhas ou previsíveis: o sátiro com pernas de bode se torna o personagem-negro-para-fins-de-alívio-cômico, a entrada para o Hades é em Hollywood, a tribo dos lotófagos fica em Las Vegas, o deus do inferno é um roqueiro inglês, os pés alados de Hermes viram um All-Star, Percy usa o lado espelhado de um iPod para enxergar a Medusa etc.

Tudo isso é parte do jogo. Diretor dos dois primeiros Harry Potter, Chris Columbus está tentando fazer de Percy Jackson um substituto para a franquia do bruxo – e falar a língua de seu público-alvo é essencial, por mais que isso deturpe a mitologia. Agora, o que o filme atualiza de forma talvez inconsciente, e que acaba marcando profundamente o arco de heroísmo proposto aqui, é a relação entre pais e filhos.

Porque não é difícil retratar pais – no cinema orientado para os pré-adolescentes independentes do século 21 – como tipos omissos com peso na consciência, adultos que não participam da criação dos filhos mas se sentem no direito de aplicar-lhes sermões. Por esse viés, os “pais omissos” da Grécia antiga, os deuses do Olimpo, se transformam em figuras ainda mais desautorizadas em Percy Jackson.

Você sabia que, na mitologia, Poseidon gerou Teseu em Etra com sêmen misturado ao do Rei Egeu? Em Percy Jackson, a rotina do Olimpo nunca foi tão aborrecida; Poseidon tem o cabelo penteadinho para o lado e não parece ser adepto de nenhum ménage-a-trois. A autoridade dos deuses sempre foi questionada na mitologia porque os semideuses queriam, numa luta por independência, efetivamente destruir o Olimpo. Em Percy Jackson, refletindo a juventude de hoje, os semideuses já são independentes. Querem, somente, ser reconhecidos como filhos (algo muito presente nos livros seguintes).

Qual a graça, então, de um semideus cuja intenção última não seja superar o pai? O filme tem vários defeitos circunstanciais – Perséfone entra num remendo malfeito com a saída de Ares, em relação ao livro, por exemplo – mas a fraqueza principal está na dramaticidade frouxa dessa relação deuses/mortais. Não há cena mais constrangedora em Percy Jackson do que o momento, no Olimpo, em que um dos deuses – aparecendo pela primeira vez no filme – fica sabendo que seu filho “fez arte”. A cara de coitado do deus, pai ausente… Em outros tempos alguém teria sido acorrentado a uma rocha pela eternidade, para aprender uma lição.

Por: Marcelo Hessel

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/02/2010 - 18:28

SPJ: CRÍTICA – Chris Columbus compromete – outra vez – o potencial de uma cinessérie de aventuras fantásticas

O espectador que acompanha atentamente a cinessérie “Harry Potter” deve ter sentido a mudança de rumo nos filmes baseados no personagem de J.K.Rowling quando Chris Columbus, diretor dos dois primeiros, foi substituído por um inspirado e criativo Alfonso Cuarón. Diante do aspecto burocrático dos capítulos iniciais da série, “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” (2004) surpreendeu pelo ritmo ágil e pela condução autoral de Cuarón, e possibilitou a continuidade da vigorosa franquia do bruxinho nos cinemas. Os produtores de Hollywood parecem não ter aprendido a lição e entregaram “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, baseado no livro que introduz o universo criado por Rick Riordan, justamente nas mãos de… Chris Columbus! Guardados os exageros da comparação, seria o mesmo que confiar em Joel Schumacher para retomar os filmes do Batman.

Este é um filme direto ao ponto. Poucos minutos depois da sequência de abertura, que revela a incrível habilidade do personagem-título com a água, o espectador é recebido com explosões, perseguições e um desfile interminável de criaturas bizarras saídas do imaginário da mitologia grega. A atmosfera pretensiosa do longa, acompanhada de uma trilha sonora excessivamente pomposa, não dá margens para uma identificação maior com os tipos que habitam aquele universo peculiar. Ao longo do filme, muitos personagens continuarão ausentes, diante da falta de habilidade do diretor em trabalhar com diversas personalidades simultaneamente.

Na trama, o garoto Percy Jackson se vê no centro de uma iminente guerra entre os deuses do Olimpo. Colegial de Nova York entediado com a rotina adolescente e preocupado com as atitudes grosseiras do padrasto, ele descobre ser um semideus, fruto de um affair entre sua mãe humana e Poseidon, deus dos mares. Diante da ameaça de uma disputa entre seu pai e seu tio Zeus, que pode culminar no fim do mundo, Percy vai para um centro de treinamento de semideuses. Ao perceber suas habilidades fantásticas, o garoto se dispõe a resgatar o raio que Zeus acredita ter sido roubado por ele – engano que motivou o clima de inquietação e crise no mundo dos deuses.

No périplo pelos Estados Unidos, Percy Jackson tem a companhia do sátiro (híbrido de homem e bode) Grover e da semideusa Annabeth, filha de Atena. O trio sai em busca de artefatos preciosos que poderão levá-los a uma solução para o problema que acomete o Olimpo e que pode acarretar também prejuízos para o mundo dos humanos. Pelo caminho, os personagens enfrentam mitos perigosos, como a Medusa (Uma Thurman, em caracterização exagerada) e Hades, o temido deus dos mortos.

