A discussão sobre a eventual queda do “império” Americano é sempre recheada de paixões. E são essas paixões que me incomodam.
Alguém me questionou sobre a razão da minha defesa dos EUA. A resposta é que a minha ênfase na defesa é medida em função dos ataques à ela. Como normalmente os ataques são irracionais, a defesa não pode ser diferente.
A admiração pelos EUA, proferida por muitos, contrasta com os ataques proferidos pelos mesmos que se dizem admiradores(!!!). Denotando contradição e confusão mental. O que, devido à nossa criação e nossa geração (somos filhos da guerra fria) é natural. O que não é natural, para mim, é não evoluir.
Os EUA se tornaram potência econômica e militar somente no século 20. Antes disso não era muito mais do que nós brasileiros.
O que aconteceu?! Qual a diferênça?! Princípios, valores, vontade.
Nunca deixaram de ter eleições, inclusive quando estavam em guerra. Constituição? Uma só, que dura dois séculos e pouco.
Permitem a devassa total sobre seu país, isto é, ACEITAM críticas (não expulsam jornalistas que falam que o Presidente da República é um bebum, como aqui). Aliás, os melhores críticos dos EUA são americanos (Gore Vidal é um deles, caro Darth Pinto, assim como Michael Moore e outros). Nem para criticar eles precisam de nós.
País perfeito? Claro que não. Tal coisa inexiste. O mais próximo que as sociedades humanas chegaram da perfeição? Tampouco. Talvez próximo o suficiente para ELES. O que já é muito.
A queda dos EUA, seja lá o que isso signifique, é mais uma torcida apaixonada do que fato. E muitas pessoas inteligentes embarcam nesta. O que também é natural. O meio social intoxica (vejam Deus, há pessoas inteligentes que acreditam!).
O problema com esta “torcida” é que parte-se do princípio que os americanos estão “parados”, esperando acontecer.
Potências anteriores caíram, mas nenhuma democratizou tanto o conhecimento como os EUA. E quem detém o conhecimento, tem pouco a temer.
E mais, se for interessante compartilhar a liderança mundial com outra ou outras nações, eles o farão (como parece ser o caminho). Por necessidade? Sim. Mas não imposto pelos demais (UE, BRICs, etc.).
Não acredito em “queda” dos EUA, mas em uma divisão de poder com outras nações.
A queda total dos EUA não é desejável, nem por seus supostos inimigos.
Outro dia li uma entrevista com o sociólogo Demétrio Magnoli. Ele definiu de forma brilhante o conceito de esquerda e direita. Menos preconceituosa e mais afinado com o que existe nos EUA: “esquerda privilegia a igualdade em detrimento da liberdade”, “a direita privilegia a liberdade em detrimento da igualdade”. A chave é o equilíbrio.
Qual nação mais se aproxima deste almejado equilíbrio?
Um abraço!