Arquivo de março, 2009
Gritos de louvor viram dor de cabeça
Moradores do Palmares protestam contra abuso de religiosos que fazem cultos na madrugada.
Sexta-feira, 21h30. Grupos de pessoas caminham pelas ruas do bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Determinados, eles se dirigem ao monte que fica em uma das partes altas do bairro. Alguns seguem alegres. Outros, pensativos. São religiosos, a maioria evangélicos, que vão ao monte para orar e louvar a Deus.
A prática é antiga. Cerca de 4.000 anos antes do nascimento de Jesus Cristo, hebreus e samaritanos se encaminhavam às montanhas em busca de um local onde pudessem ficar reclusos, segregados.
O objetivo dos fiéis de hoje é o mesmo, porém, a sociedade se modernizou e exige regras que permitam a boa convivência entre os desiguais.
O monte no bairro Palmares, localizado em uma área de aproximadamente 10,5 mil metros quadrados – sendo 500 m de propriedade particular e o restante pertencente à prefeitura – é desabitado, mas em frente a ele, na rua Professor Antônio Márcio, estão casas e prédios onde residem várias famílias.
Há pelo menos um ano e meio, os moradores reclamam do barulho provocado pela multidão que frequenta o monte. Todos as sextas-feiras e fins de semana, fiéis de várias igrejas evangélicas da capital se reúnem no local, a partir das 22h, e passam a madrugada fazendo orações e cantando, às vezes, acompanhados de instrumentos musicais.
O terreno é cercado, mas o acesso ao monte é feito livremente por uma entrada localizada na área de propriedade particular, que pertence ao Hotel Ouro Minas. A reportagem visitou o monte na semana passada e presenciou centenas de pessoas no local, depois das 23h, quando o movimento é mais intenso.
“Sexta-feira é o dia mais crítico. A gente não consegue dormir. O barulho que eles fazem incomoda muito, sem contar os gritos de madrugada. Quando vão embora, eles saem do monte tocando instrumentos até chegarem nos carros”, reclama um empresário de 39 anos, morador da região, que pediu para não ser identificado com medo de represálias.
A presença de ambulantes nas imediações e carros estacionados nos dois lados da rua, alguns na contramão e outros em portas de garagem, foram outros problemas flagrados.
BARULHO INCOMODA
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente já fez vistorias na área e constatou que os níveis dos ruídos provocados por vozes, cânticos e barulho do trânsito local estão acima dos padrões estabelecidos pela Lei do Silêncio para o horário noturno.
No entanto, a secretaria informou que não tem como aplicar multa porque não existe nenhuma entidade ou pessoa específica que assuma a responsabilidade pelos cultos no local.
De acordo com o secretário da regional Nordeste, Cláudio Vilela, a prefeitura tem fiscalizado a área para coibir o comércio de ambulantes.
Segundo ele, está em estudo um outro acesso ao monte, de modo que a entrada dos fiéis seja feita pelo terreno da prefeitura, onde não existem residências. O estudo deve ficar pronto essa semana.
Fonte: Super
Desobediência levou à morte na serra do Cipó
Recomendação da PM contra porte de arma durante consumo de álcool não foi respeitada.
O descumprimento de uma recomendação da Polícia Militar, que orienta os agentes a não portar armas enquanto estiverem consumindo bebidas alcoólicas, foi um dos erros que resultou em tiroteio e na morte do soldado Marcos Vinícius Nascimento Barcelos, de 23 anos.
Militares que estavam de folga no mirante da Serra do Cipó, no distrito de Santana do Riacho, na região Central, trocaram tiros, deixando dois feridos e um morto – ao despencar de um abismo enquanto tentava socorrer o colega. Os motivos da discussão que levaram o sargento do 13º Batalhão Adalberto da Silva, de 44, a começar a disparar contra o PM Ricardo Aguiar de Souza, do 35º Batalhão, ainda não foi esclarecido pela polícia.