Aos poucos, as escolhas de Chris Columbus começam a incomodar o espectador mais atento e a interferir no desenvolvimento da história. Por diversas vezes, o cineasta se esquece de que, para fazer sentido, a fantasia deve estar calcada na verossimilhança. A morte da mãe de Percy Jackson, por exemplo, passa batida para o garoto. O assunto é totalmente negligenciado por Columbus e o protagonista age de maneira displicente em relação à tragédia. O tour por diversas cidades norte-americanas também parece falso. O diretor busca soluções apressadas e acaba por comprometer qualquer possibilidade de veracidade em sua história.

A grandeza das aventuras imaginadas por Riordan é incontestável. O visual bonito do filme confirma todo o potencial desperdiçado nos equívocos defendidos por Columbus. Mas o elenco apático e os acontecimentos filmados de forma leviana não conseguem justificar todo o investimento em efeitos especiais e campanhas de divulgação. Mesmo os conflitos interessantes aparecem timidamente e são pouco explorados. O ego grandiloquente e o convencimento que tomam conta de Percy Jackson após a primeira batalha, por exemplo, não chegam sequer a esboçar uma possível relação do garoto com o “lado negro” da fama e do poder.

Quando o diretor tenta casar mitologia grega com cultura pop, o fiasco se torna ainda mais evidente. A cena de adolescentes voando por aí em tênis Converse alados ficou absolutamente patética da maneira como foi vislumbrada pelo diretor. Da mesma forma, todos os fãs de Lady Gaga devem ter chiado ao se depararem com o uso constrangedor de “Poker Face” na trilha sonora. Isso sem contar o apelo sexual desnecessário para um filme dessa categoria.

Se alguma coisa pode ser louvada em “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” é a descontração do personagem Grover (Brandon T. Jackson), que remete aos amigos “malas” que eram presença obrigatória nos filmes de aventura dos anos 1980. Percy e Annabeth, que completam o trio central, estão muito distantes do carisma de Grover, e não têm chance se comparados a Harry Potter, Rony e Hermione, da cinessérie concorrente.

O que sobra da galeria de tipos também não agrada, ainda que muitos personagens sejam interpretados por nomes conhecidos do cinema hollywoodiano, como Sean Bean, Pierce Brosnan e Catherine Keener. Talvez seja mais cauteloso tratar este primeiro filme como ensaio para continuações mais empolgantes – caso o treinador seja substituído a tempo. Se você não quer correr o risco de esperar, pode ir se preparando para o lançamento de “Fúria de Titãs”.

Por: Túlio Moreira

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/02/2010 - 17:47

SPJ: Matéria – Curiosidades da produção

O arteiro Percy Jackson está encrencado na escola, mas esse nem de longe é seu maior desafio. Estamos no século 21, mas os deuses do Olimpo saem das páginas dos livros de mitologia grega de Percy e entram em sua vida. Ele descobre que seu pai verdadeiro é Poseidon, deus dos mares, o que significa que Percy é um semideus – metade humano, metade deus. Ao mesmo tempo, Zeus, rei de todos os deuses, acusa Percy de roubar seu raio, a primeira e verdadeira arma de destruição em massa.

Agora, Percy tem de se preparar para a maior aventura de sua vida, e os riscos não poderiam ser maiores.

Com nuvens de tempestade sinistras encobrindo o planeta e com sua vida ameaçada, Percy viaja até um enclave especial, um campo de treinamento para mestiços, onde aperfeiçoa seus recém-descobertos poderes para evitar uma guerra devastadora entre os deuses. É lá que ele conhece dois outros semideuses: a guerreira Annabeth, que procura sua mãe, a deusa Atena; e seu amigo de infância e protetor, Grover, um corajoso sátiro cujas habilidades ainda não foram testadas.

Grover e Annabeth unem-se a Percy numa incrível odisseia transcontinental, que os leva para 600 andares acima da cidade de Nova York (o portal para o Monte Olimpo) e para o famoso letreiro de Hollywood, sob o qual arde o fogo do Mundo dos Mortos. O destino da humanidade depende do resultado dessa jornada, bem como a vida da mãe de Percy, Sally, que ele terá de resgatar das profundezas do inferno.

Percy Jackson: metade humano. Metade deus. Inteiramente herói!

SOBRE A PRODUÇÃO

O escritor Rick Riordan, que deu aulas de mitologia grega durante anos em escolas na Califórnia e no Texas, teve a ideia que se tornaria o primeiro livro da série Percy Jackson (ao qual se seguiram outros quatro romances e a conquista de milhões de fãs) depois de ler para o filho Haley as sagas do heróis gregos da Antiguidade, na hora de dormir.

“Quando se esgotaram os mitos, meu filho ficou decepcionado”, relata o escritor em seu site. “Ele me perguntou se eu podia inventar mais histórias com os mesmos personagens. Eu me lembrei de um antigo projeto de redação que adotava com meus alunos do sexto ano, em que cada um podia criar seu próprio herói semideus, filho ou filha do deus que desejasse, descrevendo uma missão do herói no estilo das tragédias gregas”.

