Entrevista: Salvador Nogueira – Autor do Almanaque Jornada Nas Estrelas
Abaixo, uma entrevista com o simpático Salvador Nogueira, um dos autores do Almanaque Jornada Nas Estrelas (em parceria com Susana Alexandria). O livro é uma publicação da editora Aleph e possui 272 páginas, com preço médio de R$ 54,00. Recomendo a leitura tanto para fãs como para pessoas que queiram conhecer o universo de Star Trek. Um trabalho realizado com competência e com o coração, de trekker para trekker! Meus votos de aplausos para Salvador Nogueira e Susana Alexandria!
ENTREVISTA:
BLOG DO GAROTO: Salvador, em primeiro lugar, muito obrigado por abrilhantar este blog com tua presença!
SALVADOR NOGUEIRA: Eu que agradeço pelo interesse e pela oportunidade!
BLOG DO GAROTO: Fale um pouco de como surgiu a idéia de trabalhar na elaboração de um Almanaque Jornada nas Estrelas, bem como a parceria com Susana Alexandria neste trabalho.
SALVADOR NOGUEIRA: O projeto nasceu em 2006, quando Jornada nas Estrelas estava para completar 40 anos. O coordenador editorial do livro, Silvio Alexandre, teve a ideia de iniciar o projeto para celebrar a data. Ele sugeriu a ideia à Susana, que por sua vez me chamou para escrever o livro com ela. Daí começamos a trabalhar, mas o livro acabou não sendo publicado em 2006. Então fomos maturando o projeto para coincidir com o lançamento do novo filme — o que acabou sendo uma opção mais acertada, do ponto de vista mercadológico. Isso exigiu algumas adaptações ao conteúdo, mas pouca coisa. A gênese do projeto está mesmo em 2006.
BLOG DO GAROTO: Uma coisa interessante que dá para perceber no livro é a divisão do trabalho de ambos os autores. Susana me pareceu mais atenta às referências literárias, com um capítulo por demais interessante sobre as referências literárias presente nos episódios. Trabalho que ela realiza brilhantemente no site de propriedade da mesma, o Trekkercultura. Acredito que você se dedicou bastante nas análises dos episódios, onde há muito material no site que editora, o Trek Brasilis. Esta impressão está correta?
SALVADOR NOGUEIRA: Na verdade, o trabalho foi bem mesclado, na maior parte do conteúdo. Há alguns capítulos que marcam mais a contribuição individual de um ou de outro. No caso, é óbvio que as referências literárias foram trabalho da Susana, que já estava se familiarizando com o tema havia muito tempo — e é um trabalho sem-igual, mesmo levando em conta publicações estrangeiras sobre Jornada! Minhas maiores contribuições individuais ao livro acredito que estejam ligadas às origens do programa, com o levantamento de toda a história e do documento que Gene Roddenberry originalmente apresentou como forma de persuadir os executivos de televisão da viabilidade de Jornada nas Estrelas. Mas, no geral, o trabalho foi conjunto. Dividimos o conteúdo mais ou menos na metade, cada um redigiu sua parte, depois invertemos e enriquecemos o conteúdo de cada um com nossas próprias contribuições. O método se provou prático e frutífero para tornar o livro mais interessante e completo.
BLOG DO GAROTO: Aqui no Brasil, nos últimos anos, somos muito carentes de lançamentos literários sobre Star Trek. Anos atrás chegaram até a publicar um manual técnico da Enterprise e um dicionário Klingon, assim como muitos romances. Muitos destes, por coincidência ou não, pela mesma editora de seu almanaque. Por qual motivo houve esta escassez? O público consumidor “Trekker” havia perdido ou diminuído o interesse?
SALVADOR NOGUEIRA: A verdade é que o público trekker nunca foi imenso no Brasil. Mesmo a publicação desses livros já chegou a ser classificada como “loucura” pela Editora Aleph, dada a limitação de alcance em solo nacional. Mas tenho a impressão de que esta realidade está mudando com o novo filme. Subitamente, desde que a produção foi anunciada, Jornada voltou “à moda”, e agora está podendo atingir um público novo, que nunca havia ouvido falar da série até então. Com isso, já vemos um aumento dos lançamentos no Brasil, com quadrinhos recentes aparecendo por aqui e, claro, o nosso livro!
BLOG DO GAROTO: Gostei bastante da idéia de colocar as tiras em quadrinhos chamadas Sev Trek, de autoria do cartunista John Cook, no meio dos textos, relacionando-as com o assunto abordado. Foi fácil conseguir a liberação para utilizá-las? Teve a intenção de tentar abrir o caminho para o lançamento delas em terras brasileiras?
