Há 20 anos caía o Muro de Berlim
Devido a um mal-entendido, respondeu à pergunta de um jornalista italiano sobre o momento em que a lei entraria em vigor com uma frase que se tornou famosa: “Pelo que sei, ela entra… já, imediatamente”.
Como a entrevista era transmitida ao vivo e acompanhada tanto na Alemanha Ocidental como na Oriental, esse lapso de comunicação teve consequências abrangentes para a política mundial.
Pressão popular
Pois, logo em seguida, os cidadãos da República Democrática Alemã, de regime comunista, peregrinaram até a fronteira interna em Berlim. Durante três horas, os guardas de fronteira – que não haviam sido informados do novo regulamento – contiveram o afluxo humano.
No mais tardar quando a “TV do Oeste” montou suas câmeras e confirmou a sensacional notícia, ficou claro que naquela noite chegava ao fim a divisão da Alemanha, marcada pela construção do Muro de Berlim em 21 de agosto de 1961.
Tarde da noite, naquele 9 de novembro de 1989, os agentes de segurança suspenderam sua resistência, abriram as passagens de fronteira berlinenses e deixaram as pessoas passarem do Leste para o Oeste e vice-versa, sem que fossem controladas.
Inspiração de Gorbachov
Durante meses, milhares de cidadãos da Alemanha Oriental vinham realizando passeatas e exigindo com veemência reformas políticas. Especialmente as “passeatas de segunda-feira” pelas ruas de Leipzig já tinham se tornado famosas.
Os manifestantes escandiam: “Nós somos o povo!” e “Gorbil! Gorbil!”, referindo-se ao secretário-geral do partido comunista russo, Mikhail Gorbachov. Desde 1985, ele vinha realizando reformas na União Soviética, numa nova política que os habitantes da RDA também desejavam para si.
Porém, por total falta de espírito reformista, o governo de Erich Honecker bloqueara as mudanças, precipitando, assim, seu próprio fim.
Fruto da falta de confiança
Em 18 de outubro de 1989, Honecker fora substituído por Egon Kreuz no cargo de secretário-geral do partido e presidente do Conselho de Estado. Porém, nem isso pôde conter a derrocada do governo comunista da RDA.
Em 4 de novembro, cerca de meio milhão de pessoas haviam se reunido na praça Alexanderplatz, em Berlim Oriental, para protestar em prol de uma reforma do Estado. A partir dessa poderosa manifestação, ficou claro que o novo governo não contava com a confiança popular.
Cinco dias mais tarde, era aberto o Muro. Ao mesmo tempo, tornavam-se cada vez mais fortes as exigências de que se fundissem os dois Estados da Alemanha.
Resistência inglesa e francesa
Algumas semanas após a queda do Muro de Berlim, e em meio ao clamor crescente pela reunificação, iniciou-se, às vésperas do Natal de 1989, um intenso tráfego diplomático na RDA.
A França e a Inglaterra, em especial, mostravam-se ressabiadas diante da perspectiva de uma Alemanha grande e economicamente forte, no centro do continente. Elas tentaram, se não impedir, pelo menos subordinar a certas condições políticas a união da República Federal da Alemanha (RFA) e da República Democrática Alemã.
Entre o povo e as potências europeias
O chanceler federal da RFA, Helmut Kohl, registrou publicamente tais temores num discurso acompanhado pelo mundo inteiro, diante das ruínas da igreja Frauenkirche, de Dresden, em 19 de dezembro.
Naquela noite, Kohl confirmou, por um lado, a intenção de respeitar a vontade da população da RDA, qualquer que ela fosse. Por outro lado, reconheceu que uma unidade alemã só seria possível “numa casa europeia”. A unidade alemã e do continente eram, portanto, dois lados de uma mesma moeda.
Dessa forma, o chefe de governo rechaçava peremptoriamente uma Alemanha reunificada neutra, num posicionamento que lhe valeu o aplauso frenético dos cidadãos da RDA presentes.
Ainda assim, dois dias mais tarde, o então presidente francês, François Mitterand, voou para a RDA a fim de evitar uma “anexação” desta à RFA. No início de 1990, o processo de unificação de ambos os Estados alemães foi integrado num contexto internacional, o qual considerava tanto os interesses dos alemães quanto o das potências aliadas vencedoras da Segunda Guerra Mundial. MATERIAL PRODUZIDO PELO PORTAL DW.WORLD.DE
Autor: Matthias von Hellfeld
Revisão: Soraia Vilela
9 de novembro: um dia fatídico para a Alemanha
O fim da antiga Alemanha Oriental, de regime comunista, deflagrou o desmoronamento de todos os regimes socialistas na Europa, colocando um ponto final no conflito Leste-Oeste e mudando completamente o mapa político do mundo.
O 9 de novembro de 1989 foi, portanto, um dia que mudou o destino da Alemanha e da Europa. Mas já desde os primórdios do século 20 a data foi marcada por acontecimentos importantes.
No dia 9 de novembro de 1918, o social-democrata Philipp Scheidemann proclamou a República na Alemanha, de uma sacada do Reichstag em Berlim. “A monarquia, essa coisa velha e podre, desmoronou-se. Viva o novo, viva a República alemã!”, exclamou ele em discurso dirigido aos trabalhadores e soldados.
A jovem democracia enfrentou desde o princípio toda uma série de dificuldades, sendo atacada tanto pela esquerda como pela direita. A 9 de novembro de 1923, os nacional-socialistas de Munique realizaram uma passeata que entrou para a história, em direção ao pavilhão da Feldherrnhalle, no centro da capital bávara, numa tentativa frustrada de golpe contra o governo central. À frente do movimento, encontrava-se o então ainda desconhecido Adolf Hitler, que dez anos mais tarde assumiria o poder na Alemanha, dando início ao processo histórico que culminou na maior catástrofe que já abalou o mundo: a Segunda Guerra Mundial.
No caminho que conduziu a ela, os judeus na Alemanha foram sendo progressivamente privados de seus direitos, antes de ser sistematicamente aniquilados a partir de 1942. Em 9 de novembro de 1938, portanto antes ainda do início da guerra, sinagogas foram incendiadas, lojas de judeus foram assaltadas e saqueadas em toda a Alemanha. Aproximadamente 100 judeus foram assassinados e 26 mil transportados para campos de concentração.
O episódio, que ficou conhecido como Noite dos Cristais, é o mais terrível entre os acontecimentos históricos ocorridos num 9 de novembro. Um contraste maior, em relação ao 9 de novembro de 1989, impossível. (lk). MATERIA PRODUZIDA PELO PORTAL DW.
Tudo sobre o Muro de Berlim
Há 20 anos caía o principal símbolo da Guerra Fria. Vídeos, textos e imagens contam as histórias da construção e da queda do Muro, relatam tentativas de fuga dos alemães-orientais e apresentam a Alemanha reunificada. »
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