De acordo com a assessoria jurídica da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra/MG), a legislação permite que os militares andem armados 24 horas por dia. No entanto, há recomendação de não sair armado para aquele que estiver de folga em locais de grande aglomeração, como estádios de futebol ou shows, ou durante ingestão de bebidas alcoólicas.
“Tem uma regulamentação em cima disso que permite aos militares andarem armados mesmo em folga. O que a PM não permite é andar armado e embriagado, principalmente porque coloca em risco a segurança de terceiros. Se eles estivessem desarmados nada disso teria acontecido”, explicou o diretor jurídico da Aspra, cabo Marco Antônio Bahia.
Três dos quatro envolvidos no faroeste na Serra do Cipó fazem parte da associação e devem receber apoio jurídico durante o inquérito policial que será instaurado pela Polícia Civil. Segundo Bahia, o soldado Wesley Elias, de 23, que estava na confusão e prestou depoimento domingo, já entrou em contato com a Aspra para pedir assessoria.
Abuso de poder
O porte de arma fora do exercício das atribuições militares é duramente criticado pelo coordenador do Núcleo de Direitos Humanos da Puc Minas e especialista em segurança pública, Robson Sávio. Para o coordenador, o uso indiscriminado do armamento passa a ideia de que a lei só funciona na base da intimidação pela força.
“Demonstra uma espécie de presunção em relação aos outros. Uma categoria de pessoas diferenciadas que podem fazer o que querem, na hora que desejarem. Ninguém ali era policial, todos eram cidadãos naquela situação. Se mostraram policiais não para uso de segurança, mas revelando que não se opera no uso da legalidade, mas da prepotência”.
Fonte: Super
PM vai pedir o telefone de quem parar em Blitz
Pesquisa de pós-atendimento vai revelar pontos positivos e negativos da abordagem policial
Richard Lanza
A Polícia Militar quer saber: você é bem tratado durante uma abordagem policial? Você sabe os motivos de uma blitz da PM? Em busca de respostas para estas e outras questões, o Comando de Policiamento da Capital (CPC) implantou, em janeiro, a “Pesquisa de pós-atendimento”, que apura como é a relação entre os militares e os cidadãos e, também, como andam as atividades de combate à criminalidade em Belo Horizonte.
Segundo o comandante do CPC, e idealizador da pesquisa, coronel Nilo Sérgio da Silva, com a nova medida é possível identificar os pontos positivos e negativos dentro das abordagens policiais e, com isso, traçar planos de melhorias nas relações entre os militares e a comunidade.
“A ideia é que todo policial militar avise à pessoa que está sendo abordada os motivos daquela operação. No final dos trabalhos, caso não sejam encontradas irregularidades, é solicitado à pessoa que deixe um telefone de contato, de maneira que, posteriormente, ela seja consultada sobre a tratamento recebido”, explicou.
A partir de hoje, após toda blitz dentro de Belo Horizonte, a PM vai entregar um cartão informativo que descreve os motivos do estudo e dá dicas de segurança. O assessor de planejamento operacional do CPC, major Idzel Fagundes, reforçou a importância de deixar um telefone de contato. “Ninguém gosta de ser abordado, mas estamos fazendo nosso trabalho. A PM está cada vez mais próxima da comunidade e queremos saber como anda a qualidade dos serviços prestados”.
O major ressalta que não há motivo para não deixar o telefone de contato. “Em hipótese alguma haverá represálias contra a população. As informações passadas durante a pesquisa, que será feita por telefone, serão preservadas e de uso exclusivo do CPC. Além disso, mesmo que haja reclamações referentes a algum militar, o nome do reclamante será preservado”, garantiu.
Participação é essencial
A PM alerta: a população precisa participar ativamente da prevenção da criminalidade. Segundo o major Fagundes, muita gente fica omissa.
“Fico impressionado. Às vezes convidamos os moradores de uma rua ou de um bairro para reuniões que tratam da necessidade de melhoria na comunidade e, no entanto, apenas duas ou três pessoas comparecem. Todo mundo deveria saber que segurança pública se faz com a ajuda do cidadão”, reforçou.
Fonte: Super
Vídeo da Semana


