Nayara retorna ao cativeiro II
Pensando naquele post do surreal retorno de Nayara ao cativeiro…
Não faz muito tempo o Brasil assistiu a um programa chamado “Caso Eloá”. Tratava-se de um seqüestro-reality-show, mostrado por vezes em tempo real, passo a passo, exaustivamente. As cenas se repetiam tantas vezes, em tantos canais, que prendiam o telespectador numa espécie de deja vu.
Após o desfecho trágico, a família de Eloá, sob os olhos da opinião publica, é solicitada a doar os órgãos da garota. O reality show foi prolongado então ( embora com discreta queda na audiência) até a captação e os transplantes. Pudemos assistir o fígado, os rins, o coração e outros órgãos de Eloá passando rapidamente em corredores de hospitais em direção a novos corpos. Embora a Central de Órgão e Transplantes de SP afirmasse que não iria declarar a identidade dos receptores, a mídia televisiva, em seu furor divulgandis, mostrou diversos receptores, chegando mesmo a insinuar uma semelhança física entre Elóa e uma das receptoras…Coisa verdadeiramente mística….
Desde então, observa-se em todo o Brasil um aumento muito significativo do número de doações de órgão. Em alguns estados houve um aumento superior a 70%. Esse fenômeno está sendo chamado de “Efeito Eloá”. Curiosamente o Efeito Eloá está se sustentando e o número de doações não tem caído. Bom para quem espera por um orgão na longa fila.
Me pergunto o que mudaria para Eloá, Nayara, Lindemberg, para as famílias, para a conduta da polícia, se tudo não tivesse passado de um caso transcorrido no anonimato. E se o evento não tivesse sido filmado e assistido por milhares de pessoas no país? Ao que parece, não se trata apenas da mídia retratando a realidade. Ela cria realidades…
Autor: Ananke - Categoria(s): Notícias Tags:
Muita gente vai dizer que toda esta “festa” em torno de um caso como esse tem como objetivo informar e conscientizar, porém acho que são somente “efeitos colaterais”, já que parece que o objetivo primordial das emissoras é aumentar a audiência.
E cria mesmo realidades. E faz uma nação inteira eleger e destituir presidentes.
E temos dito!