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08/12/2008 - 09:26

Safra deve crescer em 2008

Em novembro, IBGE estima aumento de 9,4% na safra de grãos de 2008

 

Em novembro, a 11ª estimativa da safra nacional de grãos1 para 2008, realizada a partir do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), indica uma produção da ordem de 145,7 milhões de toneladas2, 9,4% superior à obtida em 2007 (133,1 milhões de toneladas). Esse volume é apenas 86.611 toneladas superior ao previsto em outubro. O pequeno acréscimo, de 0,1%, é devido, principalmente, a reavaliações das culturas de inverno, notadamente o trigo. No que se refere à área de grãos a ser colhida, o aumento previsto é de 4,1% frente a 2007, situando-se em 47,2 milhões de hectares. As culturas investigadas que ocuparam as maiores áreas em 2008 foram a soja (21,3 milhões de hectares), o milho (14,4 milhões de hectares) e o arroz (2,9 milhões de hectares). O somatório das safras destes três produtos representa 89,7% da produção nacional estimada de grãos.

O IBGE também realizou em novembro o segundo prognóstico de área e produção para a safra de 2009, nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste e nos estados de Rondônia, Maranhão, Piauí e Bahia3. A produção de grãos em 2009 está estimada em 140,2 milhões de toneladas, 3,8% menor que a de 2008. São divulgados hoje também os principais resultados da Pesquisa de Estoques para o primeiro semestre de 2008.

Na comparação entre as previsões de novembro e outubro para a safra de grãos deste ano, destacam-se os acréscimos nas variações das estimativas de produção dos seguintes itens: aveia (3,3%), cevada (2,7%) e trigo em grão (1,5%).

As duas primeiras (aveia e cevada) são decorrentes das reavaliações nos dados do Rio Grande do Sul, onde, devido às condições climáticas favoráveis, houve ajustes no rendimento médio de ambos os produtos (de 5,8% e 5,0%, respectivamente, atingindo 2.160 kg/ha e 2.400 kg/ha). No caso do trigo, os dois principais estados produtores alteraram seus dados: o Paraná reajustou em 1,6% a sua estimativa; e o Rio Grande do Sul, em 1,4%.

Em termos absolutos, a estimativa de produção de grãos está assim distribuída pelas grandes regiões: Sul, 61,2 milhões de toneladas (42,0%); Centro-Oeste, 50,7 milhões de toneladas (34,8%); Sudeste, 17,5 milhões de toneladas (12,1%); Nordeste, 12,4 milhões de toneladas (8,5%); e Norte, 3,8 milhões de toneladas (2,6%).

Estimativas de novembro de 2008 em relação à safra 2007

Dos 25 produtos selecionados pelo LSPA, 18 apresentam variação positiva na estimativa de produção para 2008, em relação ao ano anterior: amendoim em casca 1ª safra (38,8%), arroz em casca (9,7%), aveia (19,0%), batata-inglesa 1ª safra (0,2%), batata-inglesa 2ª safra (24,1%), batata-inglesa 3ª safra (5,6%), cacau em amêndoa (3,2%), café (24,3%), cana-de-açúcar (18,9%), feijão 2ª safra (32,1%), feijão 3ª safra (5,2%), laranja (0,4%), mamona em baga (40,0%), milho 1ª safra (10,6%), milho 2ª safra (19,3%), soja (3,4%), sorgo (39,9%) e trigo (43,4%).

Com variações negativas, estão o algodão herbáceo em caroço (-2,4%), o amendoim em casca 2ª safra (-5,9%), a cebola (-1,3%), a cevada (-1,0%), o feijão 1ª safra (-8,8%), a mandioca (-1,1%) e o triticale (-10,4%). Vale destacar que para Santa Catarina, os dados estão indefinidos em face das chuvas excessivas que ocorreram do estado.

Resultados do 2º prognóstico para a safra de grãos de 2009

A produção de grãos de 2009 é estimada em 140,2 milhões de toneladas, 3,8% menor que a obtida em 2008. A avaliação inicial da área de grãos a ser colhida é de 47,6 milhões de hectares, 0,9% maior que a da safra de 2008 (47,2 milhões de hectares).

Os principais estados produtores de grãos, até o momento, apresentam normalidade climática e confirmam tendência de implantação de uma safra com uma área pouco superior à deste ano, mas com uma produção menor, por conta dos rendimentos médios esperados, em face dos preços dos insumos, especialmente fertilizantes, numa situação de incerteza em relação às condições futuras de comercialização (preço e mercado). Por outro lado, registram-se as primeiras reavaliações decorrentes das irregularidades no clima, ocorridas, principalmente, no estado de Santa Catarina.

Dentre os dez produtos investigados para o prognóstico, cinco devem apresentar variações positivas em relação à área colhida em 2008: arroz em casca (0,4%), cebola (2,0%), feijão 1ª safra (14,1%), fumo em folha (2,6%) e soja (0,3%). Com variações negativas, devem ficar o algodão herbáceo em caroço (-13,3%), o amendoim em casca 1ª safra (-2,9%), a batata-inglesa 1ª safra (-2,0%), a mandioca (-0,8%) e o milho 1ª safra (-0,5%).

