iG
iBest BrTurbo

Arquivo de abril, 2009

16/04/2009 - 17:51

Mais de 64% das amostras de pimentão estão envenados

16/4/2009 09:14:48
Divulgado monitoramento de agrotóxicos em alimentos
Publicidade

O pimentão foi o alimento que apresentou o maior índice de irregularidades para resíduos de agrotóxicos, durante o ano de 2008. Mais de 64% das amostras de pimentão, analisadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apresentaram problemas. O morango, a uva e a cenoura também apresentaram índices elevados de amostras irregulares, com mais de 30% cada.

No lançamento dos dados do Programa, nesta quarta-feira (15), em Brasília (DF), o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, destacou a importância do trabalho da Anvisa no monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos. “No Brasil, a segunda causa de intoxicação, depois de medicamentos, é por agrotóxicos, o que tem uma dimensão importante”, afirmou Temporão.

Os desvios detectados pelo PARA foram: teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso não autorizado para determinadas culturas. No balanço geral, das 1773 amostras dos dezessete alimentos monitorados (alface, batata, morango, tomate, maça, banana, mamão, cenoura, laranja, abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva), 15,28% estavam insatisfatórias.

A cultura de tomate foi a que apresentou maiores avanços quanto à diminuição dos índices de irregularidades. Em 2007, 44,72% das amostras de tomate analisadas apresentaram resíduos de agrotóxicos acima do permitido. No último ano, esse número caiu para 18,27%.

O arroz e o feijão, coletados pela primeira vez no Programa de 2008, apresentaram índices de irregularidades de 3,68% e 2,92% respectivamente. Juntamente com a manga, batata, banana, cebola e maçã, esses dois alimentos apresentaram os menores teores de irregularidade detectados.

A batata, que em 2002, primeiro ano de monitoramento do Programa, apresentou um índice de 22,2% de uso indevido de agrotóxicos, teve o nível reduzido para 2%. A banana, que chegou a apresentar índice de 6,53% neste período, fechou 2008 com incidência de 1,03% de irregularidades.

Chama atenção, nos resultados do Programa, o uso de agrotóxicos não permitidos, em todas as culturas analisadas. Ingredientes ativos banidos em diversas partes do mundo, como acefato, metamidofós e endossulfam, foram encontrados de forma irregular nas culturas de abacaxi, alface, arroz, batata, cebola, cenoura, laranja, mamão, morango, pimentão, repolho, tomate e uva.

Cuidados

Para reduzir o consumo de agrotóxico em alimentos, o consumidor deve optar por produtos com origem identificada. Essa identificação aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos alimentos, com adoção de boas práticas agrícolas.

É importante, ainda, que a população escolha alimentos da época ou produzidos por métodos de produção integrada (que a princípio recebem carga menor de agrotóxicos). Alimentos orgânicos também são uma boa opção, pois não utilizam produtos químicos para serem produzidos. (Grifo nosso)

Os procedimentos de lavagem e retirada de cascas e folhas externas de verduras ajudam na redução dos resíduos de agrotóxicos presentes nas superfícies dos alimentos.

PARA

O objetivo do PARA, criado em 2001, é manter a segurança alimentar do consumidor e a saúde do trabalhador rural. O Programa, coordenado pela Anvisa em conjunto com os órgãos de Vigilância Sanitária Estaduais e Municipais, abrange, atualmente, 25 estados e o Distrito Federal.

Em 2008, realizaram coletas em supermercados (de acordo com o plano de amostragem) os estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e Distrito Federal. Neste mesmo ano, as ações de ampliação do Programa treinaram os estados de Amapá, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima. Os dez estados treinados, mais São Paulo, participarão do PARA em 2009.

A escolha dos itens analisados pelo Programa leva em consideração a importância destes alimentos na cesta básica do brasileiro, o consumo, o uso de agrotóxicos e a distribuição das lavouras pelo território nacional. No último ano, o PARA acompanhou oito novas culturas, até então nunca monitoradas: abacaxi, arroz, cebola, feijão, manga, pimentão, repolho e uva.

