
Ontem, acompanhei pela última vez um jogo do time do Palmeiras na temporada. Agora, só ano que vem.
Ainda tinha alguma esperança. Afinal de contas, o Grêmio estava desfalcado, Pierre estava de volta, Muricy resolvera fazer boas modificações no time (aleluia). Uma vitória fora de casa traria uma energia a mais para brigar pelo tÃtulo.
Mera ilusão. Bastou apenas um tempo para jogar toda a esperança no lixo.
Comparado aos jogos anteriores, até que o primeiro tempo do time foi razoável. Diego Souza estava jogando bem, Pierre retornou ao time marcando como sempre, Ortigoza lutando muito no ataque. É verdade que a defesa continuava a mostrar sinais de fraqueza, especialmente do lado direito, onde MaurÃcio nitidamente estava jogando muito mal. E foi nesse lado do campo que o Grêmio foi muito perigoso na etapa inicial. O time gaúcho criou as melhores chances, levou mais perigo ao gol de Marcos. No último minuto do primeiro tempo, a jogada crucial do jogo: em jogada originada de um escanteio que não existiu (até aÃ, tudo bem, teve lance a favor do Palmeiras que foi marcado equivocadamente no jogo também), Máxi Lopez esticou bem alto o pé (mas na minha opinião não o suficiente para considerar pé alto), ganhou do frágil MaurÃcio e chutou ao gol. Marcos conseguiu se esticar, espalmou a bola mas Rafael Marques empurrou para as redes. Gol, e fim do primeiro tempo.
Até então, me abati um pouco, mas sabia que com algumas alterações era possÃvel buscar o empate e por que não a virada. Apesar de ter sido melhor, o Grêmio não jogava muito bem.
AÃ, os imbecis e palermas MaurÃcio e Obina se xingaram e se agrediram em campo ainda. Burros. Podiam segurar e se “matar” nos vestiários. Mas o destemperamento dos idiotas foi tão grande, que não aguentaram se segurar. O juiz, corretamente, expulsou os dois.
O resto do jogo, nem precisa dizer. O Grêmio só conseguiu fazer um gol. E o Palmeiras ainda conseguiu criar uma chance com Diego Souza. Jogou um segundo tempo com dignidade, pelo menos.
A diretoria do Palmeiras agiu rápido, e anunciou ainda no estádio a expulsão dos dois energúmenos. CertÃssimo.
E é o fim do Palmeiras no Brasileirão.
Qualquer resultado do time agora em diante será uma vergonha. Vaga para a Sulamericana, Libertadores … porque um time que liderou durante 19 rodadas e abriu enorme vantagem sobre os adversários teria que conquistar, no mÃnimo, o tÃtulo.
Foi um verdadeiro papelão do Palmeiras no Brasileirão. São muitos os motivos que levaram o time a deixar o tÃtulo de bandeja pra os adversários:
1- Os desfalques. O Palmeiras nitidamente tinha um ótimo time, mas apenas um razoável elenco. Lenny, que começou muito bem o ano e era uma ótima alternativa de ataque, se contundiu gravemente, e só agora está retornando aos bancos. O zagueiro MaurÃcio Ramos, que compunha uma entrosada defesa com Danilo (durante boa parte do campeonato, foi a defesa menos vazada. E o pior: ainda é a segunda menos vazada!), teve uma contusão séria jogos depois de a diretoria fazer um esforço enorme para mantê-lo no time, pois o jogador tinha propostas de times estrangeiros. Cleiton Xavier se contundiu no começo da derrocada palmeirense. E Pierre, a alma do time, foi um dos primeiros a já desfalcar o time. Esse, na minha opinião, foi o desfalque mais sentido. As peças de reposição não renderam o suficiente. O jovem MaurÃcio, uma boa promessa, foi uma grande decepção, com um fim melancólico. De volantes, o bom Souza caiu muito de produção com o time. Jumar, Sandro Silva … que saudades de César Sampaio, Mazinho, Amaral, Flávio Conceição, Rogério, Galeano …
2- O comando técnico. Wanderley Luxemburgo comandou uma parte do primeiro turno, foi razoável. Sua demissão foi estranha, os motivos divulgados (relacionados à venda de Keirrisson) não convenceram. A diretoria queria Muricy, que a princÃpio rejeitou a proposta. Jorginho assumiu o time. Com um papo de boleiro, colocando o time para a frente, o Palmeiras engrenou, conseguiu ótimas vitórias jogando bem (como os 2 a 1 contra o Flamengo em pleno Maracanã) e assumiu a ponta do campeonato. Os jogadores queriam que Jorginho continuasse no time. A diretoria insistiu e trouxe Muricy. O time começou a jogar feio, ainda vencendo algumas partidas e mantendo a liderança. Mas era nÃtido que Muricy não conseguia encontrar no elenco os substitutos para os jogadores contundidos. E não conseguia armar um time coeso para apenas vencer os jogos. O técnico se perdeu. A pressão foi aumentando. E Muricy continuou teimando em jogar com o esquema 3-5-2, e a mexer tardiamente nos jogos, e de maneira óbvia. Não acho que Muricy deva sair. Ainda acredito em um bom trabalho dele para o ano que vem. Mas que ficam as perguntas … e se Wanderley continuasse no comando? E se Jorginho fosse mantido? Será que os jogadores não aceitaram o comando de Muricy?
