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22/08/2008 -  02:59     

FÓRMULA 1 – PELA GLÓRIA E PELA PÁTRIA

Biblioteca nº 04 – escrito em 12/03/2008, por Alexander Grünwald*

Ao fim de 1993, o passado recente da Fórmula 1 era um retrato do sucesso dos pilotos brasileiros. Desde 1970, quando Emerson Fittipaldi estreara pela Lotus, ele e seus compatriotas haviam conquistado 93 poles, 79 vitórias e nada menos do que oito títulos mundiais. Isso em 359 Grandes Prêmios, distribuídos em pouco mais de 23 temporadas.

Este desempenho avassalador dos competidores brasileiros coincidiu com a transformação da própria categoria, que amplificou seu status e profissionalizou-se em todos os níveis. Este cenário, no entanto, não alterou a forma com a qual os nossos pilotos encaravam o desafio e superavam as dificuldades perante os europeus: eles continuavam guiando – e vencendo – pela glória e pela pátria.

Sob esta ótica, o jornalista Eduardo Correa traça um belo painel destes anos dourados do automobilismo brasileiro no exterior, unindo a narrativa histórica a deliciosas histórias de bastidores. Por vezes, o autor permite-se contar os detalhes de determinada prova em primeira pessoa, destacando, por exemplo, a aventura de assistir a um GP do Brasil em Interlagos no início dos anos setenta.

Recheada por depoimentos contundentes, a obra é dividida em três fases (não por acaso as dominadas pelos nossos três campeões mundiais, Fittipaldi, Piquet e Senna). Ano a ano, cada conquista é retratada com cuidado técnico, mas sempre envolta num texto suave, cativante e preocupado com os não-entendedores do esporte a motor.

Como nem todos os que chegaram à F-1 neste período conseguiram títulos e vitórias, o livro reserva alguns capítulos aos heróis que lutaram no pelotão do fundo ou que não alcançaram as devidas oportunidades. Um panorama que começa por Wilsinho Fittipaldi e José Calos Pace, culminando nos ‘jovens leões’ Christian Fittipaldi e Rubens Barrichello, à época recém-chegados no circo da Fórmula 1.

Alguns meses depois do lançamento de “Pela Glória e Pela Pátria”, a morte de Ayrton Senna praticamente encerrou um ciclo. Diante disso, a Editora Globo lançou uma versão ampliada do livro, contendo um relato emocionado daquele início de temporada. Mas aquela tragédia ajudou a mudar os rumos do país na categoria. E, para os brasileiros, a Fórmula 1 nunca mais teve a mesma graça.

Ficha técnica
Título: Pela Glória e Pela Pátria
Autor: Eduardo Correa
Editora: Globo
Formato: 13,5 x 20 cm
Páginas: 290
Lançamento: 1994

ENTREVISTA COM EDUARDO CORREA (AUTOR)
(depoimento por telefone a Alexander Grünwald, em 12/03/2008)

Autoteca: Como e quando você decidiu escrever este livro?
Eduardo Correa: Era uma idéia de alguns anos, que se tornou possível num dado momento da minha vida profissional. A primeira hipótese de escrevê-lo veio bem antes, em 1988, auge da transição Piquet-Senna. Quando saí da área de economia da Folha de S. Paulo, me tornei executivo da área de marketing da TV Globo e consegui encaixar melhor meus horários. Percebi então que daria para escrever nas horas vagas e que havia até mesmo interesse comercial pela obra por causa do momento que o Brasil vivia na F-1. Em meados de 1993, um amigo levou o projeto à Editora Globo e em pouco tempo a coisa se desenvolveu. Escrevi o livro entre julho de 93 e janeiro de 94.

Autoteca: Esta foi sua primeira experiência como escritor?
Eduardo Correa: Como escritor, sim. No entanto, toda minha experiência profissional como jornalista havia sido em mídia impressa, o que ajudou bastante na elaboração do livro.

Autoteca: Em meio à narrativa histórica, há momentos em que você escreve em primeira pessoa, dando teu depoimento pessoal. Isso foi proposital ou surgiu enquanto escrevia?
Eduardo Correa: Foi proposital a partir do momento em que me dei conta que, por mais profundas que fossem as entrevistas com os pilotos, eu estava fazendo um livro a partir de fontes secundárias, e isso seria extremamente sem graça. Comecei a perceber a importância de ter o meu ponto de vista, inclusive do moleque que empurrou o carro do Emerson, que pulou os muros de Interlagos… E me pareceu perfeitamente cabível emprestar esta visão da arquibancada ou do leitor dedicado das revistas especializadas. A idéia de falar desta forma surgiu e foi desenvolvida à medida que eu ‘lutava’ com o texto.

Autoteca: Na F-1, qual conquista e qual derrota envolvendo os brasileiros você considera as mais marcantes?
Eduardo Correa: Eu tenho muita dificuldade em eleger um único momento, ou um momento especial das vitórias do Brasil. Isso já foi até tema de discussões no GP Total. Tenho um carinho muito especial por Hungria/1986. Essa conquista é muito destacada porque se deu basicamente às custas do Senna. A beleza plástica da manobra do Piquet é inquestionável, e a vitória tende a ser muito valorizada por causa disso. Quanto à derrota, a perda do campeonato de 1986 pelo Piquet foi muito dolorosa. Aquela troca de pneus no GP da Austrália até hoje está mal explicada. Por outro lado, foi revoltante o verdadeiro complô armado contra o Senna em Suzuka/1989. Aquele era um título que ele merecia muito.

Autoteca: Quinze anos depois de escrito, você considera “Pela Glória e Pela Pátria” um livro atual?
Eduardo Correa: Há 15 anos, alimento uma dúvida em relação à tese central do livro. Glória e patriotismo são temas bem delicados… Nao sei se isso se sustenta hoje em dia. O Emerson Fittipaldi e o Ayrton Senna se destacaram nesse aspecto, justificando o título. Como diz o prefácio do Emerson, é preciso competir com a alma. E essa pode ser a explicação para o fato dos que vieram depois não terem repetido este sucesso. É algo que os distancia dos brasileiros que se tornaram campeões. No entanto, olhando hoje em dia, a única coisa importante que precisaria ser refeita no livro é um aprofundamento técnico no caso do acidente do Senna. De resto, a históoria está bem contada, é isso mesmo.

Autoteca: Há outros projetos em vista?
Eduardo Correa: Tenho muita vontade de atualizar o “Pela Glória e Pela Pátria”. A própria história do Rubinho é muio rica, daria alguns capítulos bastante interessantes. O problema, hoje, é falta de tempo. Escrever um livro destes vem a cabo de muito esforço. Quem quiser escrever um livro tem que ter em mente que é 90% transpiração e o resto de inspiração, se tanto. É do esforço que vem a inspiração para fazer algo diferenciado. Além disso, ainda sonho escrever outros dois livros, mas por enquanto eles são apenas isso: um sonho.

Crédito das fotos: reprodução / site Mercado Livre

Alexander Grünwald é jornalista especializado em automobilismo. Após dez anos atuando no mercado publicitário, ingressou no canal a cabo SPORTV em 2006, tornando-se, no ano seguinte, produtor do programa Grid Motor. É dono do Grün Blig e possui também uma coluna semanal no blog Voando Baixo, chamada Sexta Marcha.

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Tags relacionadas:  Biografias, Brasileiros, Eduardo Correa, Fórmula 1, Globo
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22/08/2008 -  01:57     

SELO DO AYRTON SENNA – I

Selos Velozes nº 03 – escrito em 14/02/2008, por Alexander Grünwald*

Estampa comemorativa Ayrton Senna, 1989
Na mesma linha da homenagem a Piquet, lançada no ano anterior, a estampa pega carona no primeiro título mundial de Senna. A imagem é do modelo MP4-4 da McLaren-Honda, que massacrou a concorrência naquela ocasião e ajudou o brasileiro a vencer o campeonato.

Emitida pela Empresa Brasileira e Correiros e Telégrafos (ECT), a folha não menciona diretamente o nome de Ayrton Senna. A inscrição limita-se a citar o Brasil como “Campeão Mundial de Pilotos” daquela temporada. No recorte do selo, no entanto, a ilustração não deixa dúvidas de que se trata do piloto brasileiro.

Ficha técnica
Tema: Ayrton Senna Campeão do Mundo
Formato:
Design: ECT
Emissão: 1989
País de origem: Brasil

*Alexander Grünwald é jornalista especializado em automobilismo. Após dez anos atuando no mercado publicitário, ingressou no canal a cabo SPORTV em 2006, tornando-se, no ano seguinte, produtor do programa Grid Motor. É dono do Grün Blig e possui também uma coluna semanal no blog Voando Baixo, chamada Sexta Marcha.

Crédito da foto: reprodução / ECT

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18/08/2008 -  05:34     

SELO DO NELSON PIQUET

Selos Velozes nº 02 – escrito em 14/02/2008, por Alexander Grünwald*


Estampa comemorativa, 1988
Lançada pela Empresa Brasileira e Correiros e Telégrafos (ECT), por ocasião do terceiro campeonato mundial de Nelson Piquet, conquistado em 1987. A inscrição no alto da folha faz menção também aos títulos anteriores, 1981 e 1983. A imagem bem trabalhada retrata a Williams-Honda com a qual o brasileiro derrotou o inglês Nigel Mansell na temporada do tri.

Outros detalhes bem interesantes são o fundo, com a pintura de uma torcida de arquibancada estilizada, e o traçado do autódromo do Rio de Janeiro, batizado naquele ano com o nome de Nelson Piquet. A bandeira do Brasil, logo atrás da imagem do carro, também compõe o recorte do selo.

Ficha técnica
Tema: Nelson Piquet Tricampeão do Mundo
Formato:
Design: ECT
Emissão: 1988
País de origem: Brasil

*Alexander Grünwald é jornalista especializado em automobilismo. Após dez anos atuando no mercado publicitário, ingressou no canal a cabo SPORTV em 2006, tornando-se, no ano seguinte, produtor do programa Grid Motor. É dono do Grün Blig e possui também uma coluna semanal no blog Voando Baixo, chamada Sexta Marcha.