O Programa funciona a partir de amostras coletadas pelas vigilâncias sanitárias dos estados e municípios. No último ano, as amostras foram enviadas para análise aos seguintes laboratórios: Instituto Octávio Magalhães (IOM/FUNED/MG), Laboratório Central do Paraná (LACEN/PR) e Instituto Tecnológico de Pernambuco (ITEP), nas quais foram investigadas até 167 diferentes agrotóxicos.

Caso a utilização de agrotóxicos esteja em desacordo com os limites permitidos pela Anvisa, os órgãos responsáveis pelas áreas de agricultura e meio ambiente são acionados para rastrear e solucionar o problema.

” Trabalhadores rurais são expostos a estes agrotóxicos sem os equipamentos próprios para o manejo destes produtos”, explica José Agenor Álvares, diretor da Anvisa. As medidas em relação aos produtores são, principalmente, de orientação para que sejam adotadas as Boas Práticas Agrícolas (BPAs).

DADOS CONSOLIDADOS DO PARA 2008

Cultura: Abacaxi
Total de amostras analisadas: 95
Amostras insatisfatórios
Total: 9
%: 9,47

Cultura: Alface
Total de amostras analisadas: 101
Amostras insatisfatórios
Total: 20
%: 19,80

Cultura: Arroz
Total de amostras analisadas: 136
Amostras insatisfatórios
Total: 6
%: 4,41

Cultura: Banana
Total de amostras analisadas: 97
Amostras insatisfatórios
Total: 1
%: 1,03

Cultura: Batata
Total de amostras analisadas: 100
Amostras insatisfatórios
Total: 2
%: 2,00

Cultura: Cebola
Total de amostras analisadas: 103
Amostras insatisfatórios
Total: 3
%: 2,91

Cultura: Cenoura
Total de amostras analisadas: 102
Amostras insatisfatórios
Total: 31
%: 30,39

Cultura: Feijão
Total de amostras analisadas: 137
Amostras insatisfatórios
Total: 4
%: 2,92

Cultura: Laranja
Total de amostras analisadas: 101
Amostras insatisfatórios
Total: 15
%: 14,85

Cultura: Maçã
Total de amostras analisadas: 102
Amostras insatisfatórios
Total: 4
%: 3,92

Cultura: Mamão
Total de amostras analisadas: 104
Amostras insatisfatórios
Total: 18
%: 17,31

Cultura: Manga
Total de amostras analisadas: 101
Amostras insatisfatórios
Total: 1
%: 0,99

Cultura: Morango
Total de amostras analisadas: 86
Amostras insatisfatórios
Total: 31
%: 36,05

Cultura: Pimentão
Total de amostras analisadas: 101
Amostras insatisfatórios
Total: 65
%: 64,36

Cultura: Repolho
Total de amostras analisadas: 102
Amostras insatisfatórios
Total: 9
%: 8,82

Cultura: Tomate
Total de amostras analisadas: 104
Amostras insatisfatórios
Total: 19
%: 18,27

Cultura: Uva
Total de amostras analisadas: 101
Amostras insatisfatórios
Total: 33
%: 32,67

Cultura: Total
Total de amostras analisadas: 1773
Amostras insatisfatórios
Total: 271
%: 15,28

Ações Práticas:

1. Realizar reuniões nos Estados, com os órgãos de vigilância sanitária e agricultura e os representantes dos supermercados, dos produtores rurais, do Ministério Público e da Sociedade Civil para o estabelecimento de ações conjuntas.

2. Reavaliar ingredientes ativos de importância toxicológica evidenciada pelos resultados do PARA.

3. Dar continuidade às ações de fortalecimento da rede de referência de Laboratórios de Saúde Pública para o monitoramento de resíduos de agrotóxicos nos alimentos.

4. Continuar ampliando o quantitativo de amostras e a diversidade das culturas envolvidas no PARA.

5. Seguir ampliando as estratégias junto aos Estados para a rastreabilidade de produtos in natura.

6. Fomentar a estruturação da assistência técnica rural para aprimorar a qualificação do produtor.

7. Organizar e fomentar ações e campanhas educativas voltadas para todos os atores sociais envolvidos na cadeia produtiva de Frutas, Verduras e Legumes : dos trabalhadores rurais aos consumidores.

8. Elaborar uma versão da nota técnica comentada para ser disponibilizada nas estruturas de divulgação da Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde e outros canais de comunicação direta com a sociedade.

9. Incluir as ações do PARA no Plano Integrado de Vigilância e Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

10. Estabelecer parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), por meio do Programa de Assessoria Técnica, Social e Ambiental (ATES) da Diretoria de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento Rural.

11. Definir as ações a serem desenvolvidas em relação aos ingredientes ativos que apresentaram maior freqüência de irregularidades e para as culturas com grande número de resultados insatisfatórios.

12. Fortalecer os programas de governo já existentes, como o de produção integrada e o de produção orgânica.

13. Solicitar ao Ministério da Agricultura a adoção de medidas que limitem a importação de agrotóxicos que são encontrados pelo PARA apesar de terem severas restrições internacionais, e cujos níveis de importação estão acima do teto histórico.

14. Fomentar a integração das ações voltadas para o monitoramento de resíduos de agrotóxicos efetuados por diferentes instituições públicas, federais e estaduais.

15. Agilizar a publicação de normas técnicas para as culturas com suporte fitossanitário insuficiente e para os produtos destinados à produção orgânica de alimentos.

16. Integrar regionalmente as ações fiscalizatórias das Vigilâncias Sanitárias e das Secretarias de Agricultura.

17. Informar o Ministério da Agricultura e a Polícia Federal quanto à presença de agrotóxicos proibidos no país, encontrados nas culturas analisadas pelo PARA.

18. Apoiar ações desenvolvidas pela Associação Brasileira de Supermercado (ABRAS) no que tange: a geração de dados e informações sobre o consumo e qualidade de Frutas, Verduras e Legumes (FLVs); a organização de sistemas de “Alerta rápido para acidentes de consumo” objetivando a construção de base histórica de solução de problemas; o estabelecimento de mecanismos que permitam aos Supermercados informar e orientar o Consumidor e o compartilhamento da base de dados sobre monitoramento interno da qualidade de FLVs junto aos órgãos pertinentes;

19. Fortalecimento das ações da Produção Integrada-PI através da divulgação dos benefícios de sua utilização como agricultura sustentável, que profissionaliza o setor, através da adoção de tecnologia e capacitação, acarretando entre vários benefícios a redução da utilização de agrotóxicos nos alimentos e produtos derivados

20. Incentivar e aumentar a abrangência de atuação dos projetos SAPI e Orgânicos como parte de políticas públicas, como por exemplo: alimentos de Produção Integrada e Orgânicas na merenda escolar

21. Incentivar e apoiar o Programa Pró-Orgânico do Ministério da Agricultura para ampliar a oferta de produtos que não utilizam agrotóxicos

Fonte: Ascom/Assessoria de Imprensa da Anvisa

Autor: fedulis@ig.com.br - Categoria(s): Notícias, PASMEM...... Tags:
04/04/2009 - 14:17

Santa Catarina é lanterninha ambiental no Brasil

 

                        Lauro Eduardo Bacca – biólogo e ecologista

 

