(O confessionário de Dona Carmozina.)
Acho qu
e nem preciso falar que realmente ela roubou a festa. Claro que foi uma surpresa para todos os participantes do reencontro, mas mesmo seus organizadores não esperavam o que aquela senhora de baixa estatura, óculos e com praticamente a mesma carinha de vinte anos atrás, poderia causar.
Dona Carmozina, nossa eterna professora de matemática, costumava chamar os mais bagunceiros da sala de fedelhos. Conversar na sala enquanto ela explicava algo no quadro negro? Era giz voando na cabeça! O caderno de duzentas folhas, que sempre estava na lista de materiais de começo de ano, sempre era para sua matéria (e o mesmo terminava antes do último bimestre).

Todo santo dia ela conferia se tinhamos feito nossos deveres de casa com um carimbo que era seu “visto”, vamos dizer assim,  e punia sem dó nem piedade o “fedelho” que por ventura tenha esquecido ou não tenha feito com o temido Carimbão.
É pequenos, o Carimbão ia em nosso caderno para que nossos pais assinassem e no outro dia, conferido por ela. Ai de quem não mostra-se o maledeto assinado no dia seguinte… Temido carimbão! Sempre pensávamos em sabotar seu Escort vermelho para que ela não viesse no dia seguinte só para nos safarmos! 
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Não, eu nunca falsifiquei um assinatura no carimbão. Era santinho demais para fazer isto. Mas na noite de ontem, tenho certeza que muita gente confessou que fez…
É, Dona Carmozina… Nossa eterna professora realmente foi a atração da noite! E tenho a absoluta certeza que deve ter se divertido muito com as “Confissões de ex-adolêscentes”!