Você pega um filhote em mãos, um ser que nem é de sua espécie. E ele é macio, morno em contato com sua pele. Todo seu corpo estira em seus braços, aninha-se em completa entrega. Segurança. E você sabe que é um dos maiores erros que ele poderia cometer, sabe que se fosse outra situação faria tudo para alertá-lo. Mas não, seu nariz lisinho, seus movimentos leves te seguem. Mal percebem que normalmente, tu és um predador voraz. E você sabe disso, com toda evolução predadora e necessária. E se pergunta, do que você tem medo?
Eu tenho medo do amor. Ele é sem motivo, inexplicável. Agora possuo um radar sensível dentro de mim. Meu coração pula quando lhes ouço ao longe, todo meu corpo hesita em imaginar suas ausências. Ouço o miado ao longe, sinto arrepio quando chove e estão encharcados. E isso é inútil.
É inútil para um ser que vive menos que eu. Possivelmente, milhas distante, morrerás antes de mim. E meu choro verdadeiro não será amparado, pois os prantos por essa espécie são considerados inúteis. Mas eu choro, eu amo, sinceramente não sei por que.
Eu sei por que. Esse é meu melhor preenchimento e eu sou fraca, frágil. Trago para meu coração um animal que poderia me arranjar doenças. Doenças. Doenças. Pestes. Compras. Vazio. Caminhar. Cansaço. Força. Vontade.
Doenças e medo que não seriam suportados
Sem o Amor.