A Santa Catarina de tantas glórias e exemplos para o país em diversas outras áreas e setores econômico-sociais, na questão ambiental, apesar de já estar atrasada em relação a muitos outros estados, mesmo assim só tem andado ainda mais para trás, principalmente nos últimos anos. Divulga-se que estamos em penúltimo lugar em saneamento, atrás apenas do Piauí; somos o estado do bioma mata atlântica que mais tem desmatado; as leis e regulamentos ambientais são sistematicamente aprovadas sob a ótica meramente produtiva-usuária-dominadora da natureza e do desenvolvimento a qualquer custo; por aqui se ignora os graves alertas de milhares de cientistas de mais de 95 países e da ONU sobre a grave situação planetária e o discurso desenvolvimentista por aqui parou na visão que se tinha do assunto nas décadas de 50 e 60 passadas; a lei do ICMS Ecológico, um enorme sucesso em mais de dez outros estados, aqui está emperrada há mais de 15 anos; nossa maior Unidade de Conservação, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro primeiro ficou sistemáticamente abandonado pelos governos que nada ou pouco fizeram para sua efetiva implantação e agora sofreu uma recategorização, para júbilo dos grandes empreendimentos com aquela mesma visão ultrapassada e já mencionada dos anos 50-60; a Fatma está engessada e a Polícia Ambiental amordaçada; a lista de espécies ameaçadas, que o Paraná já tem desde 1995, por aqui ainda está sendo discutida e não é por falta de interesse e empenho dos nossos cientistas; a farra do boi não é coibida por contar com a simpatia de pessoas influentes e/ou em altíssimos postos de comando; o governador, além de claramente não apoiar o meio ambiente ainda o prejudica de todas as formas: entrou com uma ADIN contra o SNUC e importantes Unidades de Conservação criadas no Estado, como os Parques Nacionais da Serra do Itajaí e das Araucárias e outras e afirmou irresponsavelmente em artigo assinado nos jornais que “a maioria (SIC!) dos deslizamentos da catástrofe de novembro ocorreu em áreas de Mata Virgem”, imagine-se com que intenções. Para encerrar, foi o líder inconteste que resultou na deturpação do projeto original do Código Ambiental para Código Antiambiental de Santa Catarina. Desculpem essa maré de más notícias. Em que pese tudo isso, não devemos desistir e nem parar de lutar, pois quem sabe tenhamos um refluxo de maré com notícias boas a partir de 1º. de janeiro de 2011.

Autor: fedulis@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/04/2009 - 11:51

Novidades sobre Agricultura da Comissão Européia

De acordo com o Portal de Novidades sobre Agricultura da Comissão Européia “A Comissão Européia publicou um novo relatório sobre as estratégias nacionais visando assegurar a coexistência das culturas geneticamente modificada e a agricultura convencional e biológica.” Trata-se do documento IP/09/532, datado de 2 de abril de 2009. “No curso dos últimos anos, os Estados-Membros têm feito progressos consideráveis na elaboração de uma legislação relativa à coexistência. A publicação deste arcabolso legislativo tem coincidido com um aumento moderado da superfície cultivada consagrada às culturas geneticamente modificadas. A Comissão continuará a emitir recomendações concernentes às medidas técnicas de confinamento específico às diferentes culturas com os Estados-Membros e as partes interessadas. Este relatório contém as principais conclusões do segundo rapport da Comissão Européia sobre o tema.”

Para ver o texto completo : http://europa.eu/rapid/pressReleasesAction.do?reference=IP/09/532&format=HTML&aged=0&language=EN&guiLanguage=en

Maiores informações consultar : http://ec.europa.eu/agriculture/coexistence/index_en.htm

 

Autor: fedulis@ig.com.br - Categoria(s): transgenicos Tags:
04/04/2009 - 11:36

O licenciamento ambiental é um instrumento de proteção do meio ambiente.

TV Justiça: Licenciamento ambiental é tema do Defenda sua Tese
O programa “Defenda sua Tese” desta semana recebe o mestre em Direito pela Faculdade de Campos, no Rio de Janeiro, Jeferson Nogueira Fernandes. Ele expõe a dissertação “Licenciamento ambiental municipal: um instrumento local de efetivação de direitos fundamentais”. A TV Justiça apresenta versão inédita neste domingo, às 20h30, com reapresentação na quarta-feira, às 19h30.
 