Com relação às produções esperadas, apresentam variações positivas os seguintes itens: arroz em casca (0,8%), cebola (7,4%), feijão 1ª safra (20,9%), fumo em folha (4,4%) e mandioca, com variação absoluta de 756 toneladas. Com variações negativas, ficam o algodão herbáceo em caroço (-14,9%), o amendoim em casca 1ª safra (-6,7%), a batata-inglesa 1ª safra (-2,3%), o milho 1ª safra (-7,4%) e a soja (-0

ALGODÃO EM CAROÇO – O segundo prognóstico da produção de algodão em caroço é da ordem de 3,6 milhões de toneladas, contra 4,0 milhões de toneladas obtidas em 2008, mostrando uma retração de 14,9%. Esse decréscimo se deve basicamente à diminuição da área cultivada, como consequência do desestímulo dos produtores, em face dos altos custos de produção, dificuldades de financiamentos e das baixas cotações do produto. Todas as Unidades da Federação registraram declínio no cultivo, sendo que Mato Grosso, principal produtor (48,8%), reduziu em 20,9% a área a ser colhida e em 20,4% a produção esperada.

ARROZ EM CASCA – A produção esperada de arroz para 2009 é de 12,2 milhões de toneladas, 0,8% superior à obtida em 2008. Esse ganho se deve, especialmente, ao Rio Grande do Sul, principal produtor, que mostra um incremento de 3,0% na produção esperada e de 1,6% na área. Mato Grosso, principal estado produtor de arroz no Centro-Oeste, também apresenta um incremento de 1,4% na área. Tal fato é decorrente das atuais boas cotações do produto e oportunidades de exportação recentemente verificadas. Vale destacar que em Santa Catarina, nas microrregiões de Joinville, Blumenau, Itajaí e Tijucas, já se registra redução no rendimento médio, por causa das chuvas excessivas que assolaram o estado.

FEIJÃO 1ª SAFRA – O segundo prognóstico para a safra nacional de feijão 1ª safra em 2009 aponta para a produção esperada de cerca de 2,0 milhões de toneladas, superando em 20,9% a de 2008. No momento, as condições climáticas são satisfatórias, e os preços bem superiores aos registrados no final de 2006, início de 2007.

MILHO 1ª SAFRA – Para o milho 1ª safra, espera-se uma produção de 37,0 milhões de toneladas, 7,4% inferior à de 2008, devido à retração na área total plantada (-2,8%) e à menor expectativa de rendimento, passando de 3.961 kg/ha para 3.946 kg/ha. Conforme já observado no primeiro prognóstico, os números desfavoráveis para essa safra são decorrentes dos elevados custos de produção e da baixa cotação do produto.

SOJA – O segundo prognóstico de soja praticamente mantém o quadro anterior: a produção esperada (59,8 milhões de toneladas) mostra inexpressiva variação negativa de 0,2% em comparação a 2008. A área a ser colhida (21,3 milhões de hectares) registra um acréscimo de 0,3%, enquanto o rendimento esperado apresenta um decréscimo de 0,5% (2.803 kg/ha).

Soja, milho, arroz e trigo tinham os maiores estoques em 30 de junho de 2008

Os maiores estoques registrados em 30 de junho de 2008 foram os de soja (22.599.405 t), milho (8.217.848 t), arroz em casca (4.623.877 t) e trigo (1.823.546 t). Quando comparados aos existentes em 30 de junho de 2007, os estoques atuais de arroz em casca e soja apresentaram variações positivas de 11,7% e 3,7%, respectivamente, enquanto os de trigo e milho apresentaram quedas de 1,2% e 6,1%, respectivamente.

Os resultados da Pesquisa de Estoques do primeiro semestre de 2008 indicam que a rede armazenadora de produtos agrícolas em operação no país apresentou um decréscimo de 0,2% no número de estabelecimentos ativos, comparativamente ao segundo semestre de 2007. No final do primeiro semestre de 2008, havia 8.980 estabelecimentos ativos, dos quais 42,5% encontravam-se na região Sul, 23,1% na região Sudeste, 22,3% na Centro-Oeste, 8,6% na Nordeste e 3,5% na região Norte.

Quanto à capacidade útil das unidades armazenadoras, constatou-se que as dos tipos armazéns convencionais, estruturais e infláveis somavam 78.578.426 m3, sendo que, desse total, pouco mais de 70,0% estavam concentrados nas regiões Sudeste e Sul. As unidades armazenadoras dos tipos armazéns graneleiros e granelizados totalizavam 52.309.794 t de capacidade útil, sendo que a região Centro-Oeste detinha 49,9% desse total; e a Sul, 34,3%.

