iG
iBest BrTurbo
05/11/2008 - 07:00

A encarnação do otimismo

      O empresário e investidor Lírio Parisotto viu 600 milhões de reais em ações desaparecerem. Sua empresa, a Videolar, passa por dificuldades. Medo? Pânico? Que nada

Por Samantha Lima

     Revista EXAME  Nas últimas duas décadas, o empresário gaúcho Lírio Parisotto, de 54 anos, construiu o que pode se chamar de uma história de sucesso. Nascido numa família de agricultores, trabalhou como representante comercial até criar a Videolar, em 1988. A empresa, que nasceu produzindo fitas cassete e VHS, hoje fatura 1,4 bilhão de reais e é líder de mercado entre os fabricantes nacionais de CDs e DVDs. Uma década depois da criação de seu negócio, em 1998, Parisotto decidiu entrar no mercado de ações aplicando recursos próprios na bolsa. Em seu melhor momento, chegou a multiplicar por 7 os 200 milhões de reais que investiu no período, transformando-se num dos maiores investidores individuais da Bovespa. Tudo parecia bem até 15 de setembro, quando eclodiu a crise financeira que derrubou os mercados do mundo inteiro. Em pouco mais de um mês, Parisotto perdeu nada menos que 600 milhões de reais, dinheiro suficiente para deixar qualquer ser humano prostrado. Mas ele continua otimista. “Prefiro pensar que não perdi nada porque não vendi nada. As ações vão subir”, disse Parisotto a EXAME em seu escritório, instalado dentro da corretora Geração Futuro, responsável pela carteira. “Mas é claro que eu adoraria ter vendido todas um dia antes da queda.”

     Parisotto é um fundamentalista da bolsa de valores, aquele tipo de investidor que, depois de convertido ao mercado acionário, simplesmente o transforma numa profissão de fé. Desde que deixou o comando da Videolar, no início do ano, passa a maior parte do tempo no amplo espaço composto de três salas na Geração Futuro. Esse arranjo foi idéia dos donos da corretora, um sinal de deferência pelo tamanho de sua carteira de ações. Mesmo com o tombo dos últimos tempos, o portfólio de Parisotto está hoje em torno de 700 milhões de reais, e é parte de um fundo ainda maior que ele tem, com outros 15 investidores – a quem chama de confrades. Quando está em sua sala na corretora, o que acontece de segunda a sexta, desde de manhã até bem depois que os mercados fecham, Parisotto acompanha as oscilações de seus investimentos em um monitor de 26 polegadas. Ao fim do pregão, o mesmo ritual: um dos operadores lhe entrega um boletim com o saldo do dia. Por enquanto, seu desempenho tem sido melhor do que o da bolsa – seu fundo perdeu 46% no ano, ante os 54% do Ibovespa. Apesar do mais de meio bilhão de reais perdido, o empresário-investidor vem desenvolvendo uma estratégia ainda mais agressiva nestes tempos de crise. A idéia é usar tudo o que for pago em dividendos das empresas da carteira – algo como 100 milhões de reais por ano – para comprar o que estiver na bacia das almas. Para ele, os papéis de Vale, Usiminas e Randon estão “de graça”. “Triste não é a queda da bolsa, é não ter mais dinheiro para investir. Sinto-me como Imelda Marcos numa loja de sapatos”, diz, referindo-se à mulher do ex-ditador das Filipinas Ferdinand Marcos, famosa por sua coleção de 3 000 pares de sapatos.

Leia mais em Exame

 

Autor: Denispd - Categoria(s): Notícias Tags:


Deixe um comentário:

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo