Morre João Augusto do Amaral Gurgel
Morreu nesta sexta-feira com 82 anos o engenheiro João Augusto Conrado do Amaral Gurgel. Dono de uma das maiores indústrias de automóveis de capital 100% nacional, João Gurgel era formado em engenharia elétrica e mecânica e começou a sua vida de industrial produzindo karts e mini-carros para crianças, isso no início dos anos 60. Mas já no salão do automóvel de 1966 lançou o que seria seu primeiro carro de fato, o bugue Ipanema (com a indefectível mecanica do fusca) e mais tarde o Xavante que foi sucesso de vendas em 1970.
Apartir da década de 70 a proibição das importações de carros deu a Gurgel e outras fábricas nacionais um grande impulso fabricando automóveis que ocupavam nichos de mercado não preenchidos pelas grandes empresas da época, como utilitários, esportivos (em sua maioria) e beneficiando-se disso até 1994 quando as importações foram novamente abertas.
Gurgel projetou ele mesmo inúmeros carros, todos em fibra-de-vidro com chassis tubular de aço que conferiam resistência e devido a fibra a impossibilidade de corrosão, todos de conceito simples e objetivo. Foi ele o autor das primeiras experiências na américa do sul no campo do carro movido a eletricidade, com o Itaipu que tinha dimensões próximas ao BR-800 e era movido por baterias comuns de 12 volts que podiam ser carregadas em qualquer tomada. Em 1984 lançou o XEF um pequeno sedã 3 volumes de uso urbano para 3 pessoas com um perfil que se assemelhava a um Voyage curto (também com motor a ar traseiro), mas foi um fracasso devido ao preço e a pouca divulgação. Também em 84 começaram os estudos para um jipe maior com motor dianteiro e tração traseira – o primeiro da Gurgel e assim nasceu o Carajás, que era um precurssor do Ecosport sendo mais curto do que ele. Com três opções de motor e contando com uma boa dose de improvisão mecânica o carro se revelou um sucesso sendo fabricado até 1994, ano da falência da marca, em diversas versões.
Em 1987 com o BR800 – em alusão a sua cilindrada, começou uma nova etapa na vida desse engenheiro-empresário, vislumbrando carros pequenos e de baixo custo, projetou este minicarro com motor bicilíndrico de produção própria e inédito (para baratear usou componentes de outras marcas), mas para financiar o projeto e fabricação do carro, Gurgel vendeu ações da companhia e quem quisesse um teria que adquirir as ações, o governo também ajudou com aliquota de 5% no IPI contra 25% dos outros carros. Contudo a euforia terminou quando o governo mudou as regras em 1990 e o desconto se deu para todos os carros com cilindrada inferior a 1000 cc. Com carros maiores, dotados de motores com melhor tecnologia, espaço interno e acabamento melhores o BR800 se viu acoado sendo descontinuado em 1991e substituído por uma versão melhorada, o Supermini, mas com o aumento brutal da concorrência inclusive contra os importados a fabrica pediu concordata parando a produção em 1994 e encerrando totalmente as atividades em 1996.
Crítico feroz e até certo ponto infundada do Proálcool, João do Amaral Gurgel se destacou pelo seu brilhantismo em soluções mecânicas adaptadas a nossa realidade e a falta de recursos. Perto da falência havia feito um acordo com a Citroen e chegou a construir uma fábrica no Ceará para onde ele mudaria toda a sua produção, mas foi tarde demais.
Autor: De adamich - Categoria(s): Notícias, Opinião Tags: BR800, engenheiro e industrial, Gurgel, Gurgel Ltda, homenagem, morre gurgel, X12, Xavante