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03/07/2009 - 09:57

Proteção climática

Proteção climática é insuficiente entre países do G8, critica relatório

 

Estudo encomendado pela ONG ambientalista WWF e pela seguradora Allianz faz uma comparação entre as nações do G8 e as principais potências emergentes, entre elas o Brasil.

 

 

Nenhum dos países do G8 adotou até o momento medidas suficientes contra as mudanças climáticas, critica o relatório da consultoria Ecofys divulgado nesta quarta-feira (01/07) em Berlim. A análise foi encomendada pela seção alemã da ONG ambientalista WWF e pela seguradora Allianz.

Na avaliação, foram considerados os avanços conquistados desde 1990, a atual situação da proteção climática em cada país e as medidas políticas planejadas. Além das nações do G8, foram avaliados também os principais países emergentes: China, Índia, Brasil, México e África do Sul.

A uma semana da cúpula do G8 na italiana Áquila, o WWF e a Allianz exortaram as nações industrializadas a investir 2 bilhões de dólares ainda em 2009 em medidas emergenciais para impedir o aquecimento do planeta.

G8

O documento afirma que, na comparação entre os países do G8, a Alemanha é líder na adoção de medidas para combater o aquecimento global. Logo a seguir vêm o Reino Unido e a França. O G8 é composto ainda por Estados Unidos, Itália, Canadá, Japão e Rússia.

Alemanha, Reino Unido e França já alcançaram as metas de redução de emissões definidas no Protocolo de Kyoto, mas, segundo o relatório, os resultados obtidos e as medidas planejadas a longo prazo não são suficiente para manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC.

O relatório critica a Alemanha por não ter ainda apresentado uma estratégia convincente para chegar, em 2050, a uma geração de energia que utilize pouco carvão. O Reino Unido é elogiado por ter sido o único país a ancorar a proteção climática na sua legislação.

Já os Estados Unidos, afirma o documento, fizeram mais pela proteção climática nos seis primeiros meses de 2009 do que nas três décadas anteriores.

Emergentes

Os cinco países emergentes avaliados já apresentaram ou vão apresentar planos de proteção climática, apesar de não terem metas obrigatórias estipuladas no Protocolo de Kyoto, diz o relatório.

A África do Sul pretende reduzir em 30% suas emissões até 2050, e o México, em 50%. China e Índia são elogiadas por investir fortemente em energias renováveis e, segundo o relatório, possuem metas ambiciosas para elevar a eficiência energética. Ainda assim, nos dois países asiáticos as emissões crescem em ritmo acelerado, diz o documento.

O Brasil é elogiado por seu engajamento no combate ao desmatamento, principal fonte de emissões de gases do efeito estufa no país.

Confira um resumo da análise para os países do G8, seguindo a ordem deles no ranking do relatório.

Alemanha – As metas definidas em Kyoto foram alcançadas, ainda que para isso tenha contribuído o desmantelamento da indústria da antiga Alemanha Oriental. Pontos positivos são, principalmente, o uso cada vez maior de energias renováveis e a meta de reduzir as emissões de CO2 em 40% até 2020. A Alemanha, porém, tem desempenhado cada vez menos um papel de liderança no contexto internacional.

Reino Unido – As metas definidas em Kyoto também foram alcançadas e há o comprometimento de reduzir as emissões de CO2 em 80% até 2050. Ponto positivo é a substituição do carvão pelo gás na geração de energia. O país apresenta, porém, piora no uso de energias renováveis.

França – Os baixos níveis de emissão de gases estufa são obtidos principalmente pelo amplo uso de energia nuclear, o que é criticado pelo WWF. As emissões de CO2 também diminuem em ritmo lento.

Itália – Os níveis per capita de emissão de CO2 são baixos devido à estrutura econômica do país. Mas as emissões estão subindo e estão muito acima dos níveis estipulados em Kyoto. Falta para o país uma política climática eficaz.

Japão – Os baixos níveis de emissões de gases estufa são obtidos principalmente por meio do alto grau de eficiência da indústria, além do uso de energia nuclear. Ainda assim, as emissões de CO2 estão acima dos níveis de 1990 e, dessa forma, muito além dos limites definidos em Kyoto. As metas de redução de emissões para 2020 são insuficientes.

