Recebi um livro chamado “Tudo o que você faz eu faço melhor – Um guia sobre “coisas de homem” para as mulheres”, escrito por Leigh Phillips e Jennifer Axen. Achei a proposta muito interessante, mas depois fiquei pensando, será que precisamos de um livro para nos ensinar a fazer tudo que os homens fazem?
Bom, a primeira lição é bastante óbvia: explicar a regra de impedimento do futebol, afinal, todo homem mede o conhecimento de uma mulher no esporte por essa regra. Particularmente eu acho que uma pessoa (homem ou mulher) pode muito bem discutir sobre os jogos da rodada sem estar apta a explicar em poucas linhas todos os aspectos da regra de impedimento. Até porque, aposto que tem muito homem que erra essa explicação.
Todo o primeiro capÃtulo é sobre lições ligadas a esportes, como jogar sinuca, pôquer e luta de braço (mais conhecido como braço de ferro). Pra mim já foi a época que isso era “coisa de homem”, mas tudo bem, seguindo o livro temos algumas lições menos aplicáveis no nosso dia-a-dia, como ganhar apostas na corrida de cavalos no jóquei e dar uma tacada de saÃda do tee no golfe.
Depois de cada capÃtulo há um teste pra verificar se você aprendeu alguma coisa, mas com as alternativas bobas que são dadas é preciso ter dormido nas aulas pra não acertar.
O próximo capÃtulo trata dos negócios e, na minha opinião, traz as lições mais bizarras, ainda mais se você lembrar que são “coisas de homem” que estão sendo ensinadas para as mulheres.
Ensina, por exemplo, como pedir um aumento (hein?), como criar relacionamentos sociais (com uma ótima dica, anotem, meninas: “seja sincera”), como negociar (normalmente as mulheres não são melhores pra pechincar do que os homens?), como não se ofender com qualquer coisa e como se exibir (afinal, há técnicas para isso, certo?).
Depois vem uma pérola que merece destaque: como discutir, com uma opção “nÃvel bêbada”. É isso mesmo que você pensou. Ensina como entrar numa discussão se você estiver bêbada, com dicas como “quanto mais alto você gritar, mais razão vai ter”, “ofensas pessoais são bem-vindas e incentivadas”, “a melhor maneira de acabar com uma discussão é começar a chorar” e por fim “a questão é estar certa e fazer os outros se sentirem idiotas”. Alguém compraria um livro pra ler isso? E mais, são dicas para mulheres mesmo? Mas não acabou, calma, ainda tem como provocar os outros. É hilário, não fosse deprimente!
O terceiro capÃtulo ensina como fazer consertos domésticos, tipo desentupir a privada, pendurar um quadro, montar uma estante ou abrir um vidro de conserva. É muito útil, não fossem algumas lições que parecem abusar da visão da mulher como incompetente sem um homem para ajudá-la, por exemplo, como fazer um sofá passar pela porta ou como matar aranhas e insetos. Nós sabemos como matar uma barata, só preferimos não fazê-lo!
Em seguida, as lições tratam de divertimento, como ficar pronta em cinco minutos, beber de um gole, socar alguém (isso conta como diversão?), abrir uma cerveja sem abridor de garrafas, fumar charuto e beber uÃsque (lembrando que isso também deixou de ser tanto uma “coisa de homem”, já existem muitas mulheres apreciadoras de uÃsque e cachaça).
Daà vem mais uma seqüência muito útil: mecânica! Ensina como fazer uma “chupeta” para dar a partida no carro, trocar um pneu, estacionar paralelo à calçada e, pasmem, carregar o porta-malas. Vamos combinar que isso não é assim tão difÃcil e nem é “coisa de homem”, né?
O último capÃtulo é de lições relacionadas à natureza, tipo fazer churrasco, limpar peixe, acender o fogo, remar, ganhar no concurso de cusparada (que deveria entrar no capÃtulo de diversão, não?), cortar lenha, dar nós e selar um cavalo.
Acho que por esses exemplos já dá pra ter uma noção de como o livro é feito, mas em geral as lições não são muito claras e em alguns casos ainda são superficiais demais, como em “dirigir motocicleta”: matricule-se num curso. Claro que ninguém precisa de um livro pra dizer isso!
Outra coisa que me chamou a atenção é que a maior parte dos assuntos abordados pra mim não são “coisas especÃficas de homem”. Pode ser que eu tenha uma visão diferente do mundo.
O que vocês acham, meninas? Os temas tratados no livro são mesmo “coisas de homem”? E será que precisamos de um livro pra nos ensinar como fazer essas coisas melhor do que eles?

