VEJA QUANTO O GOVERNO MOBILIZOU NA CRISE E O DESEMPREGO NOS PAÍSES RICOS
Brasil mobilizou R$ 483 bilhões em medidas de combate à crise

Para analistas, montante foi suficiente para ‘blindar’ economia
Um ano depois do agravamento da crise financeira internacional, as medidas anticíclicas adotadas pelo governo brasileiro somam R$ 483 bilhões, o que, na visão de economistas, mostrou-se “suficiente” para blindar a economia nacional de um impacto maior.
Desse total, R$ 15 bilhões sairão diretamente do caixa do governo, por meio da redução de impostos. Outros R$ 6 bilhões de gastos para construção de casas também estão previstos no orçamento deste ano.
A maior parte das medidas, no entanto, não teve impacto fiscal. Cerca de R$ 289 bilhões foram colocados à disposição do mercado pelo Banco Central, principalmente pela redução do compulsório bancário – dinheiro que pertence às instituições financeiras que fica retido pelo BC.
Esses recursos não entram na contabilidade fiscal do governo e nem chegaram a ser totalmente utilizados. Mas, segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, Pedro Paulo Silveira, foram “essenciais” em um momento delicado da crise.
“O crédito no país secou em poucos dias. A reação do BC no início desse processo foi crucial”, diz o economista.
Fôlego
Com a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro do ano passado, as instituições financeiras no Brasil e no mundo reduziram os empréstimos, prejudicando o caixa das empresas.
PRINCIPAIS MEDIDAS
Na esfera do Banco Central (compulsório, leilões de câmbio, etc.): R$ 289,15 bilhões
Crédito para exportadores via BNDES: R$ 5 bilhões
Crédito para setor agrícola via Banco do Brasil: R$ 6 bilhões
Crédito para empresas (BNDES e Banco do Brasil): R$ 19 bilhões
Crédito para aquisição de bens de consumo (Caixa Econômica Federal): R$ 2 bilhões
Medidas de isenção fiscal: R$ 15 bilhões
Liberação de FGTS: R$ 10 bilhões
Adicional para o BNDES: R$ 100 bilhões
Captação do Tesouro no exterior: R$ 1 bilhão
Aumento do seguro-desemprego: R$ 2,2 bilhões
Pacote habitacional: R$ 34 bilhões
Total: R$ 483,35 bilhões
Uma das primeiras medidas anunciadas pelo governo brasileiro, a liberação do compulsório – que no total somou R$ 100 bilhões – deu fôlego ao mercado de crédito no país.
O economista Celso Grisi, do Instituto de Pesquisas Fractal, diz que a liberação do compulsório e o aumento da verba para empréstimos via BNDES (R$ 100 bilhões) conseguiram manter o mercado interno “ativo”.
“Não importa tanto se o dinheiro foi realmente utilizado. O fato de ter sido colocado à disposição é que permitiu ao Brasil passar pelo auge da crise sem pânico”, diz.
Impostos
Preocupado com a queda no consumo, o governo decidiu, a partir de novembro, reduzir impostos sobre alguns produtos, como automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção.
Na avaliação de Grisi, a escolha desses setores foi “acertada”. “Não apenas porque estimulam outros setores da indústria, mas também por serem grandes empregadores”, diz.
Um levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a isenção de IPI sobre o setor automotivo ajudou a “salvar” até 60 mil empregos (diretos e indiretos) no primeiro semestre deste ano.
Uma das críticas ao programa de desoneração fiscal implementado pelo governo diz respeito ao “efeito antecipação”: a redução dos impostos teria apenas antecipado a decisão de compra, sem exatamente estimular a criação de um novo público consumidor.
O número de emplacamento de novos veículos, que vinha crescendo de fevereiro a junho, registrou queda em julho, sinalizando um possível desaquecimento das vendas. Na avaliação de Grisi, esse é um efeito “natural e até esperado”.
“O governo ajudou em um momento de emergência, mas o pior já passou. A partir de outubro, o IPI dos carros volta a ser cobrado e caberá às empresas encontrar formas de manter as vendas aquecidas”, diz Grisi.
Investimentos
Ao contrário do que ocorreu na maioria dos países ricos – como Estados Unidos e Japão – os investimentos públicos tiveram peso limitado nas medidas anticíclicas adotadas no Brasil.
De janeiro a julho deste ano, os investimentos do governo federal cresceram 16,7% em relação a 2008, somando R$ 15 bilhões. No mesmo período do ano passado, ou seja, antes do estouro da crise, os investimentos haviam crescido 48% sobre o ano de 2006.