O licenciamento ambiental é um instrumento de proteção do meio ambiente. Ele resulta no procedimento administrativo que condiciona os empreendimentos e atividades de significativo impacto ambiental, ou seja, degradações que se submetem à autorização do poder público. “É um instrumento que visa compatibilizar de forma preventiva os direitos aparentemente em conflito e que de alguma forma devem ser efetivados, por se tratar, em sua maioria, de direitos essenciais à pessoa humana e de mesma importância quanto ao ambiente sadio e equilibrado”, explica Jeferson Nogueira.
Na dissertação, apresentada em 2008, o mestre destaca ainda que a proteção e a preservação ambiental são um dever do poder público, inclusive dos municípios e da sociedade, tendo em vista o dever constitucional imposto pela Constituição Federal de 1988 e pelo fato do ambiente equilibrado e sadio corresponder a um direito fundamental da pessoa humana. “O município é competente, independe de delegação, porque o próprio ordenamento jurídico, principalmente o constitucional, permite que ele licencie as atividades relacionadas ao impacto local que influenciam os municípios e as pessoas que vivem no local”, explica Jeferson.
Além disso, o mestre afirma que o licenciamento ambiental é visto por uma outra perspectiva, que visa direitos fundamentais, como por exemplo, a proteção do meio ambiente, a moradia, o desenvolvimento econômico entre outros. “Todo o procedimento de licenciamento que a administração faz, pondera esses direitos, valores, visando uma efetivação do ser humano”, defende ele.
O programa conta com a participação da especialista e professora de Direito Ambiental Glenda Branã; e do professor de Direito Constitucional da Universidade Católica de Brasília Paulo Henrique Cordeiro.
Fonte: TV Justiça
 www.leandroeustaquio.com.br
Autor: fedulis@ig.com.br - Categoria(s): OPORTUNIDADES PROFISSIONAIS, Tecnologia Tags:
02/04/2009 - 21:14

As verdades que devem ser ditas aos agricultores e aos educadores rurais

Crédito rural: o que poderia ser uma grande solução transformou-se numa grande decepção

 

“Não podemos resolver os problemas com os mesmos modelos de pensamentos que nos conduziram a eles”. “Não podemos pretender que as coisas mudem se continuamos  fazendo sempre a mesma coisa” – Albert Einstein

 

No Brasil, mais uma vez, os produtores rurais estão enfrentando uma grave crise de endividamento e insolvência econômica. E como de costume, os “conselheiros” que sugerem medidas para solucioná-la estão propondo que os agricultores continuem ”com o pires na mão”, mendigando aos governos créditos, subsídios e outras efêmeras ajudas paternalistas. Com evidente falta de criatividade continuam insistindo nos mesmos refinanciamentos das dívidas dos agricultores; e o que é ainda mais contraditório, com o  claro objetivo de torná-los, novamente, sujeitos de créditos para que possam endividar-se uma vez mais e cada vez mais. 

 

Nenhum inimigo é pior que um mau conselho – Sófocles

 

Ao formular recomendações tão carentes de originalidade parece que os referidos conselheiros não aprenderam  absolutamente nada com a recente crise econômica mundial, que foi provocada exatamente pela excessiva  e imprudente, para não dizer irresponsável, concessão y utilização de créditos. Quando o mais lógico seria  advertir aos governos e aos agricultores que, se o crédito rural fosse tão eficaz na solução dos seus problemas, não teríamos tantos produtores rurais tão fortemente endividados. Esses conselheiros continuam recomendando  paliativos emergenciais que apenas suavizam momentaneamente os sintomas (ou efeitos) da crise, em vez de eliminar as causas mais profundas que, ano após ano, estão originando-a e alimentando-a de maneira cumulativa; paliativos que perenizam a dependência que os agricultores têm do Estado, em vez de propor medidas inovadoras que os emancipem, de uma vez por todas, de tão crônica e ineficaz dependência.

 

É necessário dizer e demonstrar aos produtores rurais que, como regra geral:

- as principais causas dos seus problemas econômicos são as ineficiências, tecnológico-produtivas, gerenciais e/ou comerciais, que os próprios agricultores estão cometendo;

- entre outros motivos, eles no têm rentabilidade porque estão adotando vários procedimentos equivocados ( evitáveis ou elimináveis ) que  incrementam desnecessariamente os seus custos de produção e reduzem desnecessariamente os preços de venda das suas colheitas; sem perceber que, para ter rentabilidade, poderiam e deveriam concentrar os seus esforços em fazer  exatamente o contrário;

- estão cometendo essas ineficiências  não necessariamente por falta de decisões políticas, créditos abundantes nem subsídios; tampouco por culpa do FMI, do Banco Mundial, da globalização ou do neoliberalismo. Estão cometendo-as porque o nosso sistema de educação rural no está cumprindo com a sua função de proporcionar aos agricultores os conhecimentos que eles mais necessitam: agronômicos, zootécnicos   veterinários, nem os  relacionados com a administração rural, incluindo formas associativas para corrigir as profundas distorções que ocorrem na realização dos seus investimentos, na aquisição de insumos e na comercialização das colheitas.

