iG
iBest BrTurbo
26/08/2009 - 21:19

ARTIGOS PUBLICADOS: Puxão de Orelha

PUXÃO DE ORELHA

 

Dia 29 de março de 2003, estivemos no Haras Mineral para assistirmos a palestra/curso de dois juizes internacionais.

 Isso mesmo! Gente, um deles, montador consagrado, esteve em Beja – Portugal – na qualidade de membro do júri do campeonato mundial de equitação de trabalho.

O outro palestrante, veterinário reconhecido, ativo julgador em nossas exposições, nas aprovações de garanhões e, juiz convidado da última exposição internacional de Lisboa. 

Dito isto, que por si só, enaltece nossas cores, preciso contar que lá estiveram poucos criadores, “um punhadinho só”. Aliás, havia mais curiosos -  no bom sentido -   que criador.

Confesso, fiquei perplexo. Não era possível acreditar naquilo que meus olhos viam. Palestrantes desse jaez e, onde estavam os que se intitulam criadores e críticos veementes no mundo do nosso cavalo? Ora, não é crível que quase a totalidade dos criadores esteja senhor do rumo da criação de cavalos Lusitanos. E, em especial “este” cavalo, que vem passando por uma reavaliação inconteste.

Veja-se que há um letra “S” bi-campeão em Portugal e uma letra “T” campeã no Brasil, acompanhada de seu reservado,  também da letra “T”.

Diga-se que a meses passados, outro palestrante nos brindou com uma bela orientação.  Teria este esgotado o assunto? Não! O assunto não se esgotou. Sempre se aprende mais uma coisinha. Por exemplo: alguém sabe a finalidade da atribuição de nota para o conjunto formal? Eu sei, estive lá e não connnnnto!!! Pronto!!!

Perderam os ausentes, pois nessa fase de implantação de um biótipo mais adaptado ao padrão da raça, penso, não se pode perder nenhuma oportunidade de ampliar conhecimentos. Tivessem os criadores Alemães, Italianos, Espanhóis, Mexicanos,  Americanos, e outros, a oportunidade que foi dada aos criadores Brasileiros, por certo eles não deixariam ela passar ao derredor.

         depois…Como é fácil reclamar de decisões, de posições, de julgamentos e outros quitais.

Todos pedimos para que nos proporcionassem esses cursos, como fomento e orientação, até porque é letra imperativa de nossos estatutos. Mas,  deu no que deu.

Ah! Não foi só isso que perderam. Perderam também um belo churrasco, saboroso e fraterno, com a inenarrável simpatia do casal Lolinha e Wilson Ricciluca.

Entretanto, peço que insistam na realização desses cursos, pois temos outros “experts” do mundo do cavalo Lusitano para enriquecerem nossos conhecimentos sobre esse que é indubitavelmente “O SENHOR DOS CAVALOS”.

Quem sabe um dia… 

 

Eduardo Caldas Rebouças

 Março/2003 

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
26/08/2009 - 21:18

ARTIGOS PUBLICADOS: Paixões de Um Homem Altamente Volúvel.

                                               PAIXÕES DE UM HOMEM ALTAMENTE VOLÚVEL

        

E tudo começou com o Felis que me pôs na cabeça que eu deveria ter cavalos Lusitanos. Ora, fui ver uma apresentação da Escola Paulista de Arte Eqüestre, capitaneada pelo Viviani. Meu, o que era aquilo? Onde encontrar aqueles cavalos? Como entendê-los? Suas crinas, suas caudas, sua arrogância… Que personalidade. Nunca havia visto nada igual.

Pronto! Apaixonei-me! O Marino, o Forex, o Belice (que raridade, como foi possível ter uma crina daquelas?). Como explicar aquilo que eu estava vendo? Putz…

Fui assistir um leilão. Na Hípica de Sto. Amaro, penso eu. Vigê Santa, como era possível reunir tanta beleza numa raça só… Estou falando de 1993. Sai babando…

Bem, ganhei um Garanhão: Cisne 3A. Lindo, crinudo, uma cauda como jamais vi. Uma pintura!

         Interessei-me pela raça. Comecei a freqüentar as exposições e os leilões dos Andaluzes. Sim, naquele tempo era em conjunto (Lusitanos e Espanhóis). Nova paixão: Presidente do Top. Aliás, paixão acrescentada, visto que não havia perdido a chama da paixão pelos demais. Foi no leilão que  referi acima. Que belezura. Classe, finesse, passos compassados, caráter ímpar! Fiquei impressionado. Não parou aí, logo, em outro leilão, foi feita a apresentação de outro virtual arrebatador de paixões: Distinto. Que garbo, o que era aquilo, onde Portugal escondia essas coisas? Como é que eu, um cara que sempre gostou de cavalos não sabia disso? Bem, mais uma paixão acrescentada.

         E a coisa pegou. Comecei a me familiar com frases do tipo “cavalo de Rei em dia de festa”, “o cavalo”, “Sua Excelência”, etc…

         Nasceu uma nova paixão: Almansor! Que que é iiiiiiisso minha gente! (como diria Geraldo José de Almeida). Ou melhor, que era aquilo? Que espécie animal privilegiada era aquela? Onde foi buscar tanta empáfia? Tanta formosura? Como entender aquilo? Puxa…

Comecei a inflar de tanto acrescentar paixão neste emotivo coração.