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17/08/2008 -  05:49     

SELO DO EMERSON FITTIPALDI

Selos Velozes nº 01 – escrito em 14/02/2008, por Alexander Grünwald*

Estampa comemorativa, 1972
Lançada pela Empresa Brasileira e Correiros e Telégrafos (ECT), por ocasião do primeiro campeonato mundial de Emerson Fittipaldi. Com um trabalho gráfico carregado em contrastes, a imagem da folha retrata a lendária Lotus 72 com a qual o brasileiro faturou o título. Já o detalhe do selo mostra Emerson no cockpit, de viseira aberta, preparando-se para uma corrida.

Ficha técnica
Tema: Emerson Fittipaldi Campeão do Mundo
Formato:
Design: Casa da Moeda do Brasil
Emissão: 1973
País de origem: Brasil

*Alexander Grünwald é jornalista especializado em automobilismo. Após dez anos atuando no mercado publicitário, ingressou no canal a cabo SPORTV em 2006, tornando-se, no ano seguinte, produtor do programa Grid Motor. É dono do Grün Blig e possui também uma coluna semanal no blog Voando Baixo, chamada Sexta Marcha.

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14/08/2008 -  07:29     

O BRASIL NA FÓRMULA 1

Biblioteca nº 01 – escrito em 20/02/2008, por Alexander Grünwald*

Enquanto a nova temporada não começa, o mercado de livros dedicados ao esporte a motor ganha mais um título: chega às livrarias “O Brasil na Fórmula 1 – Os títulos e as vitórias que transformaram o Brasil no país do automobilismo”. A obra do consultor de empresas Alexandre Armando Vasconcellos reúne pequenas descrições de cada uma das 93 vitórias brasileiras na Fórmula 1 até o fim de 2007. Um belo apanhado de informações que contempla desde a primeira, em 1970, com Emerson Fittipaldi, à mais recente, com Felipe Massa.

De forma geral, são textos dinâmicos que conseguem transmitir ao leitor as nuances características de cada um daqueles momentos, reproduzindo detalhes da época ou ressaltando um ou outro dado técnico que a frieza dos números não seria capaz de ler. Alguns relatos são capazes de emocionar os que testemunharam as conquistas retratadas, relembrando, inclusive, os oito títulos que vieram como conseqüência destes primeiros lugares.

Além das vitórias em si, devidamente ilustradas por fotos coloridas, o autor destaca algumas atuações dos nossos representantes, sugestivamente classificadas como ‘a vitória que não veio’ ou ‘a vitória que não valeu’. Caso da marmelada ferrarista que impediu Rubens Barrichello de ser o vencedor em Zeltweg/2002, ou da desclassificação de Ayrton Senna em Suzuka/1989, na controversa decisão daquele Mundial a favor do francês Alain Prost.

O interessante é que os outros 21 brasileiros que disputaram – mas não venceram – corridas na F-1 também são lembrados, à base de breves perfis de suas carreiras. É neste embalo que até Nelson Ângelo Piquet, que nem havia estreado à ocasião da publicação, também aparece, devidamente comentado. Mas, além das detalhadas estatísticas das últimas páginas, vale ressaltar mesmo é o capítulo dedicado à equipe Copersucar/Fittipaldi, que mostra a trajetória do time de Emerson e Wilsinho, ano a ano, narrado às vezes em primeira pessoa. O que, em vez de comprometer, acaba dando um tom ainda mais histórico ao conteúdo.

Enquanto a capa, elegante e bem acabada, seduz os olhos, o preço assusta o bolso, já que o preço de lançamento da editora Alaúde (a mesma que publicou alguns títulos sobre a indústria automobilística brasileira) é fixado em R$ 72. Ao longo das duzentas páginas há pequenos equívocos, como dizer que os malucos que invadiram a pista nas vitórias de Barrichello em Hockemheim/2000 e Silverstone/2003 eram a mesma pessoa. Mas, no fim das contas, o esforço da pesquisa e da redação é recompensado com uma ótima fonte de consulta para jornalistas, fãs e apaixonados pelo automobilismo brasileiro e suas glórias mundo afora.

Ficha técnica
Título: O Brasil na Fórmula 1
Autor: Alexandre Armando Vasconcellos
Editora: Alaúde
Formato: 23,0 x 20,5 cm
Páginas: 200
Lançamento: Fevereiro de 2008 (a R$ 72)
País de origem: Brasil

Entrevista com o autor
Para ler a entrevista concedida pelo autor à jornalista Bárbara Frazin no blog Velocidade, clique aqui.

*Alexander Grünwald é jornalista especializado em automobilismo. Após dez anos atuando no mercado publicitário, ingressou no canal a cabo SPORTV em 2006, tornando-se, no ano seguinte, produtor do programa Grid Motor. É dono do Grün Blig e possui também uma coluna semanal no blog Voando Baixo, chamada Sexta Marcha.

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