Ele continua: “Então inventei Percy Jackson e contei a Haley tudo sobre sua jornada para recuperar o raio de Zeus nos Estados Unidos dos dias de hoje. Levei três noites para contar a história inteira, e quando acabei Haley me disse que eu devia escrever um livro com a história”.

As três noites evoluíram para uma verdadeira odisseia de um ano para Riordan concluir seu livro dirigido a jovens leitores (ele já era o autor consagrado de diversos romances, sendo o primeiro o livro de mistério da série Tres Navarre, Big Red Tequila, de 1997).

Riordan conta: “Escolhi alguns dos meus alunos do sexto, sétimo e oitavo anos e perguntei se gostariam de fazer um ‘test drive’ do romance. Eu estava nervoso! Estava acostumado a mostrar meu trabalho a adultos e não tinha a menor idéia se os garotos iam gostar de Percy. Finalmente entendi como deviam se sentir ao entregar um trabalho para mim, aguardando a nota que lhes seria atribuída! Felizmente, eles gostaram. E ainda deram boas sugestões”.

Após a publicação do livro, em 2005, levaria cinco anos até que Hollywood transformasse a primeira história da série Percy Jackson em filme. Enquanto o estúdio trabalhava nisso, Riordan deu continuidade à série, escrevendo um novo romance por ano entre 2006 e 2009.

Chris Columbus conta por que se interessou por Percy Jackson & os Olimpianos: o Ladrão de Raios: “Nunca vimos o universo da mitologia grega em um filme desse tipo. Rick Riordan realizou algo único, singular, juntando a Grécia antiga com a América contemporânea”.

O mundo da fantasia não é novidade para Columbus. Além de ter lançado a franquia “Harry Potter”, dirigindo os dois primeiros filmes e produzindo o terceiro, também obteve imenso sucesso com três de seus primeiros roteiros originais: “Gremlins”, “Os Goonies” e “O Enigma da Pirâmide”.

Columbus descreve seu novo trabalho como um filme em que uma aventura contemporânea se encontra com a mitologia grega, em vez de um filme de época puramente baseado na Grécia antiga, com os deuses usando túnicas e sentados em nuvens. “Esta história é um épico mais centrado na realidade, ao mesmo tempo mostrando uma batalha sinistra e sobrenatural entre o Bem e o Mal”, ele descreve.

O diretor escolheu um ex-colaborador para fazer a adaptação do livro para as telas: Craig Titley, com quem Columbus e seus sócios de produção na 1492 Pictures haviam trabalhado na comédia “Doze É Demais”. A formação acadêmica de Titley em mitologia grega era um bônus que vinha bem a calhar. “Chris sabia que eu estava obtendo um título de Ph.D. em estudos de mitologia quando me enviou o livro. Eu tinha acabado de concluir os estudos e achei que seria perfeito, pois naquele momento eu tinha a mente mergulhada nos mitos gregos de monstros e heróis. E a verdade é que era exatamente o tipo de filme que eu desejava ver desde que era criança. A mitologia sempre fez sucesso e está havendo um revival na cultura pop”.

Antes mesmo de Titley entregar o roteiro, Columbus e o produtor Michael Barnathan apresentaram suas ideias para um filme de “Percy Jackson” ao estúdio, posteriormente criando arte conceitual para melhor ilustrar tais ideias. “Essa arte conceitual refletia a abordagem de Chris e o tom que o filme teria”, ressalta Barnathan. “Era importante para o Chris desenhar alguns monstros e criaturas claramente baseados na mitologia grega, porém atualizando-os de maneira que nunca tivesse sido vista. Então, começamos com a arte conceitual no papel. O estúdio ficou empolgado e percebeu que seria muito mais do que apenas um filme para jovens”.

Definido o visual do projeto, os realizadores se voltaram para o roteiro. “É um livro maravilhoso, mas não dá para colocar tudo que está no livro num filme”, explica Barnathan. “Tentamos manter a essência da história, dos personagens e do mundo que Rick criou, transportando-os para um contexto cinematográfico”.

Titley diz: “Uma das maiores mudanças foi aumentar a idade de Percy e seus amigos. No livro ele tem doze anos. Seria mais divertido ele ter dezessete. Nessa idade, poderíamos jogar com o relacionamento de Percy e Annabeth”.

Columbus acrescenta: “Achei a história perfeita porque tinha um mundo fantástico de mitologia grega, povoado de monstros gregos que poderíamos criar e inserir em nosso mundo. O centro da história é um rapaz que quer salvar a mãe e descobrir quem é o pai. Isso deu muita emoção à história. É o tipo de história que me estimula como diretor”.

“O filme também trata da relação entre pais e filhos”, enfatiza Barnathan. “É o tema que permeia a história e que costuma estar presente nos filmes de Chris. No centro de seus filmes está a família. Em ‘Esqueceram de Mim’ há um menino que se perdeu dos pais. Em ‘Uma Babá Quase Perfeita’, os meninos tentam reconciliar a mãe e o pai. Aqui temos um rapaz em busca do pai e resgatando a mãe, para refazer a família”.