         Minha lista, aumentando. Agora, de cara, dois irmãos próprios: Palpite e Ocioso do Top. Não acreditava no que estava vendo. Diferentes e belos! Um acinte. E eu…Babando!

         Meu Cisnezinho que já era pequeno estava ficando menor ainda.

         Pronto! Mais uma paixão e mais uma infladinha para carregar: Tuim. Coisa linda! Putz grila,     inexplicável. Detentor de uma beleza pouco comum. Fiz que fiz e consegui comprar uma barriga dele. Deu-me uma bela fêmea: Quelé da Arrulha.

          Mais paixão: Espírito 3A. Cara… Haja adjetivo… Como descrevê-lo se já disse tudo lá pra cima? Não sei ao certo, mas sei que também me deixou boquiaberto. Êta exagero de beleza.

         Pô! Vou verificar isso “in loco”. Fui a Portugal. Uma enxurrada de beleza. Cada espécime de dar “água na boca”. O Conhaque (nova paixão). O Jardim, idem. Os pretos do Ortigão. Ah! Que profusão de jóias vivas, como diria o Jaime Monjardim.

         Fui até a Golegã. Desbundei!!! Coisa de louco. Não era possível aquilo. Como descrever. Não dá. Só vendo. Aqueles cavalos a passo, trotando, galopando, fazendo firulas ou  sérios, a passar pela “manga” afora. Muitos, mas muitos mesmo. Um carrossel. Lendas vivas, cavalos de toureio, os famosos e os que vieram a adquirir fama. O Túlio Portugal montando o Conhaque. Outros Toureiros. Os grandes criadores. Manoel Veiga montando. Guilherme Borba, Marquez de Graciosa, João Barata Freixo, Manoel Pompilio, Coimbra, Paulo Caetano, Arsênio,  enfim, toda a plêiade de grandes criadores e montadores. E que simplicidade… Que camaradagem… Uma gentileza só.

Acrescente-se aqui nosso embaixador, o querido José Adão CARVALHO NUNES.

 Penso que essa personalidade foi passada para os cavalos. Quem não conhece a Golegã, precisa conhecer, pois quem cria cavalos Lusitanos jamais verá o espetáculo eqüestre/rural que lá se desenvolve. Sem falar na Quinta da Broa, da Lambruja e outras mais.

         Voltei caído de paixão. Meu coração já se fazia pequeno, mas a raça continuava a me pregar peças.

         Ah!  Que maravilha.

         O Othelo, o Poderoso, a Dandapuê e seu Querosene (filho do Cisne). Coisinha rica do pai. Meu dodói. Lindo como ele só. O Fliper, o Netuno, o Ouro, o Campino, o Hippus, o Igor do Mirante…Por fastidioso e por ser eu um cego de paixão por este cavalo, deixo de citar outros “monumentos”, de maneira a poupar a tinta e o papel.

         E o Malmequer? Uma paixão gratuita. Não tive o prazer de conhecê-lo jovem. Já o conheci em idade provecta. Mas, que personalidade, que presença, que atitudes marcantes. Um dançarino das arenas de Portugal, como me informou o Lopes.

         Gente, não parou aí. Veio o Mikonos. Que vivacidade, que presença, que doçura e que pujança. Anda na ponta do pé, quero dizer, do casco. Trota como poucos. Galopa com uma peculiaridade só sua.  De onde vinha aquilo? Estou tentando fazer com ele uma base de fêmeas para o meu plantel.

          Entretanto, para minha surpresa a coisa começou a mudar. Quanto mais eu conhecia mais mudava a direção do meu gosto. Aquelas cabecinhas esquisitas, abaloadas, passaram a ser por mim admiradas. Já não me impressionava tanto pelas crinas e caudas. O passo, o trote, o galope de serviço, a linha de dorso, a garupa, o aprumo, a cabeça,  começaram a adquirir maior importância e desbancar a beleza, ou melhor, ver outro lado da beleza, qual seja, com funcionalidade.

         Acho que não vou parar, pois a cada momento me apaixono por um novo animal. Entretanto, carrego uma certa tristeza, pois nem sempre o belo é o bom. Que pena! Aí reside uma injustiça irreparável.

         Sempre me pergunto: onde achar um conjunto estético com esse misto de orgulho e simplicidade? Há outro animal assim? Hoje, penso que não, pois os cavalos Lusitanos são diferentes e diferentemente belos.

De uma coisa tenho certeza: são a prova viva da existência de Deus, no seu esplendor de criação.

 

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS

cabanhaarrulha@tera.com.br

 

Artigo publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
28/05/2009 - 18:07

A Cezar o que é de Cezar.

Tenho notado que criadores, quando mencionam o nome de algum animal que não tenha o seu sufixo e sim de terceiros, omitem o mesmo, numa atitude desnecessária, antiética, posto que, com o site em aberto da nossa associação, basta verificar e constatar, para comprovar a indelicadeza. Mas, o zum…zum…zum… contra essa prática vem aumentando, com a insatisfação de quem criou o animal.
Ora, qual o demérito que pode haver em mencionar o sufixo verdadeiro, a marca do criador? Em meu parco entendimento, nenhum prejuízo pode haver, posto que é salutar o cultivo da ética. Entendo que a ética frutifica melhor que o marketing no mundo dos cavalos. Penso até que, deveria existir uma proibição de divulgação do animal sem o seu real sufixo, assim como é feito com os direitos autorais. É bom que se saiba, que no Puro Sangue Inglês, o criador continua vinculado ao animal, inclusive recebendo um percentual sobre as vitórias das quais o cavalo venha a obter no decorrer de sua vida esportiva. De minha parte e, acredito, da maioria dos criadores, nos ufanamos de possuirmos um animal com o ferro deste ou daquele criador. Ora, se o animal é bom, o fato de mencionarmos o sufixo, só pode valorizar o animal, pois, se você o comprou, é porque reconheceu méritos e qualidades no mesmo. Então, vamos valorizar o que compramos, citando o sufixo do criador, colocando a ética acima de veleidades pessoais.