SALVADOR NOGUEIRA: Foi surpreendentemente fácil, por conta das conexões que tínhamos com o autor. A Susana é muito amiga de um guitarrista chamado Marcos Kleine, trekker que por sua vez era amigo de John Cook, depois de ter feito a trilha sonora de um filme de animação dele! Quando você conhece alguém que conhece alguém, tudo fica mais fácil! Mas não acredito que tenha sido um “balão de ensaio” para o lançamento das tiras separadamente. Claro, se a repercussão for boa, nada impede que isso aconteça no futuro!
BLOG DO GAROTO: O mercado de quadrinhos “trekker” parece ter reencontrado seu rumo, com publicações de qualidade pela IDW Publishing. Você possui um relacionamento interessante com a editora Devir. Como poderíamos descrevê-lo? Você é uma espécie de consultor?
SALVADOR NOGUEIRA: Na verdade, não tenho participação no (excelente) trabalho da Devir com os novos lançamentos em quadrinhos de Jornada nas Estrelas.
BLOG DO GAROTO: Quais as perspectivas acerca de novos lançamentos, além do Star Trek: Ano 4 e Star Trek: Interlúdios já prometidos pela Devir? A minissérie Contdown tem chance de ser lançada no Brasil?
SALVADOR NOGUEIRA: Até onde eu sei, Countdown estava nos planos da Devir. Mas não sou a pessoa indicada para falar disso.
BLOG DO GAROTO: E o movimento de convenções, você acompanha? Participa? O que tem a dizer sobre eles na atual conjuntura?
SALVADOR NOGUEIRA: Já fui a muitas convenções, numa época em que fazia todo o sentido fazer convenções — dez anos atrás, os fãs não tinham outra forma de assistir aos episódios inéditos que não fosse ir a convenções. Hoje, dez anos depois, tudo já foi exibido no Brasil, e há muitos DVDs disponíveis. As convenções perderam boa parte da razão de ser.
BLOG DO GAROTO: O filme novo do J.J Abrams foi aprovado pelo “trekker” Salvador Nogueira? (risos)
SALVADOR NOGUEIRA: Totalmente aprovado. Um golpe de gênio, que transpareceu respeito profundo pela encarnação anterior da franquia e soube dizer com a delicadeza necessária que era preciso fazer uma reforma, para adequar Jornada à sensibilidade moderna. O mais impressionante, na verdade, é o quão pouco foi preciso se modificar, nos personagens e em sua dinâmica, para tornar Jornada atual. É um tributo à genialidade de Gene Roddenberry e seus colaboradores no seriado original!
BLOG DO GAROTO: O sucesso do filme parece abrir portas para uma nova série de TV. Concorda comigo?
SALVADOR NOGUEIRA: O sucesso do filme abre as portas para muito mais que isso: estamos falando da ressurreição de uma marca. A partir do filme, podemos esperar não só uma nova série de televisão, mas muitas continuações no cinema, novos lançamentos em home video e muitos, muitos produtos licenciados… A Paramount está extasiada com o resultado financeiro do filme, até agora.
BLOG DO GAROTO: As séries de ficção científica parecem sofrer muito com audiência, mesmo idéias boas não possuem um caminho longo. Eu vejo o público para este tipo de programa muito segmentado. Como lidar com isso em um mundo atual onde as redes de TV querem o sucesso cada vez mais efêmero? Como sobreviver em meio a uma indústria cultural sufocante?
SALVADOR NOGUEIRA: Se reinventando com frequência, sem medo de inovar. O problema que atravancou Jornada nos últimos anos foi a falta de coragem de se reinventar. Nas mãos de J.J. Abrams, isso finalmente foi feito — e o resultado a gente está vendo. Na verdade, não existem tantas ideias novas disponíveis. O segredo do sucesso é usar boas ideias, ainda que velhas, numa roupagem que esteja sintonizada com a sensibilidade do público.
BLOG DO GAROTO: Qual a importância que Star Trek teve para o despertar de sua paixão sobre a ciência? Qual a importância a série teve em sua vida pessoal?
SALVADOR NOGUEIRA: Minha paixão por ciência e por Star Trek surgiram simultaneamente, então a relação entre ambas foi que uma alimentou a outra. Tive momentos em que pendi mais para um lado ou para o outro, mas nunca deixei de admirar as duas coisas, sabendo separar com clareza uma da outra. Já sobre a importância da série em minha vida pessoal, aí a coisa se torna muito maior. Eu aprendi muito sobre relações interpessoais e ética com Jornada nas Estrelas. O bacana da série é que ela mostra basicamente como pessoas profundamente morais e éticas resolvem problemas. É, portanto, um ótimo exemplo para jovens em formação — muito mais do que 99% da programação televisiva de ontem e de hoje.
BLOG DO GAROTO: Salvador, mais uma vez, muito obrigado pela entrevista e que seja a primeira de muitas! Um grande abraço!
SALVADOR NOGUEIRA: O prazer é todo meu! Grande abraço!
Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Entrevista Tags: