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26/08/2009 - 21:18

ARTIGOS PUBLICADOS: Paixões de Um Homem Altamente Volúvel.

                                               PAIXÕES DE UM HOMEM ALTAMENTE VOLÚVEL

        

E tudo começou com o Felis que me pôs na cabeça que eu deveria ter cavalos Lusitanos. Ora, fui ver uma apresentação da Escola Paulista de Arte Eqüestre, capitaneada pelo Viviani. Meu, o que era aquilo? Onde encontrar aqueles cavalos? Como entendê-los? Suas crinas, suas caudas, sua arrogância… Que personalidade. Nunca havia visto nada igual.

Pronto! Apaixonei-me! O Marino, o Forex, o Belice (que raridade, como foi possível ter uma crina daquelas?). Como explicar aquilo que eu estava vendo? Putz…

Fui assistir um leilão. Na Hípica de Sto. Amaro, penso eu. Vigê Santa, como era possível reunir tanta beleza numa raça só… Estou falando de 1993. Sai babando…

Bem, ganhei um Garanhão: Cisne 3A. Lindo, crinudo, uma cauda como jamais vi. Uma pintura!

         Interessei-me pela raça. Comecei a freqüentar as exposições e os leilões dos Andaluzes. Sim, naquele tempo era em conjunto (Lusitanos e Espanhóis). Nova paixão: Presidente do Top. Aliás, paixão acrescentada, visto que não havia perdido a chama da paixão pelos demais. Foi no leilão que  referi acima. Que belezura. Classe, finesse, passos compassados, caráter ímpar! Fiquei impressionado. Não parou aí, logo, em outro leilão, foi feita a apresentação de outro virtual arrebatador de paixões: Distinto. Que garbo, o que era aquilo, onde Portugal escondia essas coisas? Como é que eu, um cara que sempre gostou de cavalos não sabia disso? Bem, mais uma paixão acrescentada.

         E a coisa pegou. Comecei a me familiar com frases do tipo “cavalo de Rei em dia de festa”, “o cavalo”, “Sua Excelência”, etc…

         Nasceu uma nova paixão: Almansor! Que que é iiiiiiisso minha gente! (como diria Geraldo José de Almeida). Ou melhor, que era aquilo? Que espécie animal privilegiada era aquela? Onde foi buscar tanta empáfia? Tanta formosura? Como entender aquilo? Puxa…

Comecei a inflar de tanto acrescentar paixão neste emotivo coração.

         Minha lista, aumentando. Agora, de cara, dois irmãos próprios: Palpite e Ocioso do Top. Não acreditava no que estava vendo. Diferentes e belos! Um acinte. E eu…Babando!

         Meu Cisnezinho que já era pequeno estava ficando menor ainda.

         Pronto! Mais uma paixão e mais uma infladinha para carregar: Tuim. Coisa linda! Putz grila,     inexplicável. Detentor de uma beleza pouco comum. Fiz que fiz e consegui comprar uma barriga dele. Deu-me uma bela fêmea: Quelé da Arrulha.

          Mais paixão: Espírito 3A. Cara… Haja adjetivo… Como descrevê-lo se já disse tudo lá pra cima? Não sei ao certo, mas sei que também me deixou boquiaberto. Êta exagero de beleza.

         Pô! Vou verificar isso “in loco”. Fui a Portugal. Uma enxurrada de beleza. Cada espécime de dar “água na boca”. O Conhaque (nova paixão). O Jardim, idem. Os pretos do Ortigão. Ah! Que profusão de jóias vivas, como diria o Jaime Monjardim.

         Fui até a Golegã. Desbundei!!! Coisa de louco. Não era possível aquilo. Como descrever. Não dá. Só vendo. Aqueles cavalos a passo, trotando, galopando, fazendo firulas ou  sérios, a passar pela “manga” afora. Muitos, mas muitos mesmo. Um carrossel. Lendas vivas, cavalos de toureio, os famosos e os que vieram a adquirir fama. O Túlio Portugal montando o Conhaque. Outros Toureiros. Os grandes criadores. Manoel Veiga montando. Guilherme Borba, Marquez de Graciosa, João Barata Freixo, Manoel Pompilio, Coimbra, Paulo Caetano, Arsênio,  enfim, toda a plêiade de grandes criadores e montadores. E que simplicidade… Que camaradagem… Uma gentileza só.

Acrescente-se aqui nosso embaixador, o querido José Adão CARVALHO NUNES.

 Penso que essa personalidade foi passada para os cavalos. Quem não conhece a Golegã, precisa conhecer, pois quem cria cavalos Lusitanos jamais verá o espetáculo eqüestre/rural que lá se desenvolve. Sem falar na Quinta da Broa, da Lambruja e outras mais.

         Voltei caído de paixão. Meu coração já se fazia pequeno, mas a raça continuava a me pregar peças.

         Ah!  Que maravilha.

         O Othelo, o Poderoso, a Dandapuê e seu Querosene (filho do Cisne). Coisinha rica do pai. Meu dodói. Lindo como ele só. O Fliper, o Netuno, o Ouro, o Campino, o Hippus, o Igor do Mirante…Por fastidioso e por ser eu um cego de paixão por este cavalo, deixo de citar outros “monumentos”, de maneira a poupar a tinta e o papel.

         E o Malmequer? Uma paixão gratuita. Não tive o prazer de conhecê-lo jovem. Já o conheci em idade provecta. Mas, que personalidade, que presença, que atitudes marcantes. Um dançarino das arenas de Portugal, como me informou o Lopes.

         Gente, não parou aí. Veio o Mikonos. Que vivacidade, que presença, que doçura e que pujança. Anda na ponta do pé, quero dizer, do casco. Trota como poucos. Galopa com uma peculiaridade só sua.  De onde vinha aquilo? Estou tentando fazer com ele uma base de fêmeas para o meu plantel.

          Entretanto, para minha surpresa a coisa começou a mudar. Quanto mais eu conhecia mais mudava a direção do meu gosto. Aquelas cabecinhas esquisitas, abaloadas, passaram a ser por mim admiradas. Já não me impressionava tanto pelas crinas e caudas. O passo, o trote, o galope de serviço, a linha de dorso, a garupa, o aprumo, a cabeça,  começaram a adquirir maior importância e desbancar a beleza, ou melhor, ver outro lado da beleza, qual seja, com funcionalidade.

         Acho que não vou parar, pois a cada momento me apaixono por um novo animal. Entretanto, carrego uma certa tristeza, pois nem sempre o belo é o bom. Que pena! Aí reside uma injustiça irreparável.

         Sempre me pergunto: onde achar um conjunto estético com esse misto de orgulho e simplicidade? Há outro animal assim? Hoje, penso que não, pois os cavalos Lusitanos são diferentes e diferentemente belos.

De uma coisa tenho certeza: são a prova viva da existência de Deus, no seu esplendor de criação.

 

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS

cabanhaarrulha@tera.com.br

 

Artigo publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:


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