“O que motiva Percy a encarar essa tremenda jornada é salvar a mãe”, afirma o ator Logan Lerman, intérprete de Percy. Ele continua: “Para ele isso é mais importante do que salvar o mundo. No caminho, ele descobre que a mãe está viva e ficará refém de Hades até que Percy entregue o raio a ele. Então, o Percy tem que encontrar um jeito de ir ao Mundo dos Mortos e convencer Hades de que é inocente, tudo isso para resgatar sua mãe. É isso que o motiva a percorrer distâncias e enfrentar a Hidra e a Medusa, além de várias outras aventuras. Ele passa por essa odisséia com a companhia de dois amigos, para convencer Zeus, Hades e todos os deuses de que é inocente e não roubou o raio. Mas o principal é resgatar sua mãe”.

Lerman foi escolhido para o papel do herói principal depois que Chris Columbus assistiu ao faroeste “Os Indomáveis”. Mas os dados já estavam lançados antes disso. Columbus recorda o processo de escalação: “Meu assistente, que trabalha comigo há anos, me disse há uns dois anos que se eu quisesse um jovem astro para um filme deveria ver o filme ‘Os Indomáveis’, com Logan Lerman. Assisti ao filme e vi que se tratava de um ótimo ator. Na escalação para ‘Percy Jackson’, lembrei de Logan. Quando o conheci, ele me conquistou imediatamente, e achei que ele tinha potencial para se tornar um astro de cinema. Ele fez um teste de vídeo e fiquei muito impressionado. Logan parece um homem de quarenta num corpo de dezessete anos. Seus instintos são notáveis. Acredito firmemente que Logan tem talento para se tornar o próximo Leonardo DiCaprio. Ele transmite realismo e intensidade, de um modo que não se encontra em muitos garotos de sua idade. Ele é fantástico”.

Além da oportunidade de trabalhar com Columbus, Lerman ficou entusiasmado por trabalhar em uma grande produção. “É um filmaço! Eu nunca tinha participado de uma superprodução. E com Chris Columbus ligado ao projeto, esse cineasta incrível… Eu não poderia colocar minha carreira melhores mãos”, diz Lerman.

E prossegue: “Quando tudo começou, eu ainda não sabia qual seria o meu personagem. Quando soube que faria o protagonista, pensei, ‘Quem eu enganei para conseguir chegar até aqui?’ Eu não imaginava o quanto era grandioso, até chegar a Vancouver para o início das filmagens e ver aqueles cenários incríveis. Eles construíram o Partenon, o Metropolitan Museum of Art, o Monte Olimpo e o enorme Hotel e Cassino Lotus”.

Sempre tomando conta de Percy está seu melhor amigo, Grover, criatura mitológica conhecida como sátiro – metade homem, metade bode, parecido com o fauno da mitologia romana. Grover é encarregado de proteger Percy na odisseia transcontinental, e isso representa dois desafios diversos: ele é um novato nessa história de protetor, e como é típico dos sátiros, não resiste às mulheres. Este segundo aspecto não passou em branco quando Jackson fez pesquisa para o papel. O ator detalha: “São criaturas selvagens e Grover tem questões com as mulheres. Na mitologia, os sátiros estavam sempre perto das ninfas. No filme, Grover é apaixonado por Perséfone [esposa de Hades, interpretada por Rosario Dawson] e ela por ele. Mas ele não está acostumado a ter uma deusa interessada nele, já que é apenas um sátiro”.

Jackson, que deixou crescer um cavanhaque para o papel, remetendo ao tufo de pelos dos bodes, revela: “Ele tem outros problemas, como a insegurança. É muito imaturo como protetor de Percy. É um protetor júnior, não sênior. Ele nem tem chifres ainda”. E o ator revela seu lado de comediante, ao acrescentar: “É estranho porque, quanto mais eu representava o personagem, mais me sentia como um bode. Ao chegar em casa, eu comia latas”.

Columbus conhecia e admirava o trabalho de Jackson na comédia de Ben Stiller “Trovão Tropical”, no entanto não conhecia a atriz que acabaria ajudando a escolher para desempenhar o importante papel da semideusa Annabeth, filha de Atena: Alexandra Daddario. Quem a apresentou foram suas produtoras de elenco de longa data, Jane Jenkins e Janet Hirshenson.

O diretor conta: “Tínhamos feito testes de vídeo com várias garotas para a personagem Annabeth. Quando assisti ao teste de vídeo que Alex tinha feito em Nova York, fiquei intrigado. Resolvemos vê-la em filme e eu nunca tinha visto os olhos de ninguém fotografarem daquele jeito. Ela era hipnotizante. E percebi que tinha muita química com Logan e Brandon”.

Trata-se da primeira protagonista de Daddario no cinema, numa carreira que se iniciou na adolescência em Nova York, no seriado diário “All My Children”. Daddario explica sua visão do papel: “‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’ é baseado na premissa de que os deuses gregos vieram à Terra e tiveram filhos com mortais. Depois, seus filhos foram deixados vagando pela Terra, porque os semideuses são proibidos de conhecer os pais. Annabeth não conhece a mãe, Atena, mas de vez em quando a ouve falar, dando conselhos à filha. Ela tem uma ligação com a mãe, mas também ressentimento por nunca a ter visto a mãe”.

Alexandra Daddario vê semelhanças entre ela e a personagem: “Uma das coisas que mais admiro na personagem é o fato de ela ser muito forte. Fiz a leitura de muitas personagens para mulheres da minha idade que ainda não têm a personalidade e o caráter totalmente formados. Já Annabeth é uma personagem forte, bastante complexa, plenamente formada. Tem um bom equilíbrio entre emoção e força”.

