Todos sabem que em um mundo selvagem o bonzinho sempre se dá mal. Esse negócio de acreditar na bondade natural do ser humano, é coisa de quem acha que inocência é igual a bondade.

Como é de praxe, estava lendo VEJA, para alimentar meu ódio mesmo, mas nesta semana o discurso irracional daquela empresa foi ao meu limite. Até por que me senti atingido como Professor que sou, e estuprado intelectualmente como pseudo-intelectualóide que me considero.

Para continuar é necessário que você leia o que eles querem que você VEJA. O link está a baixo.

http://veja.abril.com.br/200808/p_076.shtml

Então já leu? então clicke e leia oras…

Ótimo, agora que você já leu também, vamos aos fatos.

Não clicou? Ok… Vou colocar um trecho então, só para contextualizar…

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores brasileiros ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado. “

A história sendo uma ciência humana, possui coisas que são fundamentos metodológicos científicos para legitimar as suas leituras e contruções. Uma delas é narrar o fato em ordem cronológica, ou seja contar a história do ponto de vista de quem viveu aquele momento histórico, não mudar a leitura apartir de um novo pensamento elaborado em posteriori. Isso é um fundamento para a construção do pensamento histórico. Agora VEJA, Quando o economista diz, em tom de ironia que CHE, poderia ter sido o descobridor da vacina da malária e ter ajudado muitos mais humilhados, ele comete um erro fatal na elaboração de um discurso HISTÓRICO e posiciona-se ideologicamente.

Che, viveu em uma época onde palavras e gestos mobilizavam milhares de pessoas, não apenas o sorriso ironico da elite economica. Descontextualizar Che de seu momento histórico é coisa de Economista ou de pessoas que tenham má fé. No caso da Veja, acho que juntaram o útil ao desagradável…

Não vou continuar comentando aqueles comentários, IDEOLÓGICOS, descontextualizados pois seria dar muito mais crédito do que eles merecem, e seria também substimar a capacidade de vocês como ser críticos que são.

Mas contudo, concordo que a educação brasileira não é um exemplo em geração de oportunidade iguais, até porque é difícil concorrer com as megas estruturas formadas de educação, bem como com a realidade socio familiar dos alunos da periferia, que tem na escola a única fonte de informação, além da TV claro, e por vezes a única forma de amparo.

De fato a pretenção de se recontar a História não é nova. Alguns dos livros citados já foram “censurados” pelo MEC, em um esforço descomunal em que se tem para implantar uma educação onde não se crie a percepção das diferentes classes sociais e que se fortaleça a falsa impressão de Igualdade e Liberdade, que são preceitos dos CAPITALISMO, não da democracia. Isso não é desideologizar é ser OMISSO. Oras somos livres, mas se eu não tiver R$ 3,00 não posso exercer meu livre direito de ir do Riacho fundo para a rodoviária de Brasília.

VEJA bem né?

Como de costume vou colocar uma música para a degustação.

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