 

Esta relação causa/efeito, entre insuficiência de conhecimentos e fracasso econômico dos agricultores, apesar  de óbvia continua sendo subestimada e até ignorada pelos mencionados conselheiros. Aparentemente eles ainda não se deram conta que, no mundo globalizado, os conhecimentos passaram a ser os fatores más determinantes para que os produtores rurais possam tornar-se e manter-se competitivos.

 

Conselhos equivocados estão induzindo os agricultores a um grave erro

 

Os produtores rurais, mal orientados pelos mencionados conselheiros, continuam procurando  pseudo-soluções nas  instituições  inadequadas, que não têm a atribuição nem a idoneidade técnica para solucionar os seus problemas através da  eficiência e do profissionalismo. Para confirmá-lo basta observar que os agricultores continuam mendigando ajudas aos burocratas e economistas do Banco do Brasil, do Banco Central, do Ministério de Fazenda ou aos deputados e senadores do Congresso Nacional. Em vez de exigir soluções de verdade nas  instituições que têm a atribuição legal,e que deveriam ter a capacidade técnico-operativa, para proporcionar-lhes os conhecimentos da ciência, da tecnologia, do empreendedorismo e do cooperativismo. Conhecimentos, não necessariamente complexos nem sofisticados, através dos quais eles mesmos possam substituir a humilhação da dependência pela dignidade da emancipação.

 

“O ideal não consiste em fazer coisas extraordinárias e sim fazer coisas ordinárias extraordinariamente bem executadas” – São Vicente de Paula

 

O diagnóstico até aqui descrito recomenda que os agricultores mudem, urgente e  radicalmente, as suas atitudes e as suas pautas de reivindicações. Em vez  de continuar acreditando nas demagógicas “macro-decisões políticas de apoio aos agricultores”, assumam a seguinte posição: em forma pacífica porém categórica reivindiquem que as instituições abaixo mencionadas adotem medidas muito simples mas que sejam ”extraordinariamente bem executadas”:

 

1) Nas faculdades de ciências agrárias para exigir:

- Que elas se “desurbanizem” e se “ruralizem” com o claro objetivo de que, professores e estudantes, tenham maior vivência e convivência com a realidade agrícola e rural, de modo que a formação dos futuros profissionais seja mais contextualizada, realista e pragmática; y desta forma responda às reais necessidades dos empregadores e dos agricultores;

- Que ensinem aos estudantes a corrigir as ineficiências e a solucionar os problemas dos agricultores, praticando nas propriedades, comunidades e  mercados rurais; e não apenas teorizando nos laboratórios, nas salas de aula e na simulação dos computadores;

- Que ofereçam um ensino que, além de proporcionar uma sólida formação técnica, enfatize o desenvolvimento das habilidades e aptidões dos estudantes para que aprendam a executar de maneira correta e eficiente as práticas agrícolas. O desenvolvimento de tais habilidades e aptidões requer que as faculdades priorizem o “método de ensinar e aprender fazendo”; e que o façam diretamente no campo;

- Que os professores fortaleçam a conscientização e a convicção dos futuros profissionais no seguinte sentido: que na  atualidade, muito mais que no passado, uma agricultura rentável e competitiva tem que estar  fundamentada na correta formulação e aplicação de soluções baseadas em conhecimentos agronômicos, zootécnicos, veterinários e de administração rural. E que, por esta razão, a intervenção destes profissionais na solução dos problemas da agricultura é atualmente muito mais importante e decisiva. Muito mais que a intervenção dos políticos, dos economistas y dos agentes de crédito; os quais durante muitos anos atuaram como ”amortecedores” das dificuldades econômicas dos produtores rurais. Diante desta nova realidade, as faculdades devem formar egressos tecnicamente mais auto-suficientes e mais “autoconfiantes”, para que possam desempenhar-se como os mais importantes e eficazes  “solucionadores” dos problemas da  agricultura nacional. Os professores devem contribuir a levantar  o ego e a auto-estima dos futuros profissionais de modo que eles queiram, saibam e possam assumir um maior protagonismo e liderança na solução dos problemas agrícolas y rurais.