Para Jake Abel, as cenas no campo de treinamento foram um dos pontos altos da produção. Ele comenta: “O campo de treinamento é uma espécie de lar adotivo para semideuses. É lá que meu personagem, Luke, além de Percy, Grover, Annabeth e todos os semideuses são treinados. Chiron nos ensina a usar nossos melhores atributos contra o Mal. Os semideuses também aprendem a importância de manter seus poderes sob controle, pois eles poderiam dominar o mundo, o que resultaria na destruição do planeta. Então Chiron nos ensinar a controlar nossos poderes e a usá-los para o Bem”.

Abel e seus colegas de elenco apreciaram a companhia uns dos outros ao filmar tais cenas, além de passarem um mês fazendo exercícios para entrar em forma de semideuses. “Todo dia de manhã nós treinávamos com o pessoal das cenas de ação. Começava com esgrima e voo. Isso também nos ajudou a fazer amizade bem rápido”.

A trajetória de Percy e seus amigos os leva a um contato próximo com os deuses, tanto do Bem quanto do Mal. Ao escalar o elenco que personificaria os deuses, Columbus e Barnathan descobriram que os livros da série Percy Jackson eram um grande atrativo. “Tivemos muita sorte com o elenco que conseguimos reunir para o filme”, declara Barnathan. “Bons materiais atraem bons profissionais. E desde o princípio alguns profissionais aceitavam o papel porque algum parente gostava do livro. Foi o caso de Pierce Brosnan, cujos filhos adoram o livro”.

Brosnan, que na época colhia os louros do sucesso do musical “Mamma Mia!”, desempenha o papel de Chiron, o Centauro, o majestoso e poderoso líder do campo de treinamento especial de semideuses. “Eu interpreto o professor de Percy, Brunner, e também Chiron, que na verdade são um só. Sou o professor Brunner neste mundo, neste tempo. Ele dá aulas de mitologia grega e anda numa cadeira de rodas. Ninguém sabe o motivo de ele usar cadeira de rodas até que ele nos transporte para o mundo da mitologia grega. No decorrer da jornada de Percy, eu me torno Chiron, metade homem, metade cavalo, ou seja, um centauro”, conta Brosnan.

“Chiron está ligado à mitologia de seu tempo, o de antigamente e o de hoje”, continua o ator. “Eu intervenho para tentar impedir a guerra, que afetaria o equilíbrio da natureza. Se os deuses criarem o caos para os mortais, haverá conseqüências terríveis para todo o planeta”.

Para que o ator tivesse a verdadeira noção do peso de uma cabeça de cavalo, Brosnan andou em “painter’s stilts”, suportes semelhantes às pernas de pau, porém de metal, que mediam em torno de trinta centímetros de altura. O departamento de objetos de cena confeccionou um bastão para o personagem carregar, e a partir daí ele voltou às suas raízes no teatro. Ele conta: “Eu tinha uma companhia de teatro de rua chamada Theater Spiel, e nós costumávamos andar em pernas de pau, engolir fogo, nos apresentar como palhaços. Para trabalhar em ‘Percy Jackson’ eu visitei alguns haras no Canadá antes das filmagens. Depois, foi só fingir por conta própria”.

Em meio a todos os efeitos visuais impressionantes, Chris Columbus nunca perdeu de vista a história nem a trajetória dos personagens. “Antes de mais nada, Chris sabe como contar uma história”, enfatiza Mack. E completa: “É sempre bom ter um excelente contador de histórias como Chris na direção, pois ele coloca isso em primeiro lugar. Nosso trabalho era dar suporte à história”. E Columbus acrescenta: “O maior desafio é não exagerar nas imagens geradas por computador, e sim usá-las para deixar tudo mais emocionante. O bom do CGI e dos efeitos digitais é que estão ficando cada vez mais realistas, e o desafio está em mostrar ao público algo inédito”.

O veterano cineasta, que acaba de concluir seu 15º projeto como diretor, numa carreira estelar de mais de 25 anos, reitera que o público jamais viu algo como “Percy Jackson e o Ladrão de Raios”, e conclui: “Estou me sentindo um garotinho que adora filmes com coisas que nunca viu. E eu não vi o mundo da mitologia grega retratado desta forma. Amo esse universo, é muito emocionante. Estou muito empolgado com o filme”.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/02/2010 - 18:01

SPJ: Crítica – Percy Jackson e o ladrão de raios (Ronaldo D’Arcadia)

Com grandes pretensões, o longa se perde em meio a tanta vontade de querer agradar

percyjackson1_1Baseado no rico universo da mitologia grega, “Percy Jackson e os Olimpianos” é uma série de cinco livros de Rick Riordan, sendo este “…O Ladrão de Raios” o primeiro volume. A série juvenil já conquistou seu público, e adivinhem!? Nada melhor do que um livro de sucesso para jovens virar filme. Enquanto muitos afirmam que este será o sucessor de nosso querido (e às vezes odiado) bruxo Harry Potter, a realidade nos conduz para uma verdade bem diferente.

