Blig do Balbino

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27/10/2008 -  09:24     

Vamos nóis de novo…

Olá Bligaiada!

Foram dois dias sem bligar, pois o final de semana estava pra lá de agitado e uma certa “gripe” me pegou também. Bom, esta semanas teremos algumas novidades, como uma de nossas colaboradoras que escreveu um complemento de O Encontro, mas pelo lado da Giovanna. Ficou muito legal e vou posta-lo por aqui. Teremos também (finalmente) o primeiro Eu me lembro muito bem… Bom, é isto!

Boa semana a todos!

 

 

 

 

 

 

Enviado por:  Sérgio Balbino - Categoria: Pessoal
Tags relacionadas:  Eu me lembro muito bem, O Encontro
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08/10/2008 -  10:20     

Recordar é viver – O Encontro (parte final)

Nota do escriba: minha idéia sempre foi fazer uma grande história entre David e Giovanna (aliás, a descrição de Giovanna foi inspirada em uma pessoa real que conhecí naquela época… Não, não falo quem foi!), mas como fiquei sem tempo, meio que perdeu o sentido. Mas mesmo assim, acho que ficou legal, pois vocês podem imaginar o que poderia ter acontecido com estes dois…

Bom, segue a parte final de “O encontro”.

                                                                                                                                       

O Encontro…(Final)

-“Malditas invenções!” – praguejava o velho – “Odeio estas coisas! Viagra, Internet, veio só para perturbar a vida dos velhos!”, reclamava em voz alta. Por quê? Bom, pelos pensamentos do agora velho Sr. David, o Viagra despertava prazeres que, com sua idade, só poderia ter em troca de pequenas fortunas pagas a mocinhas corajosas. Usar um comprimido destes com a prima Susie (com a qual ele casara para herdar a importadora do tio) era impossível. Ela se tornara uma velha inglesa feia, gorda e chata. E a Internet por permitir que ele fosse atingido em cheio e abatido como seu pai em batalha, por aquela mensagem curta e chocante:

“- David? O da moto Vincent? Só pode haver um! Sou eu! A Giovanna, lembra de mim?”

Leu e releu aquele e-mail tantas vezes que perdera a conta. Como não se lembrar se jamais a esqueceu? Desde que ele buscou o dinheiro para o seu tio, na casa dos italianos, ela se tornara a mulher de sua vida! Foram muitas e muitas garrafas bebidas de uísque para esquecer o que aconteceu. Na verdade, várias décadas rodando com várias motos pela cidade de São Paulo. Ficou conhecido como “O Inglês”, que sempre tinha motos caras e as trocava de ano em ano (sempre inglesas, claro!), fazendo o impossível para importá-las numa época que a mesma era proibida pelas leis vigentes no pais.

Foram tantas viagens, tantas motos, tantas mulheres… Ah, vocês devem estar perguntando “Mas, e aquela moto do encontro deles, a.. Como chama mesmo? Vincent, não é isto?”. Bem amigo… Esta moto ficara guardada em sua casa, num lugar especial de seu escritório onde ninguém mais podia entrar. Nunca mais rodara. Curtia seus momentos de solidão ao lado daquela máquina responsável pelo encontro que marcou sua vida e seu coração, sempre pensando em sua Giovanna!

“-E como assim do nada, ela aparece?”

Tinha sido apenas uma noite, isto mesmo, uma noite, da qual ele se lembra de cada detalhe… Gestos… Gostos… Cheiros.

“-Como me lembrar, se nunca a esqueci?”

Como ela estaria agora, melhor nem pensar. Sua Vincent continuava a mesma, igualzinha dos anos 50. Em todos estes anos, Giovanna nunca mudou em sua memória. Aqueles olhos azuis, aquele sorriso encantador, aquele jeito de menina adorável com ar de mulher… Encantadora! Esta imagem sempre emoldurava seus pensamentos todos os dias quando ia dormir ou quando acordava. Durante estes anos todos, não importando de quem eram os braços femininos que o abraçavam, sempre ele pensava em Giovanna…

Preferiu assim: um gole de uísque, mais outro… E mais outro para tomar coragem, usando sua mão canhota e já franzida, ainda com aquela maldita dor que nunca o abandonou fustigando-lhe as juntas, apertou a tecla delete… Pronto… Poderia viver de novo em paz o momento mágico daquele sorriso inesquecível, do azul daquele olhar… Sem culpa, sem esperança…

 “- Malditas invenções…” praguejava novamente o velho enquanto cobria sua moto, fechava a porta de seu escritório e ia caminhando em direção a saída…

Fim…

                                                                                                                                       

 

Enviado por:  Sérgio Balbino - Categoria: Pessoal
Tags relacionadas:  O Encontro, Recordar é viver!
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07/10/2008 -  11:38     

Recordar é viver – O Encontro (parte I)

Nota do escriba: texto publicado no antigo endereço, em 14/08/2006! Nem lembrava que fazia mais de dois anos!