 

2) Nas faculdades de educação ou pedagogia. Para reivindicar que os seus estudantes tenham a oportunidade e a obrigação de vivenciar os verdadeiros problemas econômicos e sociais que ocorrem na vida cotidiana das famílias e comunidades rurais; e que, como conseqüência da referida vivencia, ao  egressar das faculdades saibam como adaptar os conteúdos curriculares e os métodos pedagógicos das escolas fundamentais rurais às principais necessidades de vida e de trabalho imperantes no campo. Que ensinem aos futuros professores rurais conteúdos que verdadeiramente sejam úteis e aplicáveis na melhoria do seu desempenho como educadores; e não tanto a teorizar sobre as teorias (a redundância é intencional) filosóficas, sociológicas, antropológicas e políticas da educação. Porque estes conteúdos tão abstratos e impregnados de um forte componente político-ideológico contribuem a desviar as faculdades de educação do seu  principal objetivo  que é o de formar professores competentes. Em muitas dessas faculdades, sob o atraente adorno de “formar cidadãos críticos e conscientes” estão formando ativistas políticos; que estão mais preocupados em estimular greves e reivindicar supostos direitos que em cumprir com seus deveres como educadores eficientes. Pragmaticamente as faculdades devem priorizar e enfatizar a formação de professores que egressem sabendo, concreta e objetivamente, como devem desempenhar-se na sala de aula, como devem envolver os pais e a comunidade no esforço educativo, o que devem ensinar e como devem fazê-lo para desenvolver as potencialidades latentes e fortalecer as capacidades das crianças e jovens rurais; com o propósito de que depois de adultos sejam eles mesmos, e não o retórico paternalismo estatal, os  “solucionadores” dos problemas existentes nos seus lares, propriedades e comunidades rurais.

 

3) Nos serviços de assistência técnica e extensão rural (SATER). Para exigir que os extensionistas  tenham real capacidade de tornar os produtores rurais muito mais eficientes nos aspectos produtivos, gerenciais e comerciais. Extensionistas que saibam fazê-lo por mais adversas que sejam as condições físico-produtivas e por mais escassos que sejam os recursos financeiros dos agricultores; e por mais inoperantes que sejam os seus respectivos governos. Neste sentido os agricultores devem exigir como mínimo:

Em primeiro lugar, que os agentes de extensão saibam aplicar principalmente aquelas soluções que, graças ao seu baixo custo e facilidade de adoção, estejam ao alcance dos agricultores mais pobres. A propósito, muitas das mencionadas  soluções estão descritas no livro publicado pela FAO-ONU,  denominado “Desenvolvimento agropecuário: da dependência ao protagonismo do agricultor”, que está disponível, em forma gratuita, no site http://www.polanlacki.com.br/agrobr

Em segundo lugar que os extensionistas permaneçam nas propriedades e comunidades rurais, capacitando e organizando os agricultores; porque na atualidade muitos agentes de extensão permanecem nos escritórios urbanos e  metropolitanos, redigindo relatórios irrelevantes ou preenchendo formulários e  adotando procedimentos burocráticos para obter créditos e outras ajudas paternalistas. Este desvirtuamento das suas funções é inaceitável pois os extensionistas são educadores e não burocratas, nem  ”empregados” dos agentes financeiros.