A história começa nos apresentando a Percy, garoto que se dá bem na apnéia estática, mas parece se confundir com matérias da escola, sofrendo de uma possível dislexia. Ele não sabe, mas logo será o centro das atenções quando seu tio Zeus desconfiar que ele roubou seu tão simbólico raio. É então que figuras mitológicas começam a despencar de todos os lados tentando abordar Percy, que nada tem a ver com o sumiço dos tais raios, na verdade ele nem sabia que era filho de um Deus. Para sair desta enrascada, ele terá a ajuda de seu fiel escudeiro Grover, um “Sátiro” (meio homem/meio bode) e também da bela filha de Atena, Annabeth. Percy precisa salvar sua mãe mortal das mãos de Hades e resolver o impasse entre seu pai (Poisedon) e seu tio (Zeus).

Assim como Harry Potter, as obras literárias de Percy Jackson deviam trazer diversos elementos interessantes e empolgantes, o que infelizmente este longa não traz. É tudo tão atropelado, tão assustadoramente rápido que realmente não conseguimos nem nos afeiçoar aos personagens. Motivações mal explanadas, personalidades rasamente exploradas, falta de bom senso para lidar com a maioria das cenas. Uma grande bagunça de um roteiro furado.

Alguns bons efeitos especiais podem tentar agradar. As cobras na cabeça de Uma Thurman são muito realistas. O grande Hades que sai das chamas da fogueira também chama a atenção, assim como a Hydra de três cabeças. Mas o filme não empolga nem nas cenas de ação, já que até o uso de cabos é grosseiro e mal desenvolvido. As lutas são duras, como se tivessem sido pensadas minutos antes de gravar.

Toda a repercussão em demasia foi com certeza a vilã que fez com que o filme corresse mais do que suas pernas aguentavam. Para elevar tudo até a quinta grandeza, a produção chamou um “super” elenco e um diretor familiarizado com a vertente. Chris Columbus, além de ter dirigido filmes como “Esqueceram de Mim 1 e 2”, “Uma Babá Quase perfeita” (Robin Willians transvestido), o ótimo “Homem Bicentenário”, o interessante “Rent” e o terrível “Eu Te Amo, Beth Cooper”, fez também, adivinhem só (novamente): “ Harry Potter e a Pedra Filosofal” e “Harry Potter e a Câmara Secreta”, os dois bem sucedidos primeiros filmes da franquia do bruxinho.

Chegamos então no elenco.  Começando com o papel principal temos Logan Lerman, jovem ator que mostrou qualidades no recente e insano “Gamer”. Interpretando Percy, ele não teve muitas opções além de correr e fazer cara de interrogação. Grover, o Sátiro, é interpretado pelo também jovem Brandon T. Jackson, ator com bom ritmo para comédia e que serve de alivio cômico em poucas cenas. Como o centauro professor Chiron temos Pierce Brosnan, mais canastrão do que nunca.

A ótima Catherine Keener faz Sally, a sofrida mãe de Percy. Sua personagem é tão pobre que suas motivações beiram o ridículo, como o fato de ela ficar casada com um homem ignorante e de cheiro forte para despistar os possíveis inimigos de Percy (???). Já Uma Thurman interpreta a famosa Medusa e é de longe a melhor personagem do filme. Temos ainda o muito engraçado Steve Coogan como o roqueiro e demoníaco Hades. Coogan se sai bem em sua pequena cena, assim como Rosario Dawson, que faz sua apimentada parceira Perséfone. Infelizmente, dois bons atores usados de forma completamente irrelevante.

No final, “Percy Jackson e o Ladrão de Raios” de tanto querer persyjackson1_17agradar se deu mal. Uma overdose de informação e personagens condensados de forma grosseira. Muitos atores em cenas esparsas e mal colocadas. Humor rápido e rasteiro. Roteiro insano e interpretações, no geral, fracas. A obra tinha grandes chances de ser um sucesso, afinal o mundo da mitologia grega é realmente interessante. O escritor Riordan parece ter entendido isso e transportado para o papel esse mundo jovem dos semideuses de forma mais coerente, coisa que deve ser feita com muito cuidado, pois adaptar grandes eventos mitológicos para nossa realidade pode ser um desafio quando a idéia é não soar ridículo.

O grande problema foi que este filme não parece ter sido realizado de forma espontânea e natural (U$A). Nada melhor do que um fracasso de bilheteria para ensinar. O problema é que mesmo assim eles não apreendem e quem sofre são sempre os personagens e os fãs. Muitos deles carregarão este fardo como se ele fosse leve.

Por: Ronaldo D Arcadia

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/02/2010 - 20:50

SPJ: Crítica – Percy Jackson e o ladrão de raios (Heitor Augusto)

percyjackson1_2Percy Jackson e o Ladrão de Raios tem a mão de um diretor acostumado a trabalhar com aventuras infanto-juvenis, praticamente assexuadas, que garantem diversão, suspense, auto-ironia e o necessário humor.

Chris Columbus equilibra esses ingredientes ao comandar um filme que traz a mitologia grega para os dias de hoje. O Olimpo, morada dos Doze Deuses, virou o Empire State Building, em Nova Iorque, enquanto a entrada para o Inferno, controlado por Hades, fica bem escondida em Hollywood. Parece até Mundo de Sofia (aquele livro-guia básico de filosofia), mas voltado para o cinema de aventura e focado na mitologia.