Na avaliação de Grisi, o fato de os gastos com custeio (despesas fixas) terem crescido a uma velocidade maior do que os investimentos “não combina” com um momento de crise.
“O governo não deu a resposta que deveria ter dado no que diz respeito aos investimentos. Ao mesmo tempo, o reajuste do funcionalismo público foi agressivo. Isso vai pesar nas contas públicas”, diz o economista.
Já Pedro Paulo Silveira, da Gradual Investimentos, não vê com surpresa o baixo nível de investimento público durante a crise.
“O governo tem em mãos uma planilha de investimentos de longo prazo que está submetida a questões legais e burocráticas”, diz. “Isso não muda facilmente”, acrescenta.
Um exemplo é o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida – que, apesar de ter sido lançado em meio à crise financeira, só estará totalmente finalizado no final de 2010.
O Globo
Manchete: Orçamento tem R$ 10 bi de despesas sem receita
Maior empreendimento hidrelétrico em elaboração no mundo, a usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, enfrenta atrasos na sua licitação.
Há problemas, por exemplo, na definição do cálculo do preço das tarifas, envolvendo gastos na construção de canais. Enquanto o governo estimou o valor da obra entre R$ 17 bilhões e R$ 22 bilhões, empresários do setor elétrico divergem e asseguram que vale, no mínimo, R$ 30 bilhões. (págs. 1 e 17)
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ter obtido crédito de US$ 2,2 bilhões para compra de mísseis terra-ar, sistemas de defesa antiaérea e veículos blindados da Rússia. Um programa nuclear também será desenvolvido com ajuda russa. (págs. 1 e 21)
Obituário
Chamado de pai da “Revolução Verde” por ter desenvolvido técnicas agrícolas que ampliaram a produção de alimentos, Norman Borlaug, 95 anos, morreu de câncer. Ele ganhou um Nobel da Paz por ter salvado milhões da fome. (págs. 1 e 15)
Um chinês renascentista
Um dos maiores nomes da arte contemporânea asiática, o escultor chinês Ai Weiwel ganha ampla retrospectiva de sua obra em Tóquio. (págs. 1 e Segundo Caderno)
Com a vitória de ontem, no GP da Itália, Rubens Barrichello mantém a vice-liderança do campeonato, agora a 14 pontos do líder Jenson Button. Para o brasileiro não basta vencer as quatro provas restantes. Mesmo nessa hipótese, se Button for segundo em todas elas, ganha o título. (págs. 1 e D1)
Governadores usam R$ 3,6 bi da saúde em outros gastos
MEC suspende 10 vestibulares de pedagogia
Os governos dos países poderosos jamais deixaram de intervir na economia, diz a pesquisadora australiana Linda Weiss. Para a especialista em desenvolvimento comparado, na Ásia o ativismo se dá de modo explícito. Já nos EUA, a intervenção ocorre pela “máquina de encomendas” militar. (págs. 1 e A18)
48 apadrinhados foram identificados só no Tribunal de Justiça da Paraíba
Indústria brasileira prepara retomada
A indústria nacional prepara-se para voltar a crescer. Pela primeira vez desde o início da crise mundial, fabricantes de máquinas têm registrado aumento de consultas de indústrias interessadas em comprar equipamentos mais modernos. A renovação, que indica retomada de investimentos, deve fazer o setor puxar o reaquecimento da economia em 2010. (págs. 1 e B1)
O governo chinês anunciou que abrirá uma investigação sobre as importações de carros e frangos dos Estados Unidos por suspeita de dumping – vendas abaixo do custo para prejudicar a concorrência. A medida é uma resposta da China à decisão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de aumentar as taxas de importação de pneus chineses, de 4% para até 35%, tomando crescente a tensão comercial entre os dois países. (págs. 1 e Tema do dia A2 e A3)
Mercado interno ajudou a vencer a crise. (págs. 1 e A8)
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal montou uma força-tarefa para julgar 20 mil processos até o fim do ano. O mutirão é uma resposta à queixa da sociedade sobre a morosidade do Judiciário e atende também a uma resolução do Conselho Nacional de Justiça. Para resolver a pendência, o tribunal baixou uma série de normas. Os juízes deverão dar prioridade aos casos anteriores a 2005, e os servidores terão de reagendar férias e licenças previstas para outubro. “Vamos surpreender. O tribunal está empenhado nesse trabalho”, destaca Nívio Gonçalves, presidente do TJDF. A tarefa, complexa, depende também de fatores externos, como disponibilidade de documentos e até mesmo a localização dos réus. Além de agilizar os processos, o Judiciário brasiliense vai ampliar o atendimento das audiências de conciliação e pretende viabilizar mais de 600 acordos. (págs. 1 e 31)