                                                                                                                                       

 O Encontro … (Parte I)

Um herói de guerra, sua moto e um momento inesquecível.
Foi um momento mágico. Nunca mais conseguiu lembrar as palavras que disse. Mas ela sorriu um sorriso tão lindo, o olhou com aqueles belos olhos azuis e abaixou a cabeça de uma maneira que David nunca mais conseguiu esquecer. Bem que tentou. Pensava em outras mulheres, outros momentos mas sempre a mesma cena voltava-lhe a memória. Por causa de Giovanna, nunca mais se apaixonou por outra mulher. Para preservar aquele momento, guardou uma moto que fez parte deste encontro. Cuidou como nunca uma pessoa cuidou de um bem, pois era algo valioso, mágico, onde nenhum dinheiro do mundo o faria desfazer dela. Tudo por causa de Giovanna…
Para que vocês saibam o que aconteceu, vamos voltar no tempo, quando David era piloto da Força Aérea Inglesa (a famosa RAF – Real Air Force), na distante e já quase esquecida 2ª Guerra Mundial. Um dos melhores pilotos ingleses de sua época, nutria ódio descomunal pelos italianos, por causa de seu pai – abatido em vôo em combate nos céus da “Vecchia Senora”. Combatia sem medo de viver ou morrer, sobrevivendo combate após combate e abatendo mais e mais adversários.

 

 

Quando a guerra terminou no já distante 1945, David não sabia o que fazer e para onde ir. Sentia muito a falta de seu pai, amigo e mentor, além do fato de nunca ter conhecido sua mãe, estava perdido na vida. Canhoto, sofria uma dor chata na mão esquerda que o acompanharia pelo resto de seus dias. Dor vinda dos tempos de colégio, onde as freiras sempre o castigavam por meio de palmatória, por insistir em usar para escrever, uma mão que não era a direita. Esta mesma dor que se transformava em ódio quando ele pilotava seus aviões na guerra, agora o atrapalhava quando pilotava sua segunda paixão, as motos. E ninguém era louco de falar sobre motos italianas para ele, como as Ducatis e Guzzis. Boa só moto inglesa, como as Tryumphs e Vincents, estas últimas sempre preferidas.

Pintou a oportunidade de vir morar no Brasil, incentivado pelo tio Henry que já estabelecera aqui e tinha uma importadora na cidade litorânea de Santos. Como nada nesta vida é por acaso, mal sabia David que esta vinda para terras tupiniquins marcaria sua vida para sempre…

O dinheiro começou a vir fácil, as encomendas dos paulistanos não paravam de chegar e David finalmente pode comprar a moto de seus sonhos. E não era um moto qualquer era uma (claro) Vincent 500, tão inglesa quanto ele e chá das cinco. A mágoa dos italianos já estava praticamente esquecida e sua nova aquisição o ajudara muito nisto. Mas em um belo sábado, quando seu tio o mandou para São Paulo receber de um de seus clientes, dono de uma cantina no bairro do Bexiga, aquela mágoa voltara com tanta intensidade que ele só conseguira falar cerrando os dentes:    

“-Um italiano?”, perguntou já com os olhos vermelhos de raiva…

“-É dinheiro, vá buscar!”, respondeu o seu velho tio com a frieza típica dos ingleses.

Esqueceu a maldita dor na canhota, pegou sua moto e deu algumas voltas para clarear pensamentos que voltaram com a força de um furacão à sua cabeça. Precisava relaxar e tentar dormir, pois algo diria que seu Domingo não seria dos mais fáceis…

Amanhece, David pega seu xodó, monta sobre ela e dispara em direção a São Paulo, acelerar sua possante moto pelas curvas da estrada de Santos (que viraria música na voz de certo cantor anos mais tarde…) era o sonho de qualquer jovem daquela época. Dor na mão, ódio espumando, nada melhor que uma boa tocada para chegar mais tranqüilo no bairro dos “maledetos” italianos. Ficou assim, pensando em curvas, motores, aviões, seu pai até encontrar o endereço do cliente. Quando parou em frente a casa do carcamano, seus problemas começaram… Ela estava saindo, chapéu e sombrinha rendada:

-“Bom giorno…”

Falou abrindo um sorriso como mulher nenhuma jamais sorrira para ele. O jovem David gaguejou, tremeu e sentiu que estava perdido…

 CONTINUA…

 

 

Enviado por:  Sérgio Balbino - Categoria: Pessoal
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