Rússia – Os níveis de emissões relativamente baixos em comparação a 1990 estão relacionados com a reestruturação da indústria no início dos anos 1990. As emissões de CO2 sobem continuamente desde 1999 e pouco é feito contra isso.

Estados Unidos – As emissões per capita de CO2 são maiores do que em qualquer outro país do G8 e continuam subindo. Mas, após anos de marasmo, o novo governo está finalmente adotando esforços em favor da proteção do clima.

Canadá – As emissões de CO2 sobem continuamente e estão muito acima da meta de Kyoto. Não há objetivos apropriadas de proteção climática. MATÉRIA DO PORTAL DW WORLD.DE

AS/dpa/afp

Revisão: Roselaine Wandscheer

 

Exemplos de energia eólica na Alemanha poderão ser usados no Brasil

Dardesheim é uma pequena cidade ao leste da Alemanha, com pouco mais de 900 habitantes. No entanto, uma característica a coloca numa posição de destaque: ela produz 40 vezes mais energia do que os moradores consomem. E de fontes 100% renováveis.

O projeto de transformar a região em exemplo de energia limpa começou em 1993, quando foi instalada a primeira turbina eólica na cidade. O parque de usinas do município atrai visitantes do mundo inteiro em busca de soluções em fontes não poluentes. O modelo de Dardesheim chamou a atenção também do Brasil: uma delegação do setor enérgico passou a semana na Alemanha em busca de orientações.

“Ficamos impressionados com o avanço na área de energia eólica. Viemos buscar respostas para problemas de instabilidade desse tipo de energia e a Alemanha tem muita tecnologia”, ponderou Armando Silva Filho, da Aneel, Agência Nacional de Energia Elétrica.

Representantes do ONS, Operador Nacional do Sistema, e da EPE, Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia, também acompanharam a visita. “O que vimos em Dardesheim é o futuro da energia limpa. Gostaríamos de levar o exemplo para o Brasil, mas um projeto como esse só poderia ser implantando em longo prazo”, avaliou Amilcar Guerreiro, diretor da EPE.

Para seguir a vocação de cidade modelo, Dardesheim vai receber do governo alemão 10 milhões de euros nos próximos anos para continuar investindo em energia renovável. “Achamos que esse é um excelente lugar para demonstrar que é possível investir e confiar nas energias renováveis, seja eólica, solar ou biomassa”, disse Torsten. Schwab, membro da comissão alemã que trabalha em parceria com o Brasil.

Futuro eólicoAs turbinas de energia eólica no Brasil ainda são raras. As primeiras foram instaladas no Nordeste e no Rio Grande do Sul há aproximadamente cinco anos. Na Alemanha, é comum avistar as hélices em movimento: são mais de 19 mil espalhadas por todo o território.

 

Mas a energia eólica pode ficar mais usual para os brasileiros. Em novembro, o Brasil realiza o primeiro leilão da história para fornecedores desse tipo de energia. A estratégia do governo é aumentar a segurança do sistema que fornece a eletricidade que chega às residências, às indústrias, nas ruas.

Ainda não sabe o quanto de energia as novas usinas eólicas vão jogar na rede de transmissão – a previsão é que elas comecem a operar em 2012. “Da Alemanha, estamos levando lições de como integrar a energia eólica à rede elétrica. Muito do que vimos aqui deve ser adotado nessa nova leva de usinas no Brasil”, revelou Guerreiro.

Energia de hoje As usinas hidrelétricas são as maiores geradoras de eletricidade no Brasil: correspondem a 73,2% da produção nacional. Gás natural vem em segundo lugar, 5,9%. Eletricidade a partir de biomassa (4,5%), petróleo (3,1%) e nuclear (2,8%) também compõem a matriz brasileira. As turbinas de vento geram apenas 0,02% do total de eletricidade no Brasil, segundo informações do Ministério de Minas e Energia.

Na Alemanha, 14% da eletricidade produzida vêm de fontes renováveis – metade tem origem nas usinas eólicas, como mostram os dados da Associação Alemã de Energia Eólica (BWE). MATÉRIA DO PORTAL DA DW WORLD.DE

 

Autora: Nádia Pontes

Revisão: Roselaine Wandscheer

 

 

Autor: João Rocha - Categoria(s): ciencia/tecnologia Tags:


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