Outra coisa, ouvi dizer que andam comprando não só o animal, mas também o sufixo, sem que se tenha obtido ou arrendado a reprodutora. A esse respeito, vejam o que diz o regulamento:
Artigo 13 – Para os efeitos do presente Regulamento, entende-se:
a) como criador, a pessoa física ou jurídica que seja proprietária ou arrendatária da reprodutora no momento do nascimento do produto; 
Mais:
Artigo 3º – São objetivos primordiais do Serviço de Registro Genealógico:
I – Executar os Serviços de Registro Genealógico, de conformidade com o Regulamento da Entidade, aprovado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento.
II – …
III – Proceder com eficiência, regularidade e veracidade o Registro Genealógico dos animais Puros de Origem e Cruzados. 

Será que não seria o caso de obstar tal procedimento?

Eduardo Caldas Rebouças
 cabanhaarrulha at terra.com.br
Maio de 2009.

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 14:02

ARTIGO PUBLICADO: Uma idéia…Uma ousadia…Uma constatação…

UMA IDÉIA…UMA OUSADIA…UMA CONSTATAÇÃO…
Pô…Engasguei no título. Acho que vou deixá-lo pro final, pois tentei várias soluções e nenhuma me pareceu viável. Não consegui aliar o que vi ao que iria escrever. As palavras falsearam o que minha pupila reteve. Sabe, comecei pensando em Mito Lusitano, mas achei que era parte do que eu iria escrever e não emborcava tudo.
Pensei naquela história dos 4 Manoéis, mas achei infantil e bonachão. Pensei em aliar o passo, o trote, o galope e o conjunto de formas, coisas essenciais para um bom cavalo, qualidades essas ligadas aos membros da coudelaria. Mas, os leitores entenderiam o que eu estaria querendo dizer? Fariam a ligação de um bom passo, necessário para que o animal possa caminhar? Um bom trote para adiantar-se? Um bom galope para chegar na frente? E, um bom conjunto de formas para dar a consistência necessária ao empreendimento que vi estabelecer-se no dia 26 de abril p.p.? Não sei, pois quem viu a apresentação da Coudelaria “Mito Lusitano” ficou em êxtase. Posto que esteve tudo muito bem elaborado e planejado. Achávamos que a coisa havia sido improvisada. Ledo engano! Tudo foi pensado e bem pensado.
Antes de qualquer coisa, quero falar do social, pois fomos, em todos os momentos, muito bem assistidos. Tivemos o prazer de estarmos próximos de uma família maravilhosa. Que encanto ver aquelas crianças montando (E bem!). A dedicação e a seriedade delas. Magnífico. Coreografias muito bem feitas e cumpridas com muito garbo. A mãe, perfeita, fazendo às vezes de anfitriã e gineta com muita propriedade. O Pai, num melado só…Babando muito e curtindo sua prole como ninguém. Era a personificação da alegria. O Avô, envaidecido, apresentando seus netos para os convivas, esbanjando felicidade.
Presentes ao evento, um número considerável de pessoas, gente chic, gente importante, gente simples, enfim, gente. E lá estavam, junto ao Manoel Tavares os seus pares na coudelaria. Manuel Veiga com toda sua imponência e importância tácita e inconteste. Nos brindou com uma montada no Oceano (Danúbio na Redonda II por Lidador II), de sua criação. A caráter, como se estivesse lá na Quinta da Broa. Manoel Coimbra, com sua risada característica, abusando de sua simpatia. Manoel Braga, com seu jeito sisudo, porém afável.
Então, Manoel Tavares importou com essa associação, bons anos de experiência na criação de cavalos Lusitanos. Lá vamos por uns 500 anos. É mole? Por certo essa coudelaria nos trará bons frutos e seus reflexos serão benéficos a todos os criadores Brasileiros. Quiçá do mundo, pois as condições brasileiras são propícias para tanto. Haja vista o volume de exportações já feitas, que andam lá pelos 300 e poucos animais. Não bastasse isso, o mercado interno esta continuamente consumindo, em especial cavalos de boa qualidade. Veja-se o volume de vendas que atingiu o VI Leilão Internacional Luso-Brasileiro.
Então, resta-nos parabenizar o Manoel Tavares pela ousadia do empreendimento. E, a coragem dos três criadores Portugueses que começam uma nova etapa de suas criações e, pra nosso gáudio, aqui na nossa terra. Bem dizia o Eng. Calheiros Ferreira que “quem sabe um dia estaremos criando no Brasil”.
Mas, e o plantel da Coudelaria? Chic. Muito chic. De dar água na boca. Éguas maravilhosas, objeto de desejo de qualquer garanhão, putz, quero dizer, de qualquer criador, é claro.
Vimos e ouvimos um Cido (José Aparecido Pinto) abusando na locução, colocando em risco o emprego do Galvão Bueno na Globo, tudo coadjuvado pelo Davi Carrano.
Pois bem, afora isso não há muito que falar, pois os nomes falam por si. Também, não há o que desejar, posto que os componentes da coudelaria não precisam de conselhos e orientações. São todos craques. Resta-nos assim, desejar a plena transferência do sucesso individual para o coletivo e saúde para os animais. O resto, certamente virá com o tempo, engrandecendo o cavalo Lusitano, que é indubitavelmente, “O SENHOR DOS CAVALOS”.
Bem, bolei um título. Tá lá em cima!

