dia 27 23 e poucos oh 24
Vou sentir falta daquele dedo que me apontava a dor que escondia. Quando tu escondia todas as coisas que me faziam me sentir bem apenas por segundos possíveis. Você me queria o impossível, eu queria o visível e imediato. Nada de mim te orgulhava, eu sei. Sou verde, imperfeita, como a fruta crua porque não consigo esperar o amadurecimento. Acabo jogando a metade, pois nada é macio como o ciclo completo .
Olha meus olhos e me olha por dentro, olha um pouco mais…assim, te amo, não pelo o que é. Isso é impossível de ver. Te amo pelo o que mostra, tudo aquilo que me machuca de meios melhores que muitos. Nunca me falaste nada além de suas raivas mesmo egoístas. Nunca me prometeu total amor e se foi.
Eu gosto desse sabor de desolação, sim amo. Mas estou mais para esperar algo conseguido, algo que não merecia totalmente…isso não existe…mas que tentei para tê-lo. Tu me veio e com a mesma facilidade te tirei de vista.
Tu e mim, nas pontes, nos lagos…tu e eu, mortais e mortos rapidamente pelos olhos do universo. Pelo olhar da Era, somos qualquer….então, como qualquer somos livres. Não nos olharão com mais vontade pela nossa insignificância. Então pulamos das pontes e mergulhamos nos rios, em nossa vida rápida e pontual como as células deslizando pelo universo sem gravidade.
Não, não seja tão cruel consigo…tu não é especial…tu é sujeira no chão.Não, não isso. Tu é mínima partícula do lixo. Por isso é livre, pois mínimas coisas são impossíveis de se acompanhar.
Estou com vontade de conseguir por tentativas. Não por ninguém ou propósito. Pois ninguém irá me acompanhar, do céu e da terra. Mas sim minhas possibilidades e morais tramitarão em minha cabeça por toda minha mortalidade. Não faço por ti infinito, mas pelos julgadores muito maiores…meus pensamentos.
Ponho te aqui, ó ponto. Não porque me acabam palavras. Mas para mostrar que, com ponto ou sem ponto, nada fará diferença maior que a rapidez e direção de meus dedos. Troco de palavras como troco de conclusões de textos. Troco-te, te levo, te trago de volta. Quase acabo-te. Porque quando lhe der o ponto intransponível já sou finita…já sou bem sucedida…Não nasci para ser sucesso…quase te dou um final, rebelo-me e me acabo rapidamente como a morte dessa célula de dedo que morre. E depois, segundos livres por imperceptíveis, nasce de novo.
