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31/03/2009 - 07:11

Desobediência levou à morte na serra do Cipó

Recomendação da PM contra porte de arma durante consumo de álcool não foi respeitada.

O descumprimento de uma recomendação da Polícia Militar, que orienta os agentes a não portar armas enquanto estiverem consumindo bebidas alcoólicas, foi um dos erros que resultou em tiroteio e na morte do soldado Marcos Vinícius Nascimento Barcelos, de 23 anos.

Militares que estavam de folga no mirante da Serra do Cipó, no distrito de Santana do Riacho, na região Central, trocaram tiros, deixando dois feridos e um morto – ao despencar de um abismo enquanto tentava socorrer o colega. Os motivos da discussão que levaram o sargento do 13º Batalhão Adalberto da Silva, de 44, a começar a disparar contra o PM Ricardo Aguiar de Souza, do 35º Batalhão, ainda não foi esclarecido pela polícia.

De acordo com a assessoria jurídica da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/MG), a legislação permite que os militares andem armados 24 horas por dia. No entanto, há recomendação de não sair armado para aquele que estiver de folga em locais de grande aglomeração, como estádios de futebol ou shows, ou durante ingestão de bebidas alcoólicas.

“Tem uma regulamentação em cima disso que permite aos militares andarem armados mesmo em folga. O que a PM não permite é andar armado e embriagado, principalmente porque coloca em risco a segurança de terceiros. Se eles estivessem desarmados nada disso teria acontecido”, explicou o diretor jurídico da Aspra, cabo Marco Antônio Bahia.

Três dos quatro envolvidos no faroeste na Serra do Cipó fazem parte da associação e devem receber apoio jurídico durante o inquérito policial que será instaurado pela Polícia Civil. Segundo Bahia, o soldado Wesley Elias, de 23, que estava na confusão e prestou depoimento domingo, já entrou em contato com a Aspra para pedir assessoria.

Abuso de poder

O porte de arma fora do exercício das atribuições militares é duramente criticado pelo coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Puc Minas e especialista em segurança pública, Robson Sávio. Para o coordenador, o uso indiscriminado do armamento passa a ideia de que a lei só funciona na base da intimidação pela força.

“Demonstra uma espécie de presunção em relação aos outros. Uma categoria de pessoas diferenciadas que podem fazer o que querem, na hora que desejarem. Ninguém ali era policial, todos eram cidadãos naquela situação. Se mostraram policiais não para uso de segurança, mas revelando que não se opera no uso da legalidade, mas da prepotência”.

Fonte: Super

Autor: Denispd - Categoria(s): Notícias Tags:


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