Os silos para grãos apresentavam 43.290.835 t de capacidade útil, sendo que 54,3% desse total estão na região Sul, e as regiões Centro-Oeste e Sudeste concentram 26,7% e 13,8%, respectivamente.

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Stephanes: abastecimento interno de grão está garantido

Agencia Estado

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse hoje que o abastecimento do mercado interno está garantido, apesar das expectativas de queda na produção agrícola acima do previsto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Na avaliação da empresa oficial do governo, encarregada de gerir as políticas agrícolas e de abastecimento, deverá haver uma redução de 2,5% na produção agrícola na safra 2008/2009. Já o ministro estimou que a produção pode cair até 5% na safra que já foi plantada e que será colhida no ano que vem.

Segundo a Conab, as quedas mais expressivas, serão no algodão e no milho, de 7,4% e 20,8% respectivamente. No caso do milho, Stephanes disse que a redução da produção será “coberta” pelo volume de estoques, estimado em cerca de 12 milhões de toneladas. Apesar do recuo estimado na produção, ele argumentou que o governo terá de continuar comprando milho para evitar que os preços caiam de forma expressiva, o que pode desestimular o plantio no ano seguinte. Ele disse que a preocupação do governo é em relação à safrinha, que será plantada no primeiro semestre do ano que vem.

Medidas

Uma avaliação das medidas adotadas pelo governo para blindar o setor agrícola dos efeitos da crise financeira internacional será tema de uma reunião marcada para quarta-feira, em Brasília, contou Stephanes. Ele disse que a idéia é reunir “especialistas e inteligências” para tentar traçar estratégias que permitam o apoio do governo para o período de comercialização da safra, a partir do início do ano que vem.

Stephanes reafirmou que a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, é garantir os mecanismos de apoio à comercialização. “Ainda não sabemos se o governo precisará lançar outros mecanismos de apoio, mas se for preciso, faremos”, disse. Ele fez, no entanto, um alerta aos produtores rurais. “Os instrumentos que foram utilizados até aqui serão suficientes para amenizar os impactos da crise, mas não para resolver todos os problemas”, disse.

Para a safra 2009/10, Stephanes disse que provavelmente o governo terá que ofertar mais recursos a juro controlado, hoje em 6,75% ao ano, para compensar a ausência das tradings do financiamento. “O governo vai ter de adotar medidas mais claras e isso vai acontecer por meio dos bancos oficiais”, disse. Ele lembrou ainda que o plantio da próxima safra depende do nível de preços dos fertilizantes. De acordo com ele, não é esperada uma “explosão” no preço do petróleo, cotação que influencia diretamente o preço dos nitrogenados.

Fertilizantes

Ele disse, no entanto, que “é preocupante” a situação do potássio e do fósforo. “Os preços caíram um pouco, mas não vemos espaço para cair mais”, afirmou. Ele classificou como “armadilha” a situação do abastecimento interno de fertilizantes. Stephanes contou que os demais países da região também estão preocupados com o abastecimento de fertilizantes. “Com exceção do Chile, o problema é comum a todos os países da região”, disse.

Ainda sobre esse assunto, ele defendeu a importação direta de matéria-prima para a produção de fertilizantes e a organização dos produtores em grupos para a compra no exterior. Stephanes contou que num primeiro momento o governo está estimulando a visita de empresários brasileiros a países produtores, como Rússia, China, Egito e Polônia. Ele não descartou que posteriormente o governo lance linhas de créditos para importação direta de fertilizantes.

Crise

O gerente de agricultura do IBGE, Mauro Andreazzi, disse que a queda prevista na safra agrícola de 2009, de 3,8% em relação a igual período do ano passado, reflete os efeitos da crise econômica mundial sobre o setor, já que houve redução de crédito, aumento de custos dos insumos e queda nos preços das matérias-primas (commodities).

O IBGE divulgou hoje a previsão de novembro para a safra 2009 que, segundo o instituto, deverá somar 140,2 milhões de toneladas, o que representa uma produção 3,8% inferior à safra anterior. Andreazzi ressaltou que a o volume da safra efetiva a ser colhida costuma mudar muito desde a divulgação das primeiras estimativas do instituto, já que a produção depende de fatores mutáveis, como o clima e o mercado.

Clima

Stephanes acrescentou o clima adverso para o desenvolvimento das lavouras à lista da Conab. “Se as perdas forem de 5%, estará ótimo”, disse o ministro ao divulgar uma nova estimativa da Conab, a terceira para o ano-safra. Ele lembrou que as perdas em Santa Catarina são significativas para os produtores locais, mas não são relevantes para as estatísticas.

Ele disse que pediu aos técnicos da Conab um estudo detalhado sobre os efeitos das enchentes na produção local. O governo federal estima em 200 mil o número de agricultores no Estado catarinense, mas na avaliação de Stephanes, poucos produtores foram prejudicados pelas enchentes. “As chuvas atingiram um número muito pequeno de produtores”, disse.

 

Autor: João Rocha - Categoria(s): Agronegócio Tags:
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