Tirei folga na segunda-feira pra poder aproveitar a Bienal do Livro sem filas e rios de gente pelos corredores, mas dei de cara com a decepção. Pela primeira vez eu saà de uma Bienal do Livro sem nenhum livro! Sim! NENHUM!
Primeira coisa que me deixou chateada foi que no terminal Tietê não tinha absolutamente nenhuma indicação de onde pegar o ônibus gratuito para o Anhembi. Sorte que os funcionários sabiam indicar direitinho onde ir.
O ônibus saiu rapidinho, e antes de entrar recebi um jornal bem legal com o mapa da Bienal e com a programação de eventos. De maneira geral, toda a organização estava impecável: muitas bilheterias para ajudar na hora da fila, caixas eletrônicos, barraquinhas de lanches e refeições, espaço de palestras, sinalização, tudo bem preparado.
O único problema é o de sempre nos eventos do Anhembi: a nefasta combinação do calor da rua com os holofotes dos estandes. Será que São Paulo nunca vai ter um lugar para eventos de grande porte climatizado?
Mas vamos à feira. Foi a bienal mais sem graça que fui na vida. Nenhum estande que chamasse a atenção (e olha que até Hulk gigante rolou!), pouco destaque para os lançamentos, pouca preocupação de mostrar peças diferenciadas do catálogo, era como andar em qualquer livraria sem graça. A única seleção de livros interessante à mostra era do Submarino, cujos livros só podiam ser comprados online.
Nem mesmo o Ano Machado de Assis motivou as editoras a destacar melhor as obras do homem, ou livros sobre ele. Apenas três estandes me chamaram a atenção: o da Globo, que lançou uma caixa com Dom Casmurro, Memórias Póstumas e Quincas Borba com fotos incrÃveis do Rio de Janeiro na capa, uma edição do tamanho de uma caixa de fósforo de Dom Casmurro e uma bem grandinha de Memórias Póstumas com desenhos de Cândido Portinari à venda no Sebo Messias e que fiquei até com medo de perguntar quanto era.
Sobre ir à Bienal para comprar livros baratos a impressão que me ficou era que vale mais a pena ficar em casa e pesquisar no Submarino e na Fnac (ou até em sites de editoras que dão descontos, como a Cosac Naify) pra conseguir bons preços nos livros. PouquÃssimas se deram ao trabalho de deixar à mostra as promoções, como a Companhia das Letras, que deixou seus livros remarcados logo na entrada do estande, ou a Objetiva, que numa atitude muito legal, colocou TODOS os seus livros com 25% de desconto e alguns com 50%.
Outra coisa que me deixou chocada foi o mau humor de uma atendente da LP&M. Fui perguntar se eles por acaso ainda tinham a edição de “Cassino Royale“, de Ian Fleming, com o prefácio de Anthony Burgess que eu tive uma época e foi tragada pela terra. A mulher me soltou um não e fez uma cara tão feia que eu nem vi o resto dos livros. OI? É segunda! Só tem crianças passeando pela Bienal (ou seja, ninguém com idade suficiente pra ler seus livros, ninguém se estapeando ou te enchendo o saco) e a atendente está p da vida? Como assim?!?!?!
Bienal pra mim é também a chance de ver as edições de editoras de pequeno porte, como a Casa da Palavra, que sempre tem umas coisas muito legais. Mas poucas foram as editorinhas que apareceram por lá. Se a Casa da Palavra não estava lá, então minha vontade de descobrir o que mais tem no catálogo da Editora Folha Seca, que conheci por meio dos livros sobre J. Carlos, ficou mesmo a ver navios.
A frustração foi tanta que fui afogar as mágoas na Livraria Cultura e na Livraria da Vila. Sim, fui nas duas! E sabe o que acontece? Tem sim muito livro legal sendo lançado no Brasil, apesar da Bienal não ter deixado isso em evidência. E que venha logo a Primavera dos Livros!