 

4) Nas escolas fundamentais rurais. Para a maioria dos habitantes do campo estas escolas são o único serviço que os governos lhes proporcionam. Por esta razão os habitantes rurais devem exigir que esta singular oportunidade seja aproveitada para proporcionar aos educandos conhecimentos realmente úteis para a vida rural e para “eficientizar” a produção agropecuária e com isto incrementar a renda familiar. Deverão reivindicar que tais escolas sejam rurais de verdade e não apenas no nome; exigir que  seus currículos sejam “ruralizados” e “agriculturalizados”. Que incluam nos seus  programas de estudos aqueles conteúdos reconhecidamente utilizáveis pelos educandos na correção ou eliminação dos erros e ineficiências que os habitantes rurais estão cometendo, com maior freqüência, na vida pessoal, familiar, produtiva e  comunitária, como por exemplo:

- tecnologias elementares que lhes permitam realizar uma agricultura mais produtiva, mais  diversificada e mais eficiente; implantação de hortas familiares para que saibam produzir abundantes hortaliças, frutas e plantas medicinais; processamento/transformação inicial de produtos agrícolas e pecuários para incorporar-lhes valor e evitar perdas pós-colheita, melhoramento da nutrição baseada na auto-produção diversificada dos alimentos, noções de profilaxia, higiene e prevenção de enfermidades e pragas humanas e animais,  primeiros auxílios e prevenção contra  acidentes que ocorrem com maior freqüência no meio rural, cooperativismo e organização comunitária, administração rural e comercialização com menor incidência de intermediários, etc.

- valores e princípios éticos para que os alunos adquiram e adotem hábitos e condutas essenciais para uma vida digna, harmoniosa e solidária; valores e princípios que estão sendo “esquecidos” pelo individualismo, egoísmo e violência das pessoas que desejam usufruir  supostos direitos sem cumprir os seus deveres. Valores  princípios tais como: honestidade, honradez, dignidade, responsabilidade, disciplina, pontualidade, cumprimento dos compromissos assumidos com terceiros, respeito ao próximo e aos seus direitos, consciência das suas obrigações  como cidadãos, como pais de família e como membros da comunidade, amor ao trabalho bem executado, ambição sadia para progredir na vida como conseqüência do seu próprio esforço e do seu desejo de  superação, altruísmo e solidariedade; advertência sobre os perigos das drogas, do alcoolismo, dos jogos de azar, das relações sexuais prematuras e imprudentes, da delinqüência, etc.

 

Se os educadores fizerem o que podem fazer os agricultores saberão  o que devem fazer

 

Nos textos disponíveis em um outro site do autor (http://www.polanlacki.com.br) se argumenta que as principais debilidades e ineficiências  das  instituições educativas, mencionadas nos itens 1, 3 e 4 são evitáveis ou corrigíveis, através de medidas que podem ser adotadas pelos próprios professores e extensionistas que nelas se desempenham. Porque a sua adoção não necessariamente requer de recursos adicionais aos que tais instituições já dispõem, nem de decisões políticas das altas esferas do ministério ou das secretarias estaduais de educação e agricultura. Muitas das ineficiências do mencionado sistema persistem não necessariamente porque não podem ser eliminadas; e sim porque os educadores ainda não tomaram a decisão de assumir como sua a tarefa e a iniciativa de enfrentar a passividade, o fatalismo e conformismo, o anacronismo e a inércia imperantes no referido sistema.

 

Uma conclusão em forma de auto-crítica. Nós os educadores não podemos continuar com a cômoda atitude de apresentar-nos perante a opinião pública como vítimas dos baixos salários e da falta de apoio dos governos a  educação; embora em muitos casos ambos sejam uma realidade. Muito mais vítimas que nós, são os habitantes rurais os quais, ao receberem una educação de baixa qualidade e com conteúdos inadequados às suas necessidades, estão sendo condenados a fracassar no trabalho e na vida pessoal, familiar, produtiva e comunitária. Nós os educadores devemos ter a humildade de reconhecer que, em boa medida, nós mesmos podemos e devemos corrigir ou eliminar muitas das debilidades e ineficiências existentes no sistema de educação rural; independentemente do que façam ou deixem de fazer as altas autoridades educativas. Críticas ao artigo serão bem-vindas através dos e-mails:

Polan.Lacki@onda.com.br  e  Polan.Lacki@uol.com.br

Autor: fedulis@ig.com.br - Categoria(s): Sem categoria, opinião Tags:
Voltar ao topo