Sinta.Estipule um grau de tolerância. Faça muitas outras coisas e use o tempo. Use o tempo até que esse sentimento vá se diluindo no corpo dos dias. Até um dia que esse tempo ocupe mais espaço que a substância. Ela nunca sumirá. Mais sim dependerá da crença e da alta sensibilidade cotidiana às suas gotas homeopáticas de insegurança.
Encha uma xícara vazia de café quente. Ande pela sala. Passe tantas vezes o necessário em volta da mesa, para controlar as reações. Pare. Pense que isso é uma fantasia. Pense e ignore. Faça todas as coisas invisíveis que lhe fazem ser o que é. Faça-lhes novamente, mesmo sabendo que as mais bonitas delas nunca serão vistas. Convença-se que tu te divertes muito. Convença-se que o tempo passa rápido demais para morte. Perceba que é verdade e feche a pálpebra pesada e doída do dia.*
* “… Fogem… Fecha-se a pálpebra do dia…”- Raimundo Correia- Anoitecer
