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Arquivo de maio, 2009

28/05/2009 - 23:08

Nos EUA mais quadrinhos Star Trek pela IDW Publishing

Star Trek Nero

A editora americana IDW Publishing anunciou o lançamento de mais três títulos da série de ficção científica Star Trek. Os títulos são:

- Star Trek: Nero # 1

A trama se passa no universo paralelo formado no último filme, mostrando todo o esmero do vilão Nero em sua busca por vingança da Federação dos Planetas Unidos durante os 25 anos em que ficou no século 23 à espera do embaixador Spock. Roteiro de Michael Johnson e Tim Jones, a arte é de David Messina.

- Star Trek: Spock: Reflections # 2

Esta edição complementa a primeira edição dedicada ao vilão Nero. Aqui encontramos um enredo que explica as motivações que levaram Spock a abandonar sua vida em Romulus. Também há uma história do passado de Spock sob o comando do capitão Pike. Roteiro de Scott Tripon e David Tripon, arte de David Messina e Frederica Manfredi.

- Star Trek Alien Spotlight: Q

Esta trama se passa no período histórico dos personagens da Nova Geração, com o capitão Jean-Luc Picard enfrentando mais uma vez a entidade “Q“, um ser todo poderoso que busca conhecer a humanidade em meio a ironias e crueldade. Roteiro de Scott Tipton e arte de Elena Casagrande.

Ao que parece a IDW está assumindo de vez a publicação de Star Trek em HQ, com um acervo crescente e de boa qualidade, contrário ao material que saiu pela Marvel Comics nos anos 90. A previsão é de que os títulos cheguem às Comic Shop’s em agosto.

Ótima notícia para os trekker’s!

Reflections Q

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Quadrinhos Tags:
28/05/2009 - 15:51

Novidades no Blog do Garoto!!!

Novidades no Blog do Garoto!!!

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Apresentação Tags:
28/05/2009 - 15:50

Clipe: Paralamas do Sucesso – A Lhe Esperar

Clipe da nova música de trabalho do Paralamas do Sucesso. A faixa se chama A Lhe Esperar e pertence ao álbum Brasil Afora, lançado recentemente.

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Música Tags:
28/05/2009 - 15:39

Livro: Chico Buarque – Leite Derramado

O escritor Chico Buarque segue seu rumo de constante evolução de sua linguagem e estilo literários, entregando uma obra de grande primor textual. Leite Derramado é mais um ótimo livro, sucessor com louvores de Budapeste (livro que ganhou adaptação para os cinemas, já em cartaz.

Na trama somos apresentados a um ancião moribundo (Eulálio) que narra a trajetória familiar dos Assunção, uma família oriunda da elite socio-econômica. São descritas várias gerações de seu antro familiar, desde o império colonial até o Rio de Janeiro de nossos dias. Vale ressaltar o excelente trabalho de pesquisa que o autor desenvolveu para descrever a arquitetura, costumes e cotidiano dos períodos descritos. Outro detalhe importante é como o protagonista de sua história é utilizado para traçar analogias à machismo, racismo, corrupção, disputas de classe, regimes autoritários, ganância e todos os demais conflitos que os personagens de sua história têm a enfrentar. Eulálio em sua velhice traça um monólogo de narrativa incerta, onde o mesmo é incerto quanto à sua coerência com a verdade em detrimento de seus delírios e devaneios de homem senil.

É contruido um monólogo do personagem principal com sua filha, enfermeiros do hospital em que se encontra, doentes ou quem estiver por perto para ouvi-lo. A solidão e o abandono também são retratados no indivíduo frustrado por se sentir injustamente à margem da sociedade, relegado a viver em sua cama, acompanhado de suas escaras. É um romance triste e doloroso, mostrando a decadência que configura a vida de muitas pessoas, mesmo as jovens. Há um pouco de Machado de Assis neste enredo ao contar uma vida começando por sua decadência, com personagens carismáticos, protagonista marcante, texto conciso e envolvente.

Um livro delicioso que se lê rapidinho…

:

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Literatura Tags:
28/05/2009 - 14:35

Música: Paralamas do Sucesso – Brasil Afora

O novo disco do trio paralâmico traz um retorno às origens, uma volta ao pop cheio de suingue e centrado no rock, reggae e ska. Posso afirmar que este é o melhor trabalho do grupo desde Hey Na Na de 1998. Muito bom ouvir novamente o som despretencioso dos Paralamas, tratando de temas mais voltados ao cotidiano e romantismo.

