A CHINA VISTA PELO GOVERNO E POR ANALISTAS
| Mundo harmonioso” evidencia características chinesas e projeta um belo futuro do mundo |
| 2009-09-29 17:26:47 cri |
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“Mundo harmonioso”, uma expressão cheia da sabedoria oriental que tem sido frequentemente citada em importantes ocasiões internacionais, contando a cada dia com o reconhecimento de mais países do mundo. “Devemos respeitar o direito de escolha autônoma de cada país, de seu sistema social e caminho de desenvolvimento, além de buscar promover a revitalização e desenvolvimento desses países conforme suas próprias realidades. Devemos ainda preservar a diversificação das civilizações com um espírito aberto e de igualdade, e reforçar diálogos e intercâmbios entre as diferentes civilizações para criar um ‘mundo harmonioso’ onde todos coexistam pacificamente.” Foram as palavras do presidente chinês, Hu Jintao, na Cúpula do 60º aniversário de fundação da ONU, realizada em 15 de setembro de 2005. Na ocasião, Hu Jintao fez pela primeira vez a proposta de um “mundo harmonioso”. O discurso do presidente da China revelou ao mundo a aspiração por paz e desenvolvimento de uma nação responsável que acredita ser possível construir, ao lado de outros países, um mundo de paz, prosperidade e harmonia. O vice-diretor do Instituto das Relações Internacionais da Universidade Renmin da China, Jin Canrong, esclareceu dessa forma o conceito de “mundo harmonioso”: “O conceito de “mundo harmonioso” tem sua origem na cultura tradicional chinesa, refletindo as características do pensamento e cultura dos chineses. A sociedade oriental enfatiza a harmonia. Ela também tem a ver com as concepções diplomáticas seguidas pelo país desde a fundação da Nova China. Exemplos disso são os Cinco Princípios de Coexistência Pacífica e de Desenvolvimento Pacífico.” Para o vice-diretor do Instituto de Estudos sobre Economia e Política Mundiais da Academia de Ciências Sociais da China, Wang Yizhou, a expressão “mundo harmonioso” tem origem e desenvolvimento nos Cinco Princípios de Coexistência Pacífica. Já o diretor do Departamento de Planejamento Político do Ministério das Relações Exteriores, Le Yucheng, afirmou que os fatos comprovam a forte vitalidade dessa concepção diplomática: “O presidente Hu Jintao apresentou em 2005, na Assembleia Geral da ONU, a ideia estratégica de promover a construção de um “mundo harmonioso”. Quatro anos se passaram e grandes mudanças puderam ser percebidas no mundo. Guiada por esta concepção, a diplomacia chinesa também tem obtido grandes êxitos, especialmente nesses tempos de crise financeira, que vêm provando que o mundo precisa de paz, estabilidade e harmonia.” Lembrando o percurso da diplomacia chinesa, é de notar que a China não é apenas um formulador de ideias, mas um praticante delas. A concepção “mundo harmonioso” determina a direção básica para o estabelecimento de uma nova ordem internacional, fato a cada dia mais aceito pela Comunidade Internacional. A China tem participado ativamente da construção de uma nova ordem mundial. Le disse que para concretizar a aspiração de um “mundo harmonioso”, devemos seguir firmemente o caminho de desenvolvimento da paz, bem como combinar a preservação dos próprios interesses aos interesses fundamentais e de longo prazo do mundo. Na tarde do dia 23 de setembro de 2009, horário do leste dos EUA, foram realizados na sede da ONU os debates gerais da Assembleia Geral da entidade. Na ocasião, o presidente chinês fez outro importante discurso: “Diante das oportunidades e desafios sem precedentes, a Comunidade Internacional deve continuar a avançar de mãos dadas, observando as concepções de paz, desenvolvimento, cooperação, benefício recíproco e tolerância, a fim de promover a construção de um “mundo harmonioso” de paz duradoura e prosperidade comum.”
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Mundo | 30.09.2009
Opinião: Festividades dos 60 anos da República Popular da China ecoam no vazio
Neste 1° de outubro, a República Popular da China faz 60 anos, e tem realmente o que comemorar. As festividades em Pequim, no entanto, evitam um olhar crítico sobre o próprio passado, opina Matthias von Hein.
O escritor britânico George Orwell cunhou certa vez a frase: “Quem controla o presente, controla também o passado. E quem controla o passado, controla o futuro”. Na China, o Partido Comunista controla o presente. E, assim, o partido também é subjugado pelo passado. Isso pode ser percebido, por exemplo, na figura de Mao Tsé-tung. Por todo o país, estão sendo restauradas suas estátuas. Nos cinemas, ele é festejado como herói e salvador do país.
O olhar embelezador sobre o passado omite as catastróficas campanhas em massa: a Revolução Cultural, por exemplo, ou também o “Grande Salto para a Frente”. Nesta, que foi uma das maiores misérias da história desencadeadas pelo homem, há quase 50 anos, estima-se que morreram 30 milhões de pessoas. Não há debates públicos a respeito disso. E mesmo os historiadores têm dificuldades em pesquisar e publicar a este respeito.
Nas celebrações pelos 60 anos de fundação da República Popular da China, paira a ameaça de que encenação e realidade possam se distanciar. A China se apresenta com força através de uma parada militar de calibre especial. Mas, do lado de dentro, a preocupação em relação à estabilidade é tão grande que, por razões de segurança, a venda de facas de cozinha foi proibida em Pequim, enquanto soldados foram enviados às ruas armados com metralhadoras.
A China quer se mostrar como uma família feliz de muitos povos. Mas a região autônoma do Tibete foi bloqueada para grupos de estrangeiros antes do dia das celebrações. As medidas de segurança para a comemoração dos 60 anos de fundação da República Popular ultrapassam em muito aquelas tomadas durante os Jogos Olímpicos no país.
Apesar de todas as promessas de “harmonia” e “estabilidade”, a liderança da China parece estar tomada de profunda desconfiança em relação à própria população. “Pão e circo” devem acalmar o povo, detendo-o de maiores questionamentos. E a China, nos últimos 60 anos, certamente alcançou muita coisa de que pode se orgulhar.
A ascensão econômica dos últimos 30 anos não tem precedentes na história. Centenas de milhões de pessoas puderam se libertar da mais absoluta miséria. Até mesmo o Banco Mundial cita a China como o caso mais bem-sucedido no combate à pobreza. O sistema educacional chinês fez enormes progressos. Mais de 20 milhões de estudantes frequentam as universidades do país. E a China dispõe das maiores reservas de divisas do mundo.
Mesmo assim, os líderes chineses demonstram surpreendentemente pouca soberania. Eles não reagem a críticas com a serenidade do mais forte, mas sim com o nervosismo do mais fraco. Dissidentes são presos, e as manchas negras da história são simplesmente retocadas. Sob esses auspícios, as festividades na Praça Tian An Men irão soar vazias e insossas. material produzido pelo portal DW WORLD.DE
Autor: Matthias von Hein
Revisão: Augusto Valente
Análise: Só com reformas PC conseguirá ficar mais 60 anos no poder
Marina Wentzel
De Hong Kong para a BBC Brasil
O Partido Comunista chinês terá que passar por severas reformas democráticas para permanecer no poder por mais 60 anos, acreditam especialistas ouvidos pela BBC Brasil.
“Somente com um milagre” o partido conseguiria conduzir o país com a mesma mão de ferro nas próximas décadas, tendo em vista que a população é cada vez mais rica, educada e exposta à cultura ocidental, segundo o historiador especializado em China, Xu Guoqi, da Universidade de Hong Kong.
“Para permanecer no poder, o partido precisa garantir crescimento econômico, estabilidade social e uma política externa em sintonia com os interesses nacionais. Atingir tudo isso sem reformas políticas é uma missão impossível”, diz Xu.
Para Vivian Jing Zhan, da faculdade de Administração Pública da Universidade Chinesa de Hong Kong, “o PC chinês vai ter que alargar a base e incorporar as opiniões do público em geral no processo legislativo ao invés de se fiar pela liderança da elite”.
Já outros analistas não acreditam que reformas sejam suficientes para manter o PC no poder.
“Eu não vejo como o partido pode durar outros 60 anos. Décadas de desenvolvimento econômico e engenharia social deixaram o povo chinês atento, positivo e confiante. Agora o processo de mudança adquiriu momento e não vai mais parar”, aposta Gordon Chang, autor do livro The Coming Collapse of China (O Vindouro Colapso da China, em tradução livre).
Reformas democráticas
Ciente de que a prosperidade econômica demanda maior abertura política, o PC estuda aumentar o nível de democracia interno e vem debatendo a possibilidade de introduzir o voto direto para os 75 milhões de membros do partido na eleição de lideranças nacionais.
A ideia, no entanto, não significa um passo concreto em direção ao modelo ocidental de democracia, pois apesar de os 75 milhões de membros do partido superarem em número a população do Reino Unido, eles correspondem a apenas 0,57% dos 1,3 bilhão de chineses.
Há cerca de duas semanas o presidente Hu Jintao voltou a defender em um discurso que o país precisa se manter fiel ao “socialismo com características chinesas” e rejeitar as pressões para “copiar o modelo ou padrão ocidental”.
“Eles estão cogitando eleições internas no partido exatamente porque o PC não está disposto a ceder o monopólio de poder que tem sobre a China”, afirma o cientista político Joseph Cheng, da City University de Hong Kong.
Legitimidade
O partido comunista ascendeu ao poder em 1949 depois que as forças populares lideradas por Mao Tsé-Tung expulsaram os soldados nacionalistas do Kuomintang, comandados pelo generalíssimo Chiang Kai-shek, para a ilha de Taiwan.
Sob o poder de Mao, entre 1949 e 1976 a China experimentou o fracasso do socialismo utópico com o “Grande Salto Adiante” e o caos da “Revolução Cultural”, até que, em 1978, Deng Xiaoping deu início às reformas econômicas que resultaram no progresso testemunhado atualmente.
“A legitimidade do partido hoje vem da melhora na situação de vida dos chineses”, resume Joseph Chang. São os números econômicos que motivam a obediência do povo à liderança comunista, diz ele.
Atualmente a China é a terceira maior economia do mundo. Desde 1949 o Produto Interno Bruto cresceu 77 vezes, com um ritmo médio de expansão de 8,1% ao ano.
A renda per capita já aumentou 32,4 vezes, supera US$ 3,000 ao ano, e segue crescendo na média 6,5% anualmente.
O comércio internacional progrediu de US$ 1,13 bilhão em 1950 para US$ 2,5 trilhões em 2008 e o país acumula mais de US$ 2 trilhões de dólares em reservas.
“Sem as reformas econômicas o partido teria deixado de existir”, afirma Xu Guoqi.
“Essa é a principal diferença em relação aos outros partidos comunistas do mundo. Os chineses perceberam a tempo a importância do desenvolvimento econômico para justificar a legitimidade” resume o historiador.
Repetindo o que foi feito na economia, “quanto mais cedo o partido adotar reformas políticas, melhor será pra ele”, conclui Xu Guoqi.