3- Vágner Love. A chegada do jogador foi um trunfo da diretoria do Palmeiras no meio do campeonato. Com o time ainda lÃder, era evidente que o time ganharia em força no ataque. Mas o atacante foi um fiasco. Fez poucos gols, perdeu pênalti contra o Flamengo, se escondeu em diversas partidas. Em razão de seu alto salário, é considerado um dos motivos para desagregar o elenco. A verdade? Não sei se saberemos, mas é uma hipótese bem argumentada. Se Vágner pensou em voltar ao Palmeiras para retornar à Seleção Brasileira, fez muito mal, porque não ajudou em nada o time, e sua convocação não ocorrerá.
4- Erros de arbitragem. Sim, erros aconteceram a favor do Palmeiras também. Mas foram mais erros contra do que a favor. O gol anulado de Obina contra o Fluminense vai marcar o campeonato. Os árbitros usaram muitas vezes dois pesos e duas medidas para lances iguais. Se os imbecis de ontem foram corretamente expulsos, porque também não foram os idiotas Hugo e André Dias do São Paulo na partida passada do time contra o Vitória? Será que foi em razão do jogo ser no Morumbi? Ambos foram advertidos com simples cartões amarelos. E a agressão, se não foi pior em nÃvel de violência, foi na minha opinião mais grave ainda porque ocorreu durante o jogo.
5- Queda de rendimento de jogadores. Diego Souza, que durante boa parte do campeonato era considerado por unanimidade o melhor jogador do campeonato, sumiu nos últimos jogos. E teve a companhia de Vágner Love. Cleiton Xavier também fez o mesmo, antes da contusão. Era decisivo em algumas partidas, mas em outras sequer tocava na bola. O garoto Souza a princÃpio fez a torcida se esquecer de Pierre, mas começou a mostrar sinais de afobação nos últimos jogos. Armero concilia ótimas partidas com jogos esdrúxulos. Obina fez 3 gols em duas partidas memoráveis (contra Corinthians e Goiás), mas passou por um longo jejum de gols. Essa falta de regularidade foi cruel com o time.Â
6- Seleção Brasileira. Diego Souza e Cleiton Xavier, quando retornaram da justa convocação de ambos para a seleção brasileira, não encontraram o mesmo futebol. Responsáveis pela armação da jogada e condução da bola do meio para o ataque, fizeram o time ficar “manco”.
7- Presidente Destemperado. Belluzzo pegou 9 meses de suspensão após declarações fortes contra o árbitro Carlos Eugênio Simon. Se o presidente não dá exemplo de conduta, então jogadores podem seguir a toada.
8- Pressão extrema. Internamente, imagino que deva ser um ambiente de pressão desproporcional no Palmeiras. A ausência de tÃtulos importantes marca uma década para ser esquecida da história dos palmeirenses. Um Torneio Rio-São Paulo e uma Copa dos Campeões em 2000, a Segunda Divisão do Brasileiro em 2003 e o Campeonato Paulista de 2008. Só isso foi conquistado pelo time nesses anos 2000. Esse ano, a eliminação na Libertadores elevou a busca do Campeonato Brasileiro como uma obrigação. A impaciência interna gerou uma pressão grande no time, que ajudou no decontrole da equipe na competição.
Durante os próximos dias e semanas, surgirão declarações, discussões, revelações a respeito dos acontecimentos e sobre o ambiente do time. Espero que as laranjas-podres sejam jogadas fora. E que um bom time seja formado para o próximo ano.