O álbum traz algumas canções-pérolas que tranqüilamente farão parte do esquadrão de hit’s da banda. A faixa A Lhe Esperar, parceria com Arnaldo Antunes, é a música que puxa a “comissão de frente” de Brasil Afora. Puro ska-rock paralâmico, temperado com letra estonteante. A faixa Meu sonho tem o ritmo da época do, hoje distante, Passo do Lui, disco que revelou o trio no clássico Rock In Rio de 85. É um disco com canções de amor inspiradas de Herbert, saindo do pessimismo e irregularidade do disco anterior (Hoje de 2005), que era carregado até em guitarras pessadas e melancólicas em alguns momentos, fugindo do clima de otimismo que sempre foi marcante na banda de Herbert, Bi e João.

A música homônima que serviu de título ao disco é de arrepiar, com um ótimo jogo de palavras, na linha de Cagaço, faixa do excepcional Severino (1994). Há uma canção que, indiscutivelmente, é a mais bela do disco e uma das mais belas da trajetoria do Paralamas, com referências à João Pessoa, cidade natal de Herbert Viana. Zé Ramalho, seu conterrâneo, o acompanha nos vocais:

De onde foge, pr’onde vai
Nesta vertigem de cores
O que falta e o que é demais
Quais seus mais ricos sabores
Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa
.”

Um disco de redenção, em resposta àqueles que julgavam o Paralamas do Sucesso mais uma banda (Titãs?) no “módulo-automático” a viver do passado…

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Música Tags:

26/05/2009 - 03:21

Cinema: Anjos e Demônios

A história de Anjos e Demônios (nos livros) se passa cronologicamente antes dos acontecimentos ocorridos no livro O Código da Vinci. Nos cinemas esta ordem foi invertida, com o protagonista sendo até lembrado do caso ocorrido na história anterior. E, desta forma, o professor Robert Langdon retorna a campo em mais uma investigação envolvendo o mundo religioso.

Neste filme o acadêmico é acompanhado da biofísica Victoria Vetra (Ayelet Zurer), uma cientista do CERN (Centro Europeu Organizado de Pesquisa Nucler). A moça, juntamente com seu grupo científico, inventa o maior acelerador de partículas do mundo. Um amostra de antimatéria deste acelerador é furtada das dependências do CERN, sendo esta peça usada como arma terrorista de um grupo científico secreto (os Illuminati) que ameaça o Vaticano, prometendo utilizar a antimatéria como uma bomba.

Neste filme Tom Hanks está menos menos canastrão, dispensando o mullet usado em O Código Da Vinci. A personagem feminina da trama também está mais convincente do que a do filme anterior, que foi personificada por uma Andrey Tatou com inglês de primário. Soma-se aos personagens principais o escocês Ewan Mcgregor (o eterno Mark Renton do clássico Transpotting – Sem Limites). Ele interpreta uma espécie de “camareiro” do Papa que encontra-se morto. Por conta da fatalidade o clero encontra-se à espera de um novo conclave para escolha do novo pontífice, deixando o personagem de Mcgregor como substituto interino da excelência religiosa e colaborador para a investigação do personagem principal. Um grande complô se estabelece e é onde o personagem de Hanks encontra caminho para desfilar seu conhecimento e incredibilidade ao catoliscismo. Muitas questões polêmicas do livro foram covardemente suavisadas, temendo represálias da igreja e do público.

O filme é melhor do que se prometia, mesmo muitos clichês e obviedades, características do autor da trama. Ron Howard, um diretor também mediano, entrega um filme com alterações que visaram melhorar a trama do livro que se perdia um final ridículo e mais inverossímel do que a trama por essência já é.

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Cinema Tags:
26/05/2009 - 01:43

Personagem da semana passada: Caetano Veloso

Vejam este vídeo que mostra o quanto é estranha a força que leva Caetano a cantar…

E traiçoeira, viu?

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Humor, Televisão Tags:
23/05/2009 - 01:37

Trailer: A Mulher Invisível

Traile do filme A Mulher Invisível, do diretor Cláudio Torres. A comédia é estrelada por Selton Melo, Luana Piovani, Vladimir Brichta e Maria Manoella.

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Cinema Tags:
23/05/2009 - 00:56

Nova edição revisada de Narrativas Gráficas

Narrativas Gráficas

A Devir confirmou o lançamento da obra Narrativas Gráficas, do mestre Will Eisner. A nova edição contará com uma nova capa, uma nova revisão do texto e extras inéditos, como uma biografia e um novo capítulo sobre os quadrinhos e a internet. O outro álbum teórico de Eisner, Quadrinhos e Arte Sequencial, será relançado, assim como o inédito título Anatomia Expressiva, compondo uma trinca de trabalhos teóricos do respeitado autor.

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NARRATIVAS GRÁFICAS — 2ª Edição
Formato: 20,5 cm × 27,0 cm
Estrutura: 176 páginas PB em papel off-set g/m²
Capa: Cartão 250 g/m², laminação fosca com reserva de verniz
Texto: Will Eisner
Arte: Will Eisner e outros

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Quadrinhos Tags:
22/05/2009 - 09:57

Mais quadrinhos de Jornadas nas Estrelas pela Devir

A editora Devir, após o ótimo encadernado Herança de Sangue, irá dispor em breve de novos lançamentos em HQ da série. São eles: Jornadas nas Estrelas: Ano 4 e Jornada nas Estrelas: Interlúdios. Ambas as histórias sairam no mercado americano pela editora IDW Publishing, entre 2007 e 2008, primeiramente em edições mensais e, posteriormente, no formato de histórias encadernadas.

A Devir irá publicar as histórias em volumes encadernados, com média de 160 páginas. O primeiro título citado (Ano 4) estárá disponível nos próximos dias. Por enquanto ainda não foi informado o preço nem a data específica dos lançamentos.

Muito bom saber destes lançamentos, haja visto que o primeiro encadernado lançado possui um ótimo acabamento e conteúdo. O nosso colega Salvador Nogueira editor do site especializado em Star Trek Trekbrasilis (http://www.trekbrasilis.org) e um dos autores do Almanaque Jornada Nas Estrelas é um dos consultores para a seleção das histórias a serem publicadas pela editora Devir no Brasil.

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Quadrinhos Tags:
22/05/2009 - 04:39

Vídeo: Franz Ferdinand – Ulysses

Clipe bacana do novo trabalho do Franz Ferdinand, o álbum Tonight. A música do vídeo se chama Ulysses e tem uns elementos eletrônicos bem diferentes da estética musical do grupo nos discos anteriores!

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Música, Televisão Tags:
22/05/2009 - 04:31

Dica do Garoto: Construção

Aproveitando o ensejo: Contrução, obra-prima da obra-prima de Chico Buarque de Hollanda. Esta versão é a original do álbum homônimo de 1971.

* Para ouvir basta clicar no botão play abaixo:

Construção

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Música Tags:
22/05/2009 - 04:16

Clássicos do Garoto: Chico Buarque – Construção

Francisco Buarque de Hollanda, o nome de um gênio que marcou definitivamente seu nome na história de nossa música popular. E escolher um disco entre tantos álbuns extraordinários e tê-lo como a obra-prima de um mestre não é uma escolha fácil. O disco Construção (1971 – Philips/Universal) é o resultado de árdua escolha. Aqui encontramos um autor amadurecido e calejado por uma conjuntura política opressora que nos brindou com este “desalento”, um trabalho que expurga a plenos pulmões as insatisfações socias de um Chico Buarque na plenitude de sua criatividade.

A canção Deus Lhe Pague ilustra o sofrimento do oprimido trabalhador brasileiro, obrigado a satisfazer-se com suas carentes condições de trabalho e de sobrevivência, amenizadas pela “…cachaça de graça que a gente que a gente tem que engolir / pela fumaça desgraça que a gente tem que tossir…” Em seguida, vem a faixa Cotidiano, um show de poesia descrevendo o cotidiano de um casal humilde onde as fases e ações do dia são simbolizadas pelo “sabor” do beijo da esposa: café, feijão, paixão, pavor, hortelã… Um lirismo indiscutivelmente peculiar a Chico Buarque!

Desalento, parceria com Vinícius de Moraes, remete aos inesquecíveis sambinhas de Chico em seus primeiros discos, com uma letra remetendo a um personagem sofrendo pelo descaminho da solidão, penando em prol de uma amada perdoada pelo penoso protagonista da canção. Cordão também segue a linha do samba-canção, com ritmo e poesia trabalhando lado a lado. Olha Maria é uma faixa que reuniu um trio de peso em sua composição: Chico Buarque, Vinícius de Moraes e Tom Jobim. Os arranjos do maestro contruiram uma canção pertencente ao hall das canções mais lindas de nossa música popular e o texto não fica atrás, é poesia pura: “…Parte Maria / Que estás toda nua / Que a lua te chama / Que estás tão mulher/ Arde Maria / Na chama da lua / Maria cigana / Maria maré...”