Eduardo Caldas Rebouças – Abril de 2003
 cabanhaarrulha at terra.com.br

Publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:58

ARTIGO PUBLICADO: Um Certo Garanhão Chamado Tarado.

UM CERTO GARANHÃO CHAMADO TARADO

Isso mesmo! O nome dele é muito conveniente, pois fez por merecer o nome
de batismo. Uma prole grande, não só na quantidade, mas também na qualidade.
Quando penso em funcionalidade na raça Lusitana, o primeiro nome que me vem
à cabeça é o dele. Muito se fala, mas os números comprovam sua qualidade.
Vindo para o Brasil pelas mãos do Dr. Enio Monte (Haras Itapuã), Tarado
(Nihuco x na Imperadora) começou a trilhar uma carreira maravilhosa. Foi um
dos introdutores da raça no circuito de adestramento, do salto, da alta
escola e da doma de campo. Temperamento magnífico, sem máculas, nada que
possa desaboná-lo. Um “gentleman” eqüino que se posiciona como quem conhece
suas próprias virtudes. Um forte por se saber forte! Passou seus andamentos
aos descendentes, colocando aos Lusitanos o que os Lusitanos gostariam de
ter.
Cavalo impar, que aos dezoito anos de idade, ainda belo, foi objeto de um
fato muito curioso. Carolina Viviani, ao atingir a maioridade, teve ofertado
por seu Pai, José Roberto, como presente de aniversário, um automóvel Audi,
parte integrante dos sonhos de qualquer jovem. Entretanto, pediu ao Pai o
Tarado, ao invés do carro. Troca pura e simples. Assim, o cavalo mudou de
mãos, foi para o Haras Purificacion. E, já coroa, fez um triunvirato com seu
filho e seu neto na Escola Paulista de Arte Eqüestre Espanhola. É ainda é
montaria da Carolina. Belo gesto, belo gosto, bela troca!
Falei em funcionalidade e não conclui o pensamento. Ora, ele gerou o Nobre
(campeão de salto, cce, enduro, adestramento), o Olimpo (salto), o Marino
(adestramento/alta escola), o Pagé (salto/adestramento), o Negrusko
(adestramento/alta escola/, o Navegante -o mais lindo “caprioli” deste
país – o Ouro (adestramento/alta escola). Por fastidioso, deixo de mencionar
outros inúmeros cavalos funcionais de sua prole. Não fica por aí. Suas
filhas, de porte quase sempre avantajado, trazem do Pai o garbo, o
andamento, um pescoço limpo, bem lançado, com uma espádua muito equilibrada.
Seus netos, já despontam no cenário esportivo com muita personalidade, com
sua marca de vencedor.
Criadores experientes apostam no sucesso destes, embora haja por parte de
alguns criadores, um certo desprezo por seus descendentes, sob a alegação de
que o Tarado é um “espanhol”. Porém, tanto quanto outros “espanhóis”, foi
aceito na raça como reprodutor e, como tal, deu conta do recado.
Seria ele o Príncipe VIII Brasileiro? Para quem não acompanha a raça, o
“espanhol” Príncipe VIII foi o ponto de partida dos cruzamentos que deram
origem à facção denominada “Andrade”. Facção com muita estrutura e
funcionalidade, tal e qual a gerada pelo “espanhol” Tarado.
Portanto, fica difícil falar em funcionalidade na raça de Puro Sangue
Lusitano sem que se fale dele, quer queiram ou não!
E, ainda se ouve falar que tem dorso longo…Opa!!! Viiiiiiige!!! To fora!!!
O que você acha de um animal com esses predicados?

Eduardo Rebouças
27/07/2001
 cabanhaarrulha at terra.com.br
Publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:51

ARTIGO PUBLICADO: Rapióca.

RAPIÓCA

Em meados de setembro de 1997, eu e meu amigo Felismino, fomos ao parque da Água Branca assistir ao leilão de Lusitanos que ali seria realizado. Dentre os animais que seriam leiloados, gostei muito de uma potra, de nome Platina HM, filha do Parágrafo do TOP e de uma égua de nome Rapióca (Que nome simpático!). Uma boa potra, em idade de ser desmamada. Interessava-me. Entretanto a idade avançada de sua mãe me fez titubear quanto a compra-la ou não, uma vez que a mãe acompanharia a filha. Ou seja, havia uma inversão do que acontece normalmente: um lote dois em um, em que a potra acompanha a mãe. Aqui era ao contrário: a mãe é que acompanharia a filha. Bem, iniciado o leilão, tomamos conhecimento que o montante que fosse arrecadado com aquele lote, seria destinado a uma instituição de caridade. Pensei com meus botões: pago até tanto. Mais que isso redundaria em evidente prejuízo, tendo em vista a avançada idade da Mãe. Quando o lote foi apregoado, dei meus lances, até que o último foi superado. Meu amigo, levando em conta que o lote era uma doação, no intuito de encorajar-me, ofereceu-se para ficar com a metade. Enfim arrematamos o lote, metade meu, metade dele. Lá foram para meu criatório. Filha e Mãe. Como disse, idade de desmama. E assim foi feito, desmamamos a potra. Mudança de alimentação, vida pasto, costumes, enfim tudo mudando para a já combalida Rapióca. Pronto! O que eu temia aconteceu, perdeu uns 100 quilos num mês. Chamamos veterinários, conhecedores, zootecnistas, etc… Usamos de todos os expedientes possíveis para tentar recupera-la. E, nada. Cio, nem pensar! Um belo dia, numa festa, conheci uma senhora Portuguesa que tinha sua origem numa região de cavalos da Santa Terrinha. Recomendou-me uma “sopa de cavalo cansado”. Assustei-me, não conhecia. Ela então me explicou que era vinho tinto com pão ou com algum cereal. Dado o valor energético dessa alimentação, acreditei e providenciei um bom vinho cabernet para fazer a experiência. Usei o milho ao invés do pão, como última tentativa para reergue-la. Após 40 dias, a danada renovou-se. Mostrou até um cio, o que não acontecia desde sua chegada. Aproveitamos e a cruzamos com nosso garanhão, Cisne 3A (Forex na Guanabara). Ela recuperou-se, teve uma bela gestação e produziu a Sapeca da Arrulha, sem maiores problemas. Leite em profusão. Mãezona! De todas as éguas paridas, foi a que mais tempo levou para secar, após o desmame, afora o fato de ter adotado outro potro para amamentar. Belo exemplar de rusticidade, com natural aptidão para a procriação. Pensei, já que ela ia pelos seus 24 anos, que deveria dar-lhe o merecido descanso. Esqueci-me de dizer que perdi a potra que veio ao pé. Caiu de mau jeito e tivemos que sacrifica-la, pois fraturou a base da espinha, não mais se mantendo em pé. Entretanto, para nossa surpresa, aos 25 anos e meio, a danada da Rapióca apresentou-se num cio bravo. Para dar a ela o que ela queria, montamo-la com nosso garanhão de então, Portenho da Arrulha (Núncio Itapuã x Dandapuê do Xapuri). Uma só bimbada. Por cautela, comunicamos a cobertura. Esquecemo-nos do fato e qual no foi nossa surpresa, quando, ao faltar um mês para o parto, apresentou-se com a barriga de gravídica, evidenciando que ali havia um produto a ser parido. Apertamos no trato, melhoramos seu “couvert”, acrescentamos, ainda que tardiamente, energia em profusão. Bem, ela pariu no dia 08.10.2001. Uma bela potra.Tudo OK! Parecia brincadeira. Um produto assim, só poderia chamar-se Venturosa e, assim a designamos. Veja, no dia 05.01.2002, ela fará 27 anos! Cabe lembrar, que na foto que ilustra matéria recentemente publicada pelo Dr. Enio Monte, ela é a pequenina que se encontra à direita do grupo, ao pé de sua mãe, em 1975. Uma Duarte de Oliveira legítima. Seu número de inscrição é 15 FI. A mim me Parece NÃO HAVER NADA MAIS VELHO E, MUITO MENOS PRODUZINDO. Sabemos que nos machos, ainda encontramos alguns em atividade, como, por exemplo, o Herói e o Malmequer, que são até mais velhos que ela. Entretanto, nas fêmeas, desconhecemos a existência de qualquer outra com essa idade produzindo e, muito bem, diga-se de passagem, (vejam o produto na foto). Fica lançado um repto: quem terá uma égua nessa idade e nessas condições produzindo? Essa, a rusticidade e produtividade que se quer em qualquer raça.

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS
 cabanhaarrulha at terra.com.br

Publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:45

ARTIGO PUBLICADO: Mudou? O Que Mudou?

MUDOU? O QUE MUDOU?

Ah… Cavalo Lusitano! Já não te entendo direito. Você mudou ou mudamos nós? Sabe, você era assim-assado e, repentinamente, você já não mais é aquele. Suas crinas estão rareando, suas caudas também, seu andamento agora é mais objetivo, não perdes mais tempo em levantar as patas em fartas e belas braçalhadas, sua fuça esta abaloada. Mas, estou aprendendo a lhe reconhecer. Só precisamos nos entender melhor. Aliás, todos nós precisamos entender esse novo cavalo que aí está.
Vejam vocês, estamos sem parâmetro. As exposições aqui e em Portugal vêm sendo vencidas por potros, o que denota a ausência de animal adulto que se possa tomar como exemplo. O que é um risco por si só.
Nossa safra de potros vindoura é simplesmente sensacional. Vimos o Tamboré HM ser campeão dos machos e a Turquia do Top, ser a campeã das fêmeas, tendo esta, levado o campeonato. Vejam, dois letras “T” (2 anos hípicos). Mas, não foi fácil a vitória deles em suas categorias. O páreo foi difícil, pois a qualidade em pista era das melhores. O que era privilégio da Purpurina do Retiro (andamentos), já é de domínio de vários animais. Nossa letra “U”, aí está com toda a força e no mesmo diapasão. Aliás, a conformação esta sendo muito bem fixada na raça. E, cavalo morfologicamente bem feito é sinal de sucesso e de funcionalidade.
O figurino não esta formado, é bem verdade, mas já esta delineado. Animais de boa cabeça, bom dorso, garupa com a inclinação correta, aprumos perfeitos e bons andamentos. Hoje, mais do que nunca, nosso cavalo tem que mostrar qualidades concretas. E, parece-nos que caminhamos bem. Afinal, fomos campeões do mundo em equitação de trabalho individual e vice em equipes. Fabinho “abrilhantou-nos” com o Brilho do Rimo. E, no dizer do Ito Ricciluca, emérito juiz nas provas internacionais de equitação: “fomos campeões porque nosso cavalo anda pra frente”.
Por exemplo: comparar os andamentos de hoje com os de oito/dez anos atrás é quase como avaliar animais de raças diversas. Atingimos um andamento invejável, implantado já, na maioria dos animais. Estamos exportando para a matriz. Criadores de lá já estão cá. Então, o mundo não perde por esperar. Contamos ainda com o ecletismo de nossos cavaleiros. Isso mesmo: “o jeitinho brasileiro”, o que, na visão dos patrícios Portugueses foi o fator determinante da conquista do campeonato do mundo. Seja como for… Estamos transpistando!
Com despeito ou sem despeito, estamos na trilha certa e, se aliarmos o trabalho, a disciplina e a qualidade que avança a olhos vistos, certamente, em breve espaço de tempo estaremos no topo da criação mundial deste que é, indubitavelmente:
“O SENHOR DOS CAVALOS”.

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS
 cabanhaarrulha at terra.com.br
Publicado na Revista EQUEST – 2003

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:40

ARTIGO PUBLICADO: Paixões de Um Homem Altamente Volúvel.

PAIXÕES DE UM HOMEM ALTAMENTE VOLÚVEL

E tudo começou com o Felis que me pôs na cabeça que eu deveria ter cavalos Lusitanos. Ora, fui ver uma apresentação da Escola Paulista de Arte Eqüestre, capitaneada pelo Viviani. Meu, o que era aquilo? Onde encontrar aqueles cavalos? Como entendê-los? Suas crinas, suas caudas, sua arrogância… Que personalidade. Nunca havia visto nada igual.
Pronto! Apaixonei-me! O Marino, o Forex, o Belice (que raridade, como foi possível ter uma crina daquelas?). Como explicar aquilo que eu estava vendo? Putz…
Fui assistir um leilão. Na Hípica de Sto. Amaro, penso eu. Vigê Santa, como era possível reunir tanta beleza numa raça só… Estou falando de 1993. Sai babando…
Bem, ganhei um Garanhão: Cisne 3A. Lindo, crinudo, uma cauda como jamais vi. Uma pintura!
Interessei-me pela raça. Comecei a freqüentar as exposições e os leilões dos Andaluzes. Sim, naquele tempo era em conjunto (Lusitanos e Espanhóis). Nova paixão: Presidente do Top. Aliás, paixão acrescentada, visto que não havia perdido a chama da paixão pelos demais. Foi no leilão que referi acima. Que belezura. Classe, finesse, passos compassados, caráter ímpar! Fiquei impressionado. Não parou aí, logo, em outro leilão, foi feita a apresentação de outro virtual arrebatador de paixões: Distinto. Que garbo, o que era aquilo, onde Portugal escondia essas coisas? Como é que eu, um cara que sempre gostou de cavalos não sabia disso? Bem, mais uma paixão acrescentada.
E a coisa pegou. Comecei a me familiar com frases do tipo “cavalo de Rei em dia de festa”, “o cavalo”, “Sua Excelência”, etc…
Nasceu uma nova paixão: Almansor! Que que é iiiiiiisso minha gente! (como diria Geraldo José de Almeida). Ou melhor, que era aquilo? Que espécie animal privilegiada era aquela? Onde foi buscar tanta empáfia? Tanta formosura? Como entender aquilo? Puxa…
Comecei a inflar de tanto acrescentar paixão neste emotivo coração.
Minha lista, aumentando. Agora, de cara, dois irmãos próprios: Palpite e Ocioso do Top. Não acreditava no que estava vendo. Diferentes e belos! Um acinte. E eu…Babando!
Meu Cisnezinho que já era pequeno estava ficando menor ainda.
Pronto! Mais uma paixão e mais uma infladinha para carregar: Tuim. Coisa linda! Putz grila, inexplicável. Detentor de uma beleza pouco comum. Fiz que fiz e consegui comprar uma barriga dele. Deu-me uma bela fêmea: Quelé da Arrulha.
Mais paixão: Espírito 3A. Cara… Haja adjetivo… Como descrevê-lo se já disse tudo lá pra cima? Não sei ao certo, mas sei que também me deixou boquiaberto. Êta exagero de beleza.
Pô! Vou verificar isso “in loco”. Fui a Portugal. Uma enxurrada de beleza. Cada espécime de dar “água na boca”. O Conhaque (nova paixão). O Jardim, idem. Os pretos do Ortigão. Ah! Que profusão de jóias vivas, como diria o Jaime Monjardim.
Fui até a Golegã. Desbundei!!! Coisa de louco. Não era possível aquilo. Como descrever. Não dá. Só vendo. Aqueles cavalos a passo, trotando, galopando, fazendo firulas ou sérios, a passar pela “manga” afora. Muitos, mas muitos mesmo. Um carrossel. Lendas vivas, cavalos de toureio, os famosos e os que vieram a adquirir fama. O Túlio Portugal montando o Conhaque. Outros Toureiros. Os grandes criadores. Manoel Veiga montando. Guilherme Borba, Marquez de Graciosa, João Barata Freixo, Manoel Pompilio, Coimbra, Paulo Caetano, Arsênio, enfim, toda a plêiade de grandes criadores e montadores. E que simplicidade… Que camaradagem… Uma gentileza só.
Acrescente-se aqui nosso embaixador, o querido José Adão CARVALHO NUNES.
Penso que essa personalidade foi passada para os cavalos. Quem não conhece a Golegã, precisa conhecer, pois quem cria cavalos Lusitanos jamais verá o espetáculo eqüestre/rural que lá se desenvolve. Sem falar na Quinta da Broa, da Lambruja e outras mais.
Voltei caído de paixão. Meu coração já se fazia pequeno, mas a raça continuava a me pregar peças.
Ah! Que maravilha.
O Othelo, o Poderoso, a Dandapuê e seu Querosene (filho do Cisne). Coisinha rica do pai. Meu dodói. Lindo como ele só. O Fliper, o Netuno, o Ouro, o Campino, o Hippus, o Igor do Mirante…Por fastidioso e por ser eu um cego de paixão por este cavalo, deixo de citar outros “monumentos”, de maneira a poupar a tinta e o papel.
E o Malmequer? Uma paixão gratuita. Não tive o prazer de conhecê-lo jovem. Já o conheci em idade provecta. Mas, que personalidade, que presença, que atitudes marcantes. Um dançarino das arenas de Portugal, como me informou o Lopes.
Gente, não parou aí. Veio o Mikonos. Que vivacidade, que presença, que doçura e que pujança. Anda na ponta do pé, quero dizer, do casco. Trota como poucos. Galopa com uma peculiaridade só sua. De onde vinha aquilo? Estou tentando fazer com ele uma base de fêmeas para o meu plantel.
Entretanto, para minha surpresa a coisa começou a mudar. Quanto mais eu conhecia mais mudava a direção do meu gosto. Aquelas cabecinhas esquisitas, abaloadas, passaram a ser por mim admiradas. Já não me impressionava tanto pelas crinas e caudas. O passo, o trote, o galope de serviço, a linha de dorso, a garupa, o aprumo, a cabeça, começaram a adquirir maior importância e desbancar a beleza, ou melhor, ver outro lado da beleza, qual seja, com funcionalidade.
Acho que não vou parar, pois a cada momento me apaixono por um novo animal. Entretanto, carrego uma certa tristeza, pois nem sempre o belo é o bom. Que pena! Aí reside uma injustiça irreparável.
Sempre me pergunto: onde achar um conjunto estético com esse misto de orgulho e simplicidade? Há outro animal assim? Hoje, penso que não, pois os cavalos Lusitanos são diferentes e diferentemente belos.
De uma coisa tenho certeza: são a prova viva da existência de Deus, no seu esplendor de criação.

