Tenho recebido de todo lado notícias sobre amigos meus que estão tendo filhos. Parece que todos se reproduzem como coelhinhos chapados de Viagra, e só eu não pego ninguém… Sabe, lá no Gênesis, Deus fala: “Crescei e multiplicai-vos“, e parece que o pessoal está seguindo a ordem ao pé da letra até hoje. Na verdade, parece que estavam tão afoitos pra começar a putaria, que não tiveram tempo de ler a segunda parte da ordem: “Enchei o mundo“. O mundo já está bem cheio, então creio que a missão foi cumprida com louvor e podemos parar, ok?

De qualquer forma, esses múltiplos nascimentos me fizeram pensar na barra que esses pais vão enfrentar. Não falo de dificuldades monetárias, pois se teve filho, dá teu jeito e sustenta, vagabundo. Nem falo dos restritos métodos disciplinares hoje socialmente aceitos, já que na atualidade é politicamente incorreto “esquentar o couro” dos moleques (mas vamos deixar isso para um post futuro). Refiro-me ao tipo de entretenimento que poderá ser ofertado a essas crianças.

Quando eu era uma criança, havia diversão de qualidade, mesmo para uma criança nerd, gorda e míope como eu. Recordo-me com especial carinho dos desenhos animados que passavam na TV. Pérolas como He-Man, ThunderCats, Pernalonga, Pica-Pau, e outros vários que iam e vinham. Coisa boa, sem muita violência (a violência “engraçada” do Pernalonga não conta), coisa capaz de divertir e criar uma mente sadia. Hoje, a garotada se amarra em Dragon Ball. Eu também em amarro: brigas pra todo lado, porrada na cara, sangue, morte, etc. Muito melhor que um filme do Stalone! Vi outro dia um episódio em que toda a população da Terra morria. Adoro, mas pensaria duas vezes antes de deixar meu filho ver isso e se tornar um futuro psicopata genocida. Outro desenho da moda é Pokemon, psicodélica história onde crianças largam a escola para viajar pelo mundo pegando seres silvestres, transformando-os em animais de estimação, e pondo-os para lutar contra os animais de estimação de outras crianças. Se sua filha pegar aquele lindo cachorrinho poodle que você deu a ela de aniversário, e colocar numa rinha, já sabe de onde veio a inspiração. E não adianta proibir a televisão, pois se fizer isso, seus filhos vão direto pro computador (que por sinal, sabem operar muito melhor que você) ficar vendo sacanagem na internet o dia inteiro, ou vão jogar videogame horas seguidas, tornando-se tão obesos e feios quanto Jabba, The Hutt. Não que a maioria de vocês tenha chance de ter filhos bonitos, mas não precisam ser feios demais, né? Conselho: se seu filho (a) for bonitinho (a), peça um exame de DNA pra confirmar se é mesmo seu. Já se eles forem feios como mafagafos virados ao avesso, deixa pra lá, pois filho feio não tem pai.

Alguns saudosistas dirão: “antigamente era melhor, antes da televisão, etc.”. Será? Vá lá então e bote os moleques pra jogar pelada, soltar pipa ou jogar bola de gude na rua, coisa assim bem bucólica, como nos velhos tempos. Não lê jornal não, seu animalzinho? Se seus filhos ficarem na rua, vão ser atropelados, aliciados por traficantes, seqüestrados por pedófilos ou atingidos por uma bala perdida, talvez tudo ao mesmo tempo. Se o moleque for daqueles altões, pode até ser atingido por um raio. Ou seja, mantenha-os trancafiados em casa. É mais seguro e talvez eles sobrevivam até a pré-adolescência, quando poderão se drogar e engravidar como qualquer criança moderna.