Caso Villela fica mais embaralhado
Antes concentrada no apartamento da 113 Sul, polícia direciona as investigações para o trabalho de José Guilherme e vai apurar as principais causas defendidas pelo advogado. Adriana Villela não esteve sábado na 1ª DP, como informou o Correio (págs. 1 e 21)
Ministro dá uma mãozinha
Repórter Lúcio Vaz obtém vídeo no qual titular da pasta dos transportes, Alfredo Nascimento, atende pedido de liberação de recursos de um parlamentar para uma obra de R$ 89 milhões. Deputado em questão negocia entrada no partido de Nascimento (págs. 1, 2 e 3)
Ameaça ao preço do pão
Chuva em excesso deve provocar perda de até 25% da próxima colheita de trigo, o que pode elevar o valor do pãozinho. (págs. 1 e 12)
Para limpar mares e rios
Petrobras e UFRJ desenvolvem um detergente criado a partir de bactérias, que promete eliminar manchas de óleo. (págs. 1 e 20)
Desemprego poderia chegar a 10% em países ricos
A recuperação da economia mundial não impedirá que o desemprego continue crescendo em países ricos, de acordo com relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Segundo a organização, 15 milhões de empregos desapareceram entre o fim de 2007 e julho de 2009 nos 30 países que a organização engloba – a maioria deles na Europa.
A média de desemprego para a área da OCDE chegou a 8,5% em julho – o índice mais alto desde o fim da Segunda Guerra Mundial -, e pode até se aproximar de 10% de acordo com o relatório, com 57 milhões de pessoas sem trabalho.
Estados Unidos, Irlanda e Espanha foram os países mais atingidos mais cedo e mais duramente pela recessão, em grande parte porque as três economias foram golpeadas pelo colapso da bolha da construção da casa própria.
A recessão espalhou-se rapidamente por outras indústrias e países, tornando-se a mais profunda recessão global do pós-guerra.
Desde o começo da recessão, em dezembro de 2007, o desemprego nos Estados Unidos cresceu de 4,8% para 9,7% em julho – a taxa mais alta dos últimos 25 anos.
Estímulo ao mercado de trabalho
O desemprego aumentou a um ritmo muito menos acentuado em vários outros países da OCDE, inclusive em economias grandes como as da Alemanha, Itália e Japão. Levou mais tempo para que estas três nações sentissem os efeitos do desaquecimento da economia global.
O secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, recomendou aos governos que atuem de maneira rápida e decisiva para impedir que a recessão se torne uma crise de desemprego de longo prazo.
“Emprego é a consequência final da atual crise. É essencial que os governos se concentrem em ajudar os que procuram emprego nos próximos meses.”
Gurría também defendeu uma resposta política coordenada para a crise.
A OCDE disse ainda que no curto prazo as medidas adotadas pela maioria dos países da OCDE para estimular a oferta de empregos teve um papel positivo. Entre essas medidas estariam a redução temporária das contribuições dos empregadores à seguridade social e subsídios no curto prazo para compensar trabalhadores que tiveram que reduzir sua jornada de trabalho e subsídios para encorajar empresas a contratarem funcionários.
“As perspectivas do mercado de trabalho seriam ainda piores se os governos não tivessem adotado política de expansão monetária e (política) fiscal”, disse a OCDE.
A organização estima que os gastos dos governos em projetos contra a recessão vão levar a um aumento de vagas de emprego entre 0,8 e 1,4% a mais do que se não tivessem sido adotadas medidas nesse sentido.
“O maior risco é que parte desse grande aumento do desemprego se torne estrutural por natureza”, disse o grupo.
A OCDE recomendou aos governos que prestem atenção especialmente para impedir uma “geração perdida” de jovens que fiquem desempregados por um longo período.
Um total de 30 países fazem parte da OCDE: Austrália, Áustria, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Itália, Japão, Coreia do Sul, Luxemburgo, México, Holanda, Nova Zelândia, Noruéga, Polônia, Portugal, Eslováquia, Espanha, Suécia, Suíça, Turquia, Grã-Bretanha e Estados Unidos.
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Editorial
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