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS
 cabanhaarrulha at tera.com.br

Artigo publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:36

ARTIGO PUBLICADO: Puxão de Orelhas.

PUXÃO DE ORELHAS

Dia 29 de março de 2003, estivemos no Haras Mineral para assistirmos a palestra/curso de dois juizes internacionais.
Isso mesmo! Gente, um deles, montador consagrado, esteve em Beja – Portugal – na qualidade de membro do júri do campeonato mundial de equitação de trabalho.
O outro palestrante, veterinário reconhecido, ativo julgador em nossas exposições, nas aprovações de garanhões e, juiz convidado da última exposição internacional de Lisboa.
Dito isto, que por si só, enaltece nossas cores, preciso contar que lá estiveram poucos criadores, “um punhadinho só”. Aliás, havia mais curiosos – no bom sentido – que criador.
Confesso, fiquei perplexo. Não era possível acreditar naquilo que meus olhos viam. Palestrantes desse jaez e, onde estavam os que se intitulam criadores e críticos veementes no mundo do nosso cavalo? Ora, não é crível que quase a totalidade dos criadores esteja senhor do rumo da criação de cavalos Lusitanos. E, em especial “este” cavalo, que vem passando por uma reavaliação inconteste.
Veja-se que há um letra “S” bi-campeão em Portugal e uma letra “T” campeã no Brasil, acompanhada de seu reservado, também da letra “T”.
Diga-se que a meses passados, outro palestrante nos brindou com uma bela orientação. Teria este esgotado o assunto? Não! O assunto não se esgotou. Sempre se aprende mais uma coisinha. Por exemplo: alguém sabe a finalidade da atribuição de nota para o conjunto formal? Eu sei, estive lá e não connnnnto!!! Pronto!!!
Perderam os ausentes, pois nessa fase de implantação de um biótipo mais adaptado ao padrão da raça, penso, não se pode perder nenhuma oportunidade de ampliar conhecimentos. Tivessem os criadores Alemães, Italianos, Espanhóis, Mexicanos, Americanos, e outros, a oportunidade que foi dada aos criadores Brasileiros, por certo eles não deixariam ela passar ao derredor.
depois…Como é fácil reclamar de decisões, de posições, de julgamentos e outros quitais.
Todos pedimos para que nos proporcionassem esses cursos, como fomento e orientação, até porque é letra imperativa de nossos estatutos. Mas, deu no que deu.
Ah! Não foi só isso que perderam. Perderam também um belo churrasco, saboroso e fraterno, com a inenarrável simpatia do casal Lolinha e Wilson Ricciluca.
Entretanto, peço que insistam na realização desses cursos, pois temos outros “experts” do mundo do cavalo Lusitano para enriquecerem nossos conhecimentos sobre esse que é indubitavelmente “O SENHOR DOS CAVALOS”.
Quem sabe um dia…

Eduardo Caldas Rebouças
Março/2003
Publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
19/05/2009 - 13:33

ARTIGO PUBLICADO: Qué…Qué…Qué…Qué…Qué…

Qué…Qué…Qué…Qué…Qué…

Preliminarmente, esclareço que este artigo não pretende se meter nas decisões, coletivas ou individuais, dos Srs. Juízes e ou de seus colegiados. Trata simplesmente da constatação de fatos relacionados com a interpretação morfológica e funcional do cavalo lusitano.
Assim é que, quem teve a oportunidade de ver os resultados oficiais do Festival de Lisboa do Cavalo Lusitano, que se encontra publicado no “site” da Associação Portuguesa, viu os disparates de notas atribuídas pelos Srs. Juízes aos animais concorrentes.
É claro que alguns são mais rigorosos e outros magnânimos. É claro que alguns têm certos preconceitos em relação a algumas particularidades passíveis de existirem nos animais. É possível que outros vejam o cavalo mais pelo lado funcional e outros pelo lado de conformação. Mas, o descompasso das notas é patente e revelador. Trata-se de um disparate que nos leva a pensar seriamente na letra do “samba do crioulo doido”.
Senão, vejamos:
- na classe II – POLDRAS DE DOIS ANOS, entre os pontos do 3º colocado, há uma diferença de 29 pontos entre o que foi atribuído pelo 1º Juiz (168) e o que foi atribuído pelo 2º Juiz (139). O 3º Juiz atribuiu 153 pontos. Ou seja, o animal classificado na 3ª posição, obteria o 1º lugar para o 1º Juiz, enquanto obteria o 4º lugar para o 2º Juiz.
- na classe V – GARANHÕES, entre os pontos do 1º colocado há uma diferença de 22 pontos entre o que foi atribuído pelo 1º Juiz (160 pontos) e o que foi atribuído pelo 2º Juiz (138 pontos). O 3º Juiz atribuiu 143 pontos. Ou seja, o animal classificado na 1ª posição, obteria o 4º lugar para o 2º Juiz.

Há outros exemplos, menos gritantes, com diferenças de 10, 14, 15, 16 pontos, que por fastidioso deixo de relatar.
Cabe salientar ainda, que na classe VII – ÉGUAS MONTADAS, não há uma única coincidência na classificação. Três Juizes e três posições absolutamente diferentes em cada avaliação.
A título de ilustração, transcrevo o resultado da classe I – POLDRAS DE UM ANO, conforme as atribuições de cada Juiz, levando-se em conta a análise individual de cada julgador e não a média. Assim, teríamos que:

Colocação PARA 0 PARA O PARA O
oficial 1º JUIZ 2º JUIZ 3º JUIZ
1ª 1ª 4ª 1ª
2ª 3ª 1ª 4ª
3ª 2ª 3ª 5ª
4ª 4ª 1ª 6ª
5ª 5ª 6ª 2ª
6ª 6ª 5ª 3ª

Verificando o quadro acima, constatamos que houve uma única coincidência, ocorrida no 1º lugar. No mais, nenhuma coincidência.
E, essa foi a tônica dos julgamentos, num disparate que nos causa espanto. Será que isso é comum em julgamentos? Ou este que vos escreve é que carece de vivência em julgamentos? Gente, 29 ou 22 pontos de diferença para um mesmo cavalo, certamente é um caso de paixão. De ódio ou amor.
Considere-se que os Srs. Juizes não foram os mesmos sempre. Para cada classe houve um trio diferente. Deu nó!
Então, o que inferir? Que há um ligeiro descompasso entre os julgadores? Ou que há divergência de interpretação? Ou o que?
Bem, dito isto, coloco-me agora na posição de qualquer criador. Como ficamos? O que criar? O que é que efetivamente vale? Que definição de tipo morfológico devemos seguir? Bem, são tantas as indagações que me vêm à cabeça que deixo de relata-las. Mas, se os resultados das exposições são assim, teriam elas validade como parâmetro de uma raça? Será que não temos que pensar numa avaliação menos subjetiva? Ou o erro é dos julgadores?
Entretanto, louvo o fato da Associação Portuguesa ter publicado os resultados e seus julgadores. Diga-se de passagem, que na última exposição, nossa Associação teve tal procedimento, afixando os resultados no salão da exposição. Tal procedimento, propicia não só a análise dos julgamentos, mas também e, principalmente, o aprendizado. Você conhecerá a nota de seu animal por regiões pontuáveis, como a da garupa, dos andamentos, do dorso, da cabeça, dando chance, se possível, para reparar o animal.
Então, qué…qué…qué…qué…qué…(imitando o cronista do cotidiano, que nas pegadinhas da televisão usa tal expressão para mostrar valentia, quando na verdade está cheio de medo).
Tudo pelo Cavalo Lusitano, que é o “SENHOR DOS CAVALOS”.

São Paulo, 20 de julho de 2003.

EDUARDO CALDAS REBOUÇAS
 cabanhaarrulha at terra.com.br

Artigo publicado na Revista EQUEST

Autor: ecreboucas@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags:
Voltar ao topo