Samba de Orly, parceria com Toquinho e Vinícius, traz referências ao exilío de brasileiros durante o período de regime militar, com uma clara refrência a um diálogo entre um brasileiro em terras estrangeiras e um outro em terras brasileiras. Os personagens trocam confidências e saudades, desejosos de notícias boas. Valsinha é mais uma parceria com Vinícius de Moraes. A canção possui um tom mais otimista ao retratar um homem amargurado que, ao chegar em casa, convida sua amante para dançar e no calor de suas danças chegam à praça e despertam a vizinhança, acordando o mundo para o amanhecer em paz…

Minha História é uma versão da canção Gesùbambino de Lúcio Dalla. Música que virou um grande sucesso, ajudando a tornar Construção o álbum de Chico de maior sucesso até então. Acalanto é daquelas canções que fogem do lugar comum, com uma letra centrada em apenas seis versos, atacando a situação político da época mais uma vez: “…Dorme minha pequena / não vale a pena despertar / eu vou sair por aí / Por aí afora / Atrás da aurora / Mais serena…”

A canção título do álbum, Construção, merece um julgamento a parte: seis minutos e vinte e quatro segundos narrando a trágica morte de um operário. O que é mais soberbo na canção é a forma com o autor repete os versos deslocando palavras de lugar, movendo-as como que tijolo-a-tijolo, colocando-as em lugares em que estas, semanticamente, não estão habituadas a serem utilizadas.Tal qual o operário monta a construção pondo cada peça de tijolo em seu lugar e, posteriormente, morrendo como um “ninguém”, um “pacote bébado atrapalhando o sábado”, ignorado pelos transeuntes da cidade que seguem seu curso indiferentes ao personagem marginal atrapalhando o tráfego natural de suas vidas…

Contrução é um disco inesquecível! Um álbum sensível, inteligente e atemporal, daqueles em que agradeço todos os dias a deus por ser brasileiro e ter um companheiro de pátria tão genial como o senhor Francisco Buarque de Hollanda

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Música Tags:
22/05/2009 - 02:08

Cinema: Star Trek

Século 23. A humanidade encontra-se em um nível de evolução sócio-econômica onde muitas “mazelas” encontram-se solucionadas: doenças foram erradicadas, dinheiro e todas as necessidades básicas a uma boa qualidade de vida de um cidadão foram devidamente resolvidas. O planeta se organiza na forma de um governo unificado e participante da Federação dos Planetas Unidos, onde a ânsia do homem é explorar a galáxia em busca de novas vidas, civilizações e ir audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve…

Este é o cenário da obra cult de Gene Rodenberry, idelizador de uma série de tv nos anos 60 de cunho idealista e, indiscutivelmente otimista. É esta a série que regressa agora em mais um filme cinematográfico integrante da linha extensora deste conto televisivo de décadas atrás.

O nome do atual realizador responde por J.J Abrams, criador de séries de sucesso na Tv americana, onde Lost é sua cria de maior sucesso. Eu particulamente nunca fui grande fã de suas séries, gostava de Alias, mas sem grandes amores. Lost já é uma série que nunca fez minha cabeça, agora, Fringe, série da nova safra é ótima, e a qualifico como uma das mais interessante séries de ficção científica da tv atual, afora a excepcional Battlestar Galática, que, infelizmente, está se despedindo em temporada ainda a entrar no ar em terras brasileiras.

Abrams, com a contribuição de Roberto Orci e Alex Kurtzman (parceiros de longa data do diretor) no roteiro, entregou um filme excelente, criando alterações na cronologia canônica muito bem justificadas e utlizadas em uma trama que envolve viagens temporais e realidades paralelas, ítens muito utilizados nas séries e filmes da franquia. Em comparação com os filmes anteriores, há mais ação do que o tradicional em um filme de Star Trek, mas a ação é bem utlizada em favor da história, trazendo um divertido espetáculo. O humor também encontra espaço, especialmente nas novas personificações de McCoy (Karl Urban) e Scotty (Simon Pegg), cada um se destando em determinada metade de filme. Os novos Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto) são carismáticos e conseguem vencer o fardo de substituirem os inesquecíveis William Shatner e Leonard Nimoy, respectivamente.