Para explicar a existência dos semi-deuses, filhos de humanos com Deuses, um dos personagens diz que as divindades…. “ficam” com pessoas normais e, logo depois, têm de partir por ordem de Zeus, soberano do Monte Olimpo. Dessa união, nasceu o herói do filme, Percy Jackson (Logan Lerman).

Ele é fruto do envolvimento do Deus dos Mares, Poseidon (Kevin McKidd), e a mortal Sally (Catherine Keener). No mesmo insight narrativo de “Harry Potter”, Percy descobre seus poderes e a impossibilidade de viver uma vida como a dos outros adolescentes. Afinal, está sendo acusado de roubar o raio de Zeus e precisa encontrá-lo antes que uma guerra se instaure. Pronto, está dada a largada para uma sequência de aventuras.

Bem filmadas, por sinal. Mesmo com um roteiro ultra-conservador, dividido em três atos (apresentação dos personagens, desenvolvimento e conclusão), além dos pontos de virada que dão nova vida à trama, Percy Jackson e o Ladrão de Raios tem ritmo, habilidade em envolver e efeitos especiais que despertam a fantasia.

Especialmente porque os desafios que o herói encontra pelo caminho têm sempre alguma novidade. Uma delas é a especialíssima participação de Uma Thurman como Medusa. Impossível não olhar para seu instinto de transformar as pessoas em pedras e relacioná-lo com a mulher-furacão de “Kill Bill”. Acertada a escolha de colocá-la na pele da malvada.

Outra acertada escolha de atores é Brandon T. Jackson como Grover, o protetor de Percy. Meio homem, meio bode, ele é o comic relief que está lado a lado na jornada do herói e pronto para se sacrificar pelo filho de Poseidon.

Com a clara missão de divertir incorporando elementos fundadores da sociedade ocidental, Percy Jackson e o Ladrão de Raios entrega o que promete: muita aventura, fantasia, imaginação e uma auto-ironia constante. Divertido.

Por: Heitor Augusto

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/02/2010 - 11:49

SPJ: Fotos – Fotos do filme

Postarei hoje algumas fotos do filme. Outras serão postadas posteriormente.

Se quiser ver a imagem ampliada, é só clicar nela.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2010 - 19:15

AVISO – Sequência está para ser iniciada

Caros leitores,

Espero que estejam gostando do blog. Já há muito tempo estou mantendo-o, e não recebo muito feedback. Suponho que eu esteja fazendo um bom trabalho. Comentem o quanto quiserem, ficarei feliz em ler sua opinião, mesmo se contrária à minha.

percyjackson1_2Desta vez o que tenho a trazer é um aviso. A partir desta semana, iniciarei um (curto) período dedicado a um só filme, que estreou nesta sexta (13/02) nos cinemas: “Percy Jackson e o ladrão de raios”. A obra é baseada no volume 1 de uma série de livros, e conta a história de Percy Jackson, um garoto (de 12 anos no livro, mas 17 no filme) que descobre ser um semideus, filho de Poseidon. Sim, estilo Harry Potter. É um ótimo filme, assisti nos cinemas.

Como é um filme que teve considerável divulgação nacional (e mesmo internacional), provavelmente renderá boa bilheteria, recebeu várias promoções pelo Brasil etc., resolvi fazer um especial, que chamarei SEQUÊNCIA PERCY JACKSON. Com o tempo, postarei matérias especiais sobre o filme, imagens, sobre os artistas, curiosidades e, claro, uma (ou eventualmente mais) crítica(s).

Todavia, não pretendo postar uma crítica de minha autoria. Explico o motivo: por envolvimento pessoal. Um crítico deve abster-se de subjetividades quando escreve, ou seja, não pode haver envolvimento emocional. Ao menos não pode demonstrar. A mitologia grega é per si fascinante, e a obra foi, para meu gosto, espetacular. Deste modo, como “Percy Jackson e o ladrão de raios” encantou-me pessoalmente, por encaixar-se perfeitamente para meu gosto, prefiro não escrever uma crítica, pois estarei cego. Mais que isso, posso ser injusto e deixar de lado o rigor que me é costumeiro nas críticas. Portanto, postarei críticas de outras fontes, logicamente citando-as. Caso você, leitor, tenha visto, e se sinta apto a escrever, mande para meu e-mail ( diogo_rodman at ig.com.br), que poderei postar, caso seja crítica de qualidade.

Recomendo a todos que assistam ao filme. A meu ver, vale realmente a pena. Entrem em contato para quaisquer dúvidas, sugestões ou esclarecimentos. É assim que o CINEMA NA NET funciona, para você.

O título dos posts será: “SPJ: (Estilo do post (crítica, matéria etc.)) – Nome do post

Quanto aos que não gostam do estilo, não se preocupem, pois a sequência será curta, e depois o blog volta ao normal. Provavelmente ao fim do especial postarei a crítica de “O lobisomen”.

Espero que a SPJ (Sequência Percy Jackson) seja do agrado de todos.

Agradeço o apoio e conto com sua visita para acompanhar o especial. Caso dê certo, mais sequências podem vir.

