Fatima Dannemann
Rasguem os véus das odaliscas.
Abram os portões dos haréns.
Cessem todas as músicas,
Acabem todas as festas
Joguem fora os doces de tâmara.
Incendiaram a Bagdá de dengos e encantos.
Mataram as fantasias.
Harum-al-Rashid é apenas um nome esquecido.
Simbá o marujo já não precisa navegar
E a lâmpada mágica de Aladim se apagou
Em fantasias perdidas.
Saudades das mil e uma noites,
De tempos em que sonhar era possível.
Saudades de jardins suspensos
E torres mágicas em que os seres humanos
Falavam todas as línguas.
Onde andam os gênios
Que não realizam nossos sonhos de paz?
Onde andam as histórias
Em que todos eram felizes no final?
Mil e uma noite perdidas,
Mil e um sonhos desfeitos
Saudades dos tempos em que toda a guerra
Se resumia em tramas entre as esposas do califa.
Calem as músicas,
Que as tablas não toquem mais por mortos nem feridos,
Que ninguém diga nada
E os minutos de silêncio se prolonguem
Até que o mundo acordem em paz.
Saudades das mil e uma noites,
Lembranças difusas de um tempo
Em que toda fantasia era possível.
Que digam “abre-te, sesamo” na caverna mágica,
E que abram todas as portas e o gênio da paz
Voe radiante sobre o mundo.
Já houve um tempo em que Bagdá brilhava na luz da fantasia
E dos sonhos.
Hoje arde sob a maldade dos homens
Hoje arde sob a insanidade de quem pensa que tem o poder.
Parem de dançar, odaliscas,
E abram as cortinas do harém
Para pedir que parem de derramar o sangue de seus maridos.
Saudades das mil e uma noites
Saudades de gênios, aventuras e fantasias
Saudades de tempos em que a paz era possível.

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