Na história o vilão Nero (Eric Bana) vem do futuro e é responsável pela destruição da nave da federação USS KELVIN, do Capitão George Kirk (Chris Hemsworth), pai de Jim Kirk, criando um efeito borbuleta resultante em uma realidade paralela. Com a nova realidade estabelecida, os autores encontraram uma maneira criativa de não anular o que já foi feito, algo que despertava ódio dos trekkers antes do filme ir a campo, e, ao mesmo tempo, deixa os futuros filmes livres para novas possibilidades. Um ator pertencente à série clássica retorna a seu personagem no filme, vindo também do futuro, e, ao contrario do que muitos achavam, este papel não é apenas uma ponta, mas de importância para a trama.

Os aspectos filosóficos da série neste episódio estão mais contidos, fugindo do plano principal, mas estão lá, discretamente: o altruísmo, a busca do indivíduo encontrar um papel relevante em sua sociedade, a busca pelo auto-aperfeiçoamento, as analogias ao preconceito raciais e/ou religiosas dos vulcanos, na figura do jovem Spock (pra quem não sabe, a saudação vulcana de Nimoy é inspirada em um tipo de benção realizada em cerimônias judias, simbolizando uma letra do alfabeto hebraico). O Spock desta realidade possui uma justificativa que abre precedente para que o mesmo seja mais conflituoso em sua disciplina das emoções. Há uma boa referência em relação ao episódio A Coleção, onde o personagem cronologicamente mais jovem era mais humanizado e até sorria!

O jovem Kirk (personagem que sempre foi marcado por quebrar regras e protocolos) é um ainda mais indisciplinado e rude, com Chris Pine dando um show de arrogância nos moldes de Shatner, mas com uma contribuição própria ao personagem, ao retratar um personagem marcado por uma tragédia que o afastou do seu ideal desenvolvimento como cidadão. O Kirk original era descrito como o mais jovem capitão da frota, virando capitão aos 28 anos, com uma meteórica ascensão motivada por seu teste kobayashi Maru, o que rende ao então cadete o reconhecimento como um jovem prodígio. Neste filme, o mesmo se torna capitão 3 anos antes, mais como mais um efeito da influência de Nero na cronologia, onde a frota principal se encontrava em outro sistema e o jovem Kirk embarca em uma tripulação lotada de cadetes e com um número mínimo de oficiais sêniores: um capitão, um médico chefe, um oficial de ciências e um engenheiro, responsáveis pelos principais setores. Semelhante ao que acontece em baixas de guerras, há personagens que “ganham” promoções em suas patentes motivadas pelos acontecimentos. É a grande sacada do roteiro do filme ao buscar suporte na teoria da “linha-mestre”: as linhas alternativas convergem sempre em torno desta citada linha-mestre, onde alguns acontecimentos são maleavelmente mutáveis e outros não. O jovem James T. Kirk ser capitão é seu destino, assim como a equipe que fará parte de sua jornada. É aqui onde o acaso entra inúmeras vezes durante a trama, conjurando para o destino dos personagens.

A trilha sonora de Michael Giacchino mantém uma estética que não foge do usado na série e se o espectador sentir falta de um tema principal, como o belíssimo tema criado para a série nos cinemas por Jerry Goldsmith, pode ficar tranqüilo, o músico guardou uma moderna versão para a fanfarra famosa como tema da clássica série dos anos 60 para os créditos finais!

O único porém que registro em relação ao filme é a figura do antagonista (Nero) que carece de maior desenvolvimento. A HQ Contdown, por ser bastante centrada na visão do personagem, nos entrega um personagem mais interessante e conciso. Mas nada que atrapalhe o andamento da trama, nem o reconhecimento do filme com um dos pontos fortes da franquia.

Aos fãs resta a celebração do retorno de uma série de ficção científica das mais amadas da história. Uma franquia que, afora os críticos intelectualoides ou fãs xiitas que buscam encontrar “pêlo em ovo”, ou não conseguem se desprender de conceitos formulaicos, engessados, nem absorver as adaptações que a franquia (11 filmes, 6 séries, inúmeros livros e games) embrenhou-se ao dialogar com novos públicos nas mais variadas mídias. Parafraseando Rodenberry: o que importa é a satisfação de uma boa aventura e o infinito trilhar de uma inesquecível jornada de “vida longa e próspera”…

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Ficha Técnica
País: EUA
Ano: 2009
Diretor: J.J. Abrams
Fotografia: Daniel Mindel
Trilha: Michael Giacchino
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Eric Bana, Winona Ryder, Zoe Saldana, Karl Urban, Bruce Greenwood, John Cho, Leonard Nimoy, Simon Pegg, Anton Yelchin.
Produção: J.J. Abrams, Damon Lindelof

Autor: vinnho@ig.com.br - Categoria(s): Cinema Tags:
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