Até o próximo post,

Diogo.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/02/2010 - 15:50

CRÍTICA – Invictus (parte 2)

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Quem pecou foi o roteirista. invictusPrimeiro, pela falta de profundidade. O que quer se demonstrar é evidente: que a garra ultrapassa qualquer barreira. Ainda assim, o roteirista não se aprofundou na maneira que tal fato ocorre. O que mostra é um time fraco, que, a partir de uma conversa do capitão do time com o Presidente, e outros pequenos fatos (como uma ida à favela, não querida pelos jogadores), melhora. Um time ruim fica bom de um dia para outro. É isso que fica explícito, pelo roteiro raso neste aspecto.

Por outro lado, a atuação política (e mesmo social) de Mandela é profundamente retratada. Hollywood gosta muito de retratar Mandela (e neste filme ele aparece como figura perfeita, livre de defeitos), e “Invictus” prende-se a um aspecto diferente. O político é eleito para governar um Estado dividido – o apartheid (separação, em africânder) foi adotado legalmente em 1948, instituindo um regime que privilegiava uma elite branca, que ficava detentora do poder; marginalizando os não-brancos, que sequer cidadãos eram considerados. Frederik de Klerk (antecessor de Mandela), em 1990, foi o presidente a abolir tal regime. Mandela (um dos políticos mais ativistas na contrariedade à segregação racial), quando assumiu, saído depois de anos da prisão, teve de efetivar o fim do apartheid, que faticamente ainda ocorria –, e o prisma escolhido pelo roteiro para demonstrar como brancos e não-brancos começaram a se unir foi a atuação de Mandela em prol do rugby. Foi este esporte que uniu toda a população da África do Sul, torcendo por seu time na Copa do Mundo de rugby. Mandela falou com o capitão do time, querendo que o título da Copa fosse deles. A melhora do time foi crescente, e, aos poucos, brancos e não-brancos se uniram para torcer pelo mesmo time, um time que aprendeu a vencer pela garra e pela força de vontade.

Para finalizar, fico em dúvida na tentativa do filme, seu propósito. Qual foi a finalidade do roteiro? O que quis ser ensinado? O que fica mais evidente, veja abaixo:

- O esforço pode ultrapassar qualquer barreira;

- O início do governo Mandela;

- Aspectos pessoais de Mandela (seu tratamento com as pessoas, por exemplo);

- O fim da segregação racial na África do Sul; etc.

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A meu ver, faltou foco. Independentemente de ideologias e posicionamentos políticos, Mandela foi uma figura importante para a África do Sul, e sua representação no filme é na face bela do político. O escopo do filme cabe a quem assiste decidir. Tirando a falta de profundidade em alguns aspectos, como já dito, “Invictus” é um ótimo filme.

Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/02/2010 - 12:28

CRÍTICA – Invictus (parte 1)

Tentativa de…?

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O que falta em “Invictus” é um roteiro mais profundo e explicitar o foco. De resto, é um bom filme (sem nada extraordinário, mas bom).

invictus“Invictus” nos traz a inspiradora história de como Nelson Mandela (Morgan Freeman) uniu forças com o capitão da equipe de rúgbi da África do Sul, Francois Pienaar (Matt Damon), para ajudar a unir a nação.
Recém-eleito, o presidente Mandela sabe que seu país permanece dividido racial e economicamente após o fim do apartheid. Acreditando ser capaz de unificar a população por meio da linguagem universal do esporte, Mandela apóia o desacreditado time da África do Sul na Copa Mundial de Rúgbi de 1995, que faz uma incrível campanha até as finais.

Da atuação não há que se reclamar. Foi ótima. Um dos pontos altos da obra. Os dois protagonistas foram aprovados pelos reais indivíduos que interpretam (Mandela e Pienaar), conhecendo-os e apresentando um belo trabalho. Freeman, por óbvio, se destaca: seu talento único, seu destaque (é mais importante no filme) e uma evidente paixão pela história rendem a ele uma de suas melhores atuações. Se houvesse uma pitada de drama uma indicação ao Oscar era certa.

Damon, por sua vez, é um ator do qual confesso não ser fã. Considero-o artificial em seus papéis, pouco alterando suas características. Em “Invictus”, entretanto, reconheço um trabalho melhor. A começar por suas características físicas. Damon fez tudo que lhe foi cabível, Pienaar poderia ser mais profundo, se o roteiro permitisse.

Um último detalhe da atuação que chama a atenção é o inglês falado, principalmente por Freeman e Damon: eles podiam falar seu inglês habitual, de sotaque estadunidense, mas a preferência (possivelmente lembrada pelo próprio diretor) foi por aprender o sotaque sul-africano. É um notável esforço a mais.

A direção é simplesmente impecável. O grande nome é Clint Eastwood, produtor e diretor. Eastwood permanece demonstrando brilhantismo em seu trabalho, com excelente trabalho de câmeras, em especial enaltecendo os protagonistas no estádio, com efeitos de fade out nada fáceis. O cenário também é ótimo – África do Sul de 1995. Direção impecável, não chega a extraordinária porque é um filme comum (lembrando que não é o primeiro de Eastwood que une belas histórias com esporte, antes houve o premiado “Menina de Ouro”, e que também contou com Freeman, numa obra de melhor qualidade, graças ao roteiro).

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Autor: Diogo - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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