Eu amo tempestades. E os olhos tímidos das pessoas. Eu gosto do cheiro dos filhotes. Eu preferiria que eu tivesse uma boa capacidade de rodar por aí em vez de ter uma casa. Eu sou ótima em fugir. Detesto salas, festas, cheias de homens. Eu nunca sei o que fazer com minhas mãos, com minhas palavras. Eu amo morangos. Eu amo sementes crescendo. Eu adoro o vento fresco que antecede as chuvas. Eu sempre detesto tudo que escrevo ou minhas fotos na terceira vez que revejo. Eu sempre caminho olhando para a arquitetura dos prédios. Amo os céus e os olhos das pessoas enquanto conversam. Eu não me acho merecida dessa vida, achando sempre que minha morte é iminente. Eu sempre acabo declamando tudo que sinto, portanto, pensando que elas também podem morrer. Eu não choro perto das pessoas. Eu amo o vermelho junto a cores pálidas. Geralmente, não falo meus problemas e não me acho capaz se fizer. Eu sinto uma saudade e um amor por pessoas que não são realmente minhas amigas. Eu sonho em um dia que elas desejariam mais intimidade comigo. Quando eu sinto frio, eu amo passear pela cidade. Eu queria possuir todas as flores possíveis. Eu sou louca por crianças e sempre me acho responsável pelas menininhas. Eu morro de medo de ser estuprada e não me acho tão especial para ser poupada. Eu não sei por que mereço tanta coisa. Eu não sei falar pessoalmente e quando escrevo geralmente exagero nas intenções. Eu gosto quando tomo água no meio da noite. E gosto de ficar cavando a terra sozinha. Eu aperto minhas mãos ou finco a unha em minha pele quando preciso esquecer ou prestar atenção em algo. Eu como e bebo mais rápido que qualquer pessoa que conheço. Eu geralmente não conto as coisas, mesmo porque, as pessoas impediriam meus atos. Eu amo livros e eles me aquecem. Eu amo histórias de amor e de danças. Um dia espero dançar uma valsa. Um dia espero escrever algo que me orgulhe. Eu não sei localizar direito os países. Eu não sei direito a geopolítica dos países.  Quando planejo, não possuo assunto. Quando acordo de algum modo bom, as coisas são leves. Muitas vezes, vou dormir arrasada e acordo como limpa pelo sol. Dias nublados são complicados nesses dias. Mas tristeza com muito calor é pior. Sufoca-te, te faz sentir até infectante.  Sempre tenho uma necessidade de apagar tudo, apagar tudo, algumas vezes por ano. Muitas. Eu sempre me afasto e, por mais que meus esforços sejam grandes para fugir, as pessoas sempre me surpreendem. Eu amo esse mundo, como um pecado. E sei que meu castigo será ir para sempre, pois agora estou aproveitando a tentação de viver a cada segundo. Que morre, agora